Pesquise o conteúdo deste blog!

26 de dezembro de 2016

FELIZ ANO NOVO!

O ano termina e começa outra vez!

Esse ano a Cia Plúmbea tem muito a agradecer:

Estreamos o espetáculo que tanto batalhamos e pesquisamos para colocarmos em cena: Terrabatida: Reminiscência de Canudos. Com ele conseguimos pauta no Teatro Glauce Rocha através Edital Cena Aberta em maio e ganhamos dois prêmios no Festival Nacional de Barbacena (melhor direção e melhor ator).

Resgatamos um trabalho de 2011, A Arte de Enterrar seus Mortos, e fomos para Brasília, através do Edital dos Correios, além de participarmos do Festival Fluminense de Monólogos em Queimados - RJ.

Apresentamos o esquete Rayuela no Festival Regional de Macaé, e compartilhamos experiências sobre esse processo na Unirio, como conclusão de uma matéria do ator Paulo Barbeto.
As trocas esse ano foram ricas e interestaduais!

Não podemos nos esquecer das pessoas que fizeram tudo isso possível, desde toda a equipe de criação que nos acompanha, até os produtores de cada espaço e festival que temos a oportunidade de ir, e claro, o público que sempre nos recebe generosamente, ávidos por novas experiências.

A alegria maior é saber que 2017 mal começou e já temos projetos no forno! Em abril estaremos em Marechal Hermes ministrando oficinas e apresentando o solo “A Arte de Enterrar seus Mortos” no Teatro Armando Gonzaga.

Quer saber mais? Entra em contato com a gente!

Um beijo grande e até o ano que vem!!


16 de dezembro de 2016

A Cia Plúmbea em parceria com a Cia Teatro Vivo estará em abril de 2017 ocupando o Teatro Armando Gonzaga, em Marechal Hermes - RJ com o Projeto Solos em Cena. Ocuparemos duas semanas, de 21 a 30 de abril.
Além de apresentarmos os monólogos “A Arte de Enterrar seus Mortos” com Ana Cecilia Reis e “Francisco, um Santo sem Orgãos” com Rodrigo Carvalho, ministraremos uma oficina gratuita de 06 dias com propostas de exercícios solos para desenvolvimento do trabalho autoral do ator, apresentando ferramentas de criação a partir do corpo, da voz e de leituras de textos.
Se você tem interesse em fazer essa oficina conosco, ou conhece alguém da região, entre em contato através do e-mail: ciaplumbea@gmail.com
É muito importante construirmos um banco de dados com os interessados para 2017.
Até breve!


29 de novembro de 2016

A Arte de Enterrar seus Mortos em Queimados - RJ


Dia 08 de dezembro, às 19h30, estaremos no Espaço Cultural Queimados Encena, participando do FESTFLUM - Festival Fluminense de Monólogos com o espetáculo "A Arte de Enterrar seus Mortos". Vai ser lindo! 

Endereço: Rua Mustafá, 116, Centro – Queimados/RJ



17 de novembro de 2016

Estudos....

"Cansar o mestre, pelo trabalho e o esforço, até o limite do esgotamento, de modo a que o corpo e cada um dos seus membros possam finalmente agir de acordo com a sua própria razão - é a isso que se chama exercício. O êxito consiste em que a vontade, no espaço interior do corpo, abdique de uma vez por todas em favor dos órgãos - por exemplo, da mão. Acontece, assim, que alguém, depois de muito procurar, tira da própria cabeça aquilo que não encontra, e um belo dia, ao procurar outra coisa, aquela cai-lhe na mão. A mão apoderou-se da coisa, e num abrir e fechar de olhos forma um todo com ela."

Walter Benjamin em Imagens do Pensamento

Desenho de Henri Matisse

9 de novembro de 2016

Valeu, FREE!


Depois de quase dois anos, Rayuela voltou aos palcos dos festivais de cenas curtas, dessa vez em Macaé, no FREE - Festival Regional de Esquetes

Para nós foi um presente poder retornar com o trabalho e ouvir comentários generosos sobre nossa pesquisa.

