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21 de janeiro de 2022

Estudos


O nosso corpo é utilizado de maneira substancialmente diferente na vida cotidiana e nas situações de representação. No contexto, a técnica do corpo está condicionada pela cultura, pelo estado social e pelo ofício. Em uma situação de representação, existe uma diferente técnica do corpo. Pode-se então distinguir uma técnica cotidiana de uma técnica extracotidiana.

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As técnicas cotidianas do corpo são, em geral, caracterizadas pelo princípio do esforço mínimo, ou seja, alcançar o rendimento máximo com o mínimo uso de energia. As técnicas extracotidianas baseiam-se, pelo contrário, no esbanjamento de energia. Às vezes, até parecem sugerir um princípio oposto em relação ao que caracteriza as técnicas cotidianas, o princípio do uso máximo de energia para um resultado mínimo.

Quando estava no Japão como o Odin Theatre perguntava o que significava a expressão otsukarasama, com a qual os espectadores agradeciam aos atores no final do espetáculo. O significado exato dessa expressão – uma das tantas fórmulas da etiqueta japonesa, particularmente indicada para os atores – é: “Você cansou por mim”.

Eugenio Barba no livro “A Canoa de Papel: tratado de Antropologia Teatral”.

7 de janeiro de 2022

Ainda estamos aqui




Diário do último ato, 2019. 

Existe uma luz que nunca se apaga. Ela é o brilho no olhar das pessoas que compartilham de um mesmo espaço, quando algo acontece em conjunto, presentes, verdadeiramente. Esse brilho pode ser de vivacidade, alegria, gargalhadas, mas também pode ser de lágrimas, de lembranças não tão boas, de empatia com a solidão própria e alheia, com a nossa condição de humanos frágeis, e quando juntos, mais fortes.

Existe uma luz que nunca se apaga, e para enxergá-la não precisa de refletores caros, espaços elitizados, autorizações. Essa luz é algo que acontece de dentro para fora, faz com que por um momento haja um sentido, e assim, vivos, sentindo, temos coragem para prosseguir.
Esse ano, desejo estar mais próxima novamente, na troca de tantos olhares que nutrem as esperanças que por vezes eu chego a perder, mas que as resgato novamente, a cada apresentação.
Ainda estamos em um cenário incerto, que precisamos de muito cuidado, mas sei que será possível, com calma, devagar, retomar encontros tão essenciais em uma sociedade cada vez mais individualista e distante.
Que venha 2022. Ainda estamos aqui, e seguimos por todas e todos que já se foram.
(Ana Cecilia Reis)