Além disso, recebemos indicações como Melhor Concepção Sonora e Melhor Ator. 

Agradecemos a toda a equipe do festival e especialmente às Isas: Isabella Castro e Isabelle Macedo, que nos ajudaram na técnica.

Vida longa ao FREE!!!!

Foto da maravilhosa Carolina Rainha - Foto Grafia



26 de outubro de 2016

Inspirações...

(...) . Dramaturgia. Dramaturgia visual. Texto de cena. Espacialidade. Poética. Há exceções para tudo o que se pode dizer sobre dramaturgia – arte, teatro, vida. Eu acho que. Às vezes eu tendo a achar que está distante do papel. Assim, desse jeito. Normativo. Como se tudo precisasse sair ou voltar para o papel. Porque pode acontecer de. Pode ser que a dramaturgia escrita se afaste daquela traçada pelo corpo. Destinos diferentes. Caminhos distintos. Mas acontece, que, às vezes, palavra é corpo. Você sabe. O corpo é inteiro texto. Escrita-carne. Como é que se pode explicar que a palavra às vezes não suporta? Não atinge – não vai. Eu acho que não. Eu acho que isso pode ser pensado como um exercício que extrapola a escrita solitária e. A sala de ensaio – que é mundo, rua, todos os lugares atravessados. Talvez, então, o nome seja o espaço de criação. Que não tem limites, propriamente. Esse espaço. Ele pode
ser permeado por uma quantidade enorme de novas relações. Tão múltiplas. De repente, me parece impossível oferecer já fechado um universo. Como se impermeável. Ou pronto. Não. Não está pronto. É um convite. (...)
Francisco Mallmann, Os meninos franceses.
Confira o texto na íntegra no link: http://www.revistaensaia.com/os-meninos-franceses


19 de outubro de 2016

Rayuela no FREE

Rayuela volta aos palcos em Macaé, no dia 04 de novembro!

Notícia boa voltarmos a apresentar esse trabalho tão querido.


11 de outubro de 2016

A Flor da Pele: relato de criação teatral (3ª parte) - por Ana Cecilia Reis

(Essa postagem é uma continuação de relatos de trabalho que podem ser acompanhados aqui, e aqui )

Após algumas apresentações, durante os debates ou bate-papos informais de bar, algumas pessoas se interessaram em saber como criamos a dramaturgia do espetáculo Terrabatida: Reminiscência de Canudos. Essa postagem pretende pontuar algumas das nossas referências e caminhos para essa composição.

Como já foi dito, nossa primeira inspiração dramatúrgica foram as imagens das xilogravuras de Adir Botelho. Além das imagens, no catálogo da exposição Espanto e Barbárie em Canudos encontrávamos inspirações nos trechos retirados do livro Os Sertões de Euclides da Cunha. Apesar de não anteciparmos nenhuma leitura dos textos que acompanhavam as imagens durante as experimentações, ao final sempre nos deparávamos com gratas surpresas de afinidade ou de total estranhamento ao que havíamos proposto improvisando, o que nos acrescentava camadas de leitura.
O primeiro livro que nos acompanhou no início do processo foi Os Sertões, clássico já citado. 

Enquanto íamos explorando as figuras das xilogravuras em nossos corpos, íamos começando a saga literária. E não foi uma leitura fácil. Passamos uns seis meses pela extensa análise da Terra, do Homem, da Luta. Eu e Caju (primeira companheira de percurso nessa viagem) íamos sublinhando frases que nos inspiravam, imagens fortes, frases racistas que nos irritavam, sempre tentando sair do senso comum. Muitas imagens foram abandonadas, mas marcaram nosso inconsciente. Ossos, animais, cores, calor, escombros, pobreza, procissão, sangue, miséria, força militar... as palavras nos levavam para muitos caminhos, e íamos conversando sobre o que nos estimulava e sobre por onde não queríamos seguir. Não nos interessava puxar um sotaque baiano, contar a história toda com figurino de pano cru. Não queríamos reforçar um estereótipo já tão visado pelas novelas e filmes. Não nos cabia na verdade, contar a história linear. Não me interessei por colocar a figura do Antônio Conselheiro como uma imitação, ainda mais após lermos outro livro com diferentes visões sobre sua figura, chamado Belo Monte: uma história da Guerra de Canudos de José Rivair Macedo e Mário Maestri, que apresenta uma leitura mais popular e social acerca do massacre e da figura do Antônio, saindo um pouco da leitura de louco, fanático religioso e pensando-o como um líder de um movimento das classes menos favorecidas. Diante de tantas leituras, interpretá-lo seria limitá-lo. Então Antônio surgiu como imagem, como música, como mito na boca do povo.

O Nordeste é Invenção. Sim. No tempo dos nossos avós, não existia Nordeste. Existia Norte e Sul. O Nordeste é um produto imagético-discursivo, um recorte espacial imaginário. Quem vai destrinchar essa questão é o professor  Durval Muniz de Albuquerque no seu livro A Invenção do Nordeste e Outras Artes. Eita. Que baque. Pois é. Como carioca, do séc. XXI, falar de uma guerra que aconteceu na Bahia no final do séc. XIX era uma responsabilidade grande. E a Invenção do Nordeste acabou se tornando nossa introdução, a partir de palavras recortadas e costuradas. “Costurar a memória, história tecida, de fios de lacunas de buracos”.  Nos posicionamos: nosso trabalho era partir de diferentes visões, recortes, sobreposições. Terrabatida iria se apresentar, também como a nossa invenção aglutinadora, pensando a nossa realidade, nosso tempo.

Continuando as pesquisas, nos deparamos com um achado peculiar: Veredicto em Canudos de Sandor Marái. Um livro de ficção de um escritor húngaro (!) muito provocativo sobre a partir do tema. Pensar que a história de Canudos atingiu pessoas de terras tão distantes nos trouxe o sentimento de que o massacre não precisava ser narrado apenas como um acontecimento histórico, mas que ele estava vivo e fértil, capaz de abrir portas também para a imaginação e adaptações. Do livro de Marai saíram frases cruciais que sentimos necessidade de colocar em cena, uma inclusive parecia dizer exatamente o cerne da questão que estávamos desenvolvendo: “A memória é que nem doença de pele: coça e arde”. Canudos nos atravessava exatamente assim. A memória dessa história não passava por nós somente pelos registros escritos, mas pelas imagens, pelo corpo, pelas sensações. Parafraseando Zé Celso: A experiência da sobrevivência na noite desses anos,  sua memória, está gravada no corpo...  

Outro livro na linha de romance histórico-ficcional que lemos foi A Guerra do Fim do Mundo de Mario Vargas Llosa, onde nos inspiramos para criar o discurso do General Moreira César antes de partir para a expedição onde seria exterminado.

Corpo, imagem, texto. Muita coisa ainda não foi citada aqui, mas vamos deixar para a próxima porque já está ficando longo. Pretendo continuar nas próximas postagens falando das referências cinematográficas, musicais, jornalísticas e como isso tudo foi se alinhavando, e como o Rio de Janeiro do séc. XXI entrou nessa história...
Até breve!

=)






29 de setembro de 2016

Inspirações...

"O impacto que a dança e o pensamento de Tatsumi Hijikata provocou no universo corêutico japonês deixou profundas cicatrizes em seu desenvolvimento futuro. Muito além da excelência de seu estilo ou de sua gestualidade, Hijikata jogou na face de toda uma geração a experiência do abismo da existência, das contradições e da escuridão que atravessavam seu corpo, capaz de contaminar, de modo significativo, diferentes âmbitos da prática artística japonesa. Muito mais do que a codificação de uma série de técnicas de movimento, ele acabou concebendo um momento de insurreição no interior das estruturas de poder da sociedade de seu tempo"

Éden Peretta
                                                                           Foto: Eikoh Hosoe

22 de setembro de 2016

Fotos da apresentação do Festival Nacional de Barbacena-MG

Com saudades do "Terrabatida"? Nós também! Acessem as fotos de nossa última apresentação, no Festival Nacional de Barbacena-MG, por Waldir Damasceno, através do link: Fotos Terrabatida!



14 de setembro de 2016

Inspirações

“A diferença principal reside, evidentemente, na falta de continuidade de um trabalho coletivo. Ela afeta de modo substancial o resultado artístico: quando uma equipe se reúne apenas para uma montagem única, é difícil esperar que essa montagem se constitua numa amadurecida síntese de convicções, ideias e temperamentos artísticos de todos os envolvidos, contrariamente ao que acontece quando um agrupamento de artistas tem a oportunidade de transformar-se num autêntico conjunto, testando sua criatividade em cima de toda uma série de trabalhos, e aprendendo a receber, cada um, legítimas influências de todos os outros. Também um verdadeiro processo de experimentação – de onde brotam as inquietações estéticas mais legítimas – torna-se difícil na ausência de tal continuidade.”

Yan Michalski, em Progressos ou retrocessos?

7 de setembro de 2016

Algumas reflexões sobre abordagens brechtianas (por Ana Cecilia Reis)

Percebo no teatro atual certas abordagens estéticas assumidamente inspiradas em Brecht que presumem que o público tem o mesmo conhecimento histórico e o mesmo interesse em determinados assuntos que os criadores dos trabalhos. O distanciamento explorado em Brecht não significa que devemos apresentar ao público algo que ele não quer ouvir, esfregar em sua cara algo que ele não quer ver, com textos políticos arrogantes e enfadonhos. Não é falando em socialismo, revolução e direitos igualitários que estamos atingindo o espectador e “iluminando” sua vida diante das injustiças cotidianas. Não é gritando próximo ao ouvido dele que ele vai ouvir mais. Não é fazendo com que ele participe da cena que o tornará mais ativo (certas participações podem ser uma forma de automatização também).
O que ser “proletariado” significa hoje para esses jovens atores e atrizes? O que significa para a plateia que os assistem? Como suscitar um real interesse de transformação em jovens (ou velhos) no Brasil de 2016 dando como exemplo a Revolução Soviética?
Enxergo uma falta de sensibilidade e certa preguiça de começarem a olhar e investigar a fundo a nossa história, e começar a criar novas (e nossas) próprias ferramentas de aproximação e jogo com o público. Um novo vocabulário, novas formas de conectividade.
Brecht foi um autor que revisitava constantemente os clássicos, e era ativo ao transformá-los de forma provocativa, atento ao seu próprio tempo. Pesquisava estímulos estéticos em diferentes partes do mundo. Não podemos tratar Brecht como um autor congelado requentado no microondas, não podemos ter a ingenuidade de achar que as frases de efeito de outrora impactam a geração atual da mesma forma. Se existe um legado que Brecht nos deixou, é o exemplo de sua constante e insaciável busca pelo estudo, e, principalmente, a luta para não estacionar em velhos métodos.



1 de setembro de 2016

Luto: substantivo e verbo.

AS NOVAS ERAS
As novas eras não começam de uma vez
Meu avô já vivia no novo tempo
Meu neto viverá talvez ainda no velho.
A nova carne é comida com os velhos garfos.
(...)
Das novas antenas vêm as velhas tolices.
A sabedoria é transmitida de boca em boca.
Bertolt Brecht
(trad. Paulo César de Souza)



25 de agosto de 2016

Inspirações...

“(...) Ah, querido irmão, às vezes sei tão bem o que quero. Na vida e na pintura, posso bem renunciar ao bom vinho, mas não posso, eu que sofro, renunciar a algo maior do que eu, que é a minha vida, a potência criativa. (...) E quando estamos frustrados na potência física, tentamos dar vida aos pensamentos no lugar dos filhos, e participamos assim da humanidade. E com um quadro, quero exprimir algo comovente como uma música. Gostaria de pintar homens e mulheres como algo de eterno, aquilo do qual o símbolo já foi a auréola, e que agora tentamos representar com o mesmo esplendor usando a vibração das cores”.

Van Gogh, em carta para seu irmão Theo.

 Retrato de Eugène Boch, 1888.

17 de agosto de 2016

A política, o teatro e o que eu tenho a ver com isso (por Ana Cecilia Reis)

Em meio a tantos acontecimentos grotescos na política nacional e internacional, em meio às Olimpíadas, ao extermínio silencioso da população negra, gay, trans, em meio às remoções em função de uma cidade higienizada, em meio à exclusão da maioria dos cariocas ao direito de morar e transitar pela cidade, em meio ao golpe, ao silenciamento da democracia, à perda de direitos básicos, ao sucateamento das escolas e do ensino superior, em meio à bancada evangélica tomando poder na sua forma mais grotesca e preconceituosa em meio a... (infelizmente a lista é tão extensa e triste que prefiro parar por aqui), tive um baque há alguns meses ao perceber que minha voz era pequena, quase nula, que repetia diariamente coisas para amigos e amigas que já sabiam a minha opinião e concordavam. Eu me fortalecia nesse eco de vozes unificadas, mas era evidente que só atingia quem já queria me ouvir (a gente só aprende o que já sabe?). Me senti muda, impotente, ao gritar, ao escrever, ao levantar cartazes, porque ao meu redor existia uma surdez absoluta, um total aniquilamento do diálogo e da troca de ideias diferentes. Então me calei. Me calei virtualmente. Me calei fisicamente. Parei de ir para as ruas. Me calei, tentei refletir sobre onde eu estava, o que fazia. Refletir sobre as máquinas internas do sistema, que eu entendo tão pouco.

Como é difícil... Vejo que a força presente nas ocupações, nas ruas, na militância diária é necessária, mas não achei o meu lugar ali. Não achei e me sentia falsa apenas compartilhando, compartilhando para os meus, apoiando com um clique, sentada... E quando saía, percebia a força do coletivo que grita, que luta e que quer, mas as vozes dissonantes também me assustavam e me retraía ao reconhecer velhas fórmulas de politicagem disfarçadas, e percebia que nunca tive a malícia necessária para contornar os desvios que um discurso de lobo em pele de cordeiro pode alcançar.
Mas, apesar de tudo, é preciso continuar. Mas como não proclamar o discurso hipócrita da “intelectual sensível” que faz sua arte enquanto tudo desmorona ao redor? Por isso também calei. Era como estar numa cúpula falando comigo mesma que o teatro e a arte irão salvar a humanidade e que então tudo bem, porque é isso que precisar ser feito e é aos poucos, aos poucos, aos poucos... Ignorando que 90% das pessoas que eu conheço não vão ao teatro. Ignorando a pífia quantidade de leitores no país, ignorando...
Percebem em que labirinto me coloco? É fundamental o desenvolvimento do pensamento sensível e crítico através do acesso à arte, isso é transformador. A busca pela experiência coletiva, através do lúdico, do jogo, do rito, é o que vai nos tirar do poço sem fundo da busca cega pelo lucro e pelo consumo em que nos encontramos, gerando uma sociedade depressiva, arrogante, alienada. O cotidiano massacra qualquer tentativa de diferenciação, do direito de apenas ser, ou de se permitir descobrir algo que não siga um protocolo. Eu sei. Mas ainda assim, as ações parecem insuficientes, invisíveis.
Ainda quieta, ainda observando, e tentando estar consciente de todas as contradições que esse texto (talvez inútil) envolve, admito que não há outra escolha para mim que não seja a de fazer e estar no teatro. Se é o que continua pulsando, utilizo essa ferramenta como ação porque ainda que como uma fagulha, a cada dia de apresentação, a cada tentativa de circulação, a cada não que aceito de cabeça erguida pronta para outra, é o que ainda faz sentido por aqui. Ainda que sem dinheiro, ainda que sem espaço (um teatro inteiro cabe no corpo do ator), não posso deixar de me apresentar nunca, porque é no brilho do olhar do outro, é no susto pelo estranho, é na revolta da discórdia, é no diálogo para o novo que eu percebo que ainda estamos vivos, e fortes. Atuar no dissenso. Então, torço para que as pessoas encontrem o que faz sentido por aí, o que faz vibrar, e que a gente descubra uma força nova e limpa, a partir do esgotamento em que nos encontramos. Não é uma solução, mas “o fim está no começo e no entanto continua-se”.

10 de agosto de 2016

Edgar Morin



                                      ---------------------

Não basta mais denunciar. 
Doravante precisamos enunciar. 
Não basta apenas relembrar a urgência.
É preciso também saber começar.


                                        -------------------

3 de agosto de 2016

Festival Nacional de Barbacena: Premiação

A Cia Plúmbea volta do Festival Nacional de Barbacena cheia de alegria no coração!
O espetáculo Terrabatida: Reminiscência de Canudos ganhou os prêmios de:
MELHOR DIREÇÃO: Ana Cecilia Reis
MELHOR ATOR: Paulo Barbeto
E recebeu indicações:
MELHOR ATRIZ
MELHOR ESPETÁCULO
MELHOR TRILHA SONORA
MELHOR CENÁRIO
Agradecemos muito o carinho de todas as pessoas envolvidas que fizeram esse Festival acontecer, com todos os dias lotados (maior público que já tivemos)! Adoramos a sede de arte, de debate, de encontros! Saímos com a mala cheia de contatos e trocas riquíssimas!
Agradecemos à nossa equipe maravilhosa que fez com que esses prêmios fossem possíveis: Raphael Vianna, Mariana Pimentel, Pedro Martins e Fernanda Almeida!
Sigamos!!

Foto: Márcio Oliveira 


28 de julho de 2016

Inspirações...

“A arte “singulariza os objetos”, obscurece as formas familiares e incrementa a dificuldade e a duração da percepção. Na arte, o ato perceptivo é um fim em si mesmo e deve ser prolongado. A arte é um meio de experimentar o devir do objeto: aquilo que ele já é, na arte é despojado de importância. O processo artístico é assim a liberação do objeto do automatismo da percepção".
Victor Chklovski no ensaio A arte como técnica (1917)


Foto de Márcio Oliveira. Paulo Barbeto em Terrabatida: Reminiscência de Canudos.

21 de julho de 2016

Rayuela: demonstração de trabalho na Unirio

No final deste semestre na Unirio, em maio, a Cia Plúmbea apresentou cenas de Rayuela como trabalho final do ator Paulo Barbeto para a disciplina Estéticas do Teatro.  Agradecemos à Samia Oliveira pelo registro! Abaixo seguem alguns trechos e fotos da apresentação. Para ler na íntegra acessem AQUI.



O Jogo da Amarelinha é um estudo rítmico/musical e um manifesto literário que propõe novas formas de leitura, de percepção artística: nesse sentido, o leitor é um agente de criação quase tão importante quanto o autor, já que ele também poderá propor caminhos de apreensão da obra, variações de recepção da mesma. O mais importante aqui é perceber o livro de forma sensorial e particular.”


“Beatrice Picon-Vallin, dissertando sobre a criação teatral de Meyerhold pertinente a esse período, afirma que “em vez do psicologismo, o princípio diretor da atuação se torna plástico” e que se “trata de trabalhar ênfases visuais, não ênfases lógicas; de revelar, não de exprimir”. O ator deveria, portanto, “sentir a forma e não simplesmente as emoções da alma”. É da artificialidade que nasceria a impressão mais intensa de vida. A intenção da composição de Rayuela é sempre a de gerar imagens que entrem em diálogo com o texto de Cortázar, que ora é dito pelos atores, ora é ouvido em off na voz do próprio autor do livro. Esse diálogo não necessariamente precisa ser harmonioso: por vezes ele é conflitivo, chocante ou até mesmo contestador. Já em outros momentos, ele tende a ser mais harmônico, corroborando com o sentido textual produzido e por vezes ilustrando-o de maneira inusitada”.


“A movimentação plástica executada em Rayuela não pressupõe uma alusão, uma referência àquilo que conhecemos como realidade tangível: ela está mais ligada à esfera do sonho e da busca inconsciente pelo sentido. Isso está ligado ao fato de grande parte do romance se passar justamente nas divagações existenciais e filosóficas do personagem Horácio, que caminha durante a maior parte do tempo na corda bamba que separa a loucura da razão.”

                               



14 de julho de 2016

[Terrabatida] Backstage!

Para quem está com saudade do Terrabatida (nós mesmos! :P) e para quem tem curiosidade de ver o backstage de Cias independentes que ralam, ganhamos mais um vídeo de presente do Pedro Martins, a partir do lapso de esquecer a câmera ligada!

É muito amor e muito suor, minha gente! 


7 de julho de 2016

Valeu, Brasília!

Voltamos muito felizes das nossas apresentações no centro-oeste!
Agradecemos à família do Pedro Martins, que nos acolheu: Dona Ieda, seu Jorge, Maria Lúcia, João Bernardo, João Paulo, Lôra, Cláudia, Beto, Zé Maria, Antônia, Aninha.
Agradecemos a toda equipe do Museu Nacional dos Correios, especialmente ao Bernardo Arribada que ficou em contato direto conosco.
Agradecemos ao nosso público, tão carinhoso e receptivo e principalmente aos funcionários do Museu que compareceram em peso para nos prestigiar!
Até a próxima!
Fotos por Pedro Martins








22 de junho de 2016

Cia Plúmbea levantando voo para Brasília!

"Sozinha em cena, mesclada ao solo sujo, Ana Cecília Reis cria vozes e perfis para cada um dos personagens. Trabalho de corpo e voz que se mostra gratificante, até mesmo nos breves momentos em que a distinção vocal das personagens se mostra mais tênue. Percebe-se nessa entrega o resultado de um sério trabalho colaborativo entre atriz e diretor, que, conduzido com paciência e minúcia, desvela detalhes e gestos que enriquecem e aumentam a percepção da tragédia de Antígona."
Leonardo Munk - Profº Dr. do Departamento de Teoria do Teatro e da Escola de Letras da Unirio.

Apresentações no Museu Correios 
Data: 25 e 26 de junho (sábado e domingo)
Horário: 19h
Onde: Setor Comercial Sul - Quadra 4, Bloco A, 256 - Asa Sul, Brasília - DF
Ingresso: R$ 20,00.



15 de junho de 2016

Mais fotos de Terrabatida!

Para aquecermos nossa ida para o Festival de Barbacena-MG, divulgamos agora mais fotos do espetáculo "Terrabatida: Reminiscência de Canudos" dessa vez pelo olhar de Márcio Oliveira.

Adoramos!














9 de junho de 2016

A Arte de Enterrar seus Mortos em Brasília!

Amigos e amigas, é com muita alegria que informamos que o espetáculo A Arte de Enterrar seus Mortos está de volta, e fará apresentações nos dias 25 e 26 de junho no Museu Correios, em Brasília!

Este espetáculo foi escrito e dirigido por Ronaldo Ventura em 2011 e sua última apresentação foi em 2013, em Hortolândia-SP. Estamos muito contentes de recolocá-lo em circulação em um estado do Centro-Oeste. Abaixo algumas informações sobre o processo de criação do trabalho, a sinopse e o local de apresentação.

Nos vemos lá!



Sinopse:

Uma mulher grita. Com o que resta de suas forças, joga um punhado de terra sobre o corpo morto de seu irmão. E assim, se faz uma criminosa. A história de Antígona, a princesa banida, que retorna à sua terra natal para cumprir os rituais fúnebres de seu irmão. Mas sua manifestação de amor fraterno a torna uma fora da lei, e como tal, será julgada. 


Sobre o espetáculo:

O espetáculo A Arte de Enterrar seus Mortos apresenta o mito de Antígona, filha do Rei Édipo, a última descendente de uma família amaldiçoada. O processo de criação dessa releitura partiu de uma intensa investigação de voz e movimento. A montagem é inspirada nas tradições de narrativas orais e a atriz Ana Cecilia Reis conta a história alternando as falas do Narrador, Guarda, Creonte e Antígona. 

O tema – da heroína grega que lutou pelo que julgava correto, mesmo sozinha, e acabou condenada – gera reflexões para a sociedade atual, em que feitos como esse parecem inacreditáveis e, muitas vezes, assustadores.

Processos de Pesquisa:

A apresentação do texto segue a estrutura apresentada pela tradição oral, meio pelo qual as antigas lendas eram transmitidas de geração em geração, por todos os povos. A atriz, sozinha em cena, alterna a fala entre narrador, Antígona, Guarda e Creonte, tensionando o espectador e exigindo assim sua maior atenção.

Em busca de uma coloração na atuação, o diretor Ronaldo Ventura dividiu o trabalho em duas frentes de pesquisas:

Corpo: a atuação física da atriz não parte de uma interpretação, nem pretende mimetizar o texto, mas buscar a expressividade do que “não é dito”; o intuito é apresentar fisicamente o que estaria se passando no âmago de cada personagem enquanto vivem e sofrem as ações e reações adversas presentes na dramaturgia.

Voz: a atuação vocal é composta de vários fragmentos sonoros, compondo assim um mosaico vocal. O mosaico é uma arte decorativa que surgiu na Grécia, com características figurativas. A palavra "mosaico" tem origem na palavra grega mousaikón, a mesma que deu origem à palavra “música”, que significa “próprio das musas”. Estes fragmentos sonoros foram criados a partir de uma intensa investigação energética, baseada nos estudos do encenador e pesquisador Jerzy Grotowski e do criador do grupo LUME Luis Otávio Burnier.

O espetáculo não apresenta cenário, inspirado na estética do teatro clássico japonês Nô e nas contações de história tradicionais milenares. Os ambientes onde se passam a história são expressados pela disposição espacial da atriz e suas composições vocais determinam a atmosfera do momento.

1 de junho de 2016

Fé nos deuses e pé na estrada!

Terminamos nossa temporada, e nosso coração se enche de gratidão!

Ainda estamos recuperando o fôlego e pretendemos narrar em breve como foi essa experiência. Por hora, podemos dizer que tivemos um retorno muito carinhoso do público e dos amigos, com direito à visita do artista Adir Botelho que comentou de forma bastante positiva nossa pesquisa! Também recebemos dois alunos (Dudu Cabral e Pedro Tameirão) da Nova Escola de Jacarepaguá que fizeram uma matéria linda sobre nosso trabalho, que pode ser acessada aqui. Ganhamos fotos de presente da Júlia Viana e do Márcio Oliveira que circularão muito por aí!

E queremos agradecer especialmente a equipe que nos acompanhou com toda dedicação: Raphael Vianna, Mariana Pimentel, Pedro Martins e Marília Borges.  

Terminamos essa postagem com uma notícia muito feliz: no final de julho estaremos nos apresentando novamente no Festival Nacional de Teatro de Barbacena-MG!

É o Terrabatida pegando estrada!

Mal podemos esperar!



25 de maio de 2016

Matéria sobre a Cia Plúmbea!


Olá, pessoal!
Hoje recomeça nossa semana de apresentação no Glauce Rocha, de quarta a domingo, sempre às 19h. Para aquecer os motores, confiram a linda matéria que os alunos da Nova Escola \ Dudu Cabral e Pedro Tameirão fizeram sobre um dia de trabalho da Cia Plúmbea. Tá muito bacana!! 

23 de maio de 2016

[Terrabatida] Fotos da temporada no Glauce Rocha

Confiram algumas fotos do espetáculo "Terrabatida" pelo olhar da Júlia Viana! Lembrando que o espetáculo continua em cartaz de quarta a domingo, sempre às 19h no Teatro Glauce Rocha, até o dia 29 de maio. Na quarta-feira (dia 25)  faremos um debate com o público. Apareçam!!