O nosso corpo é utilizado de maneira substancialmente diferente na vida cotidiana e nas situações de representação. No contexto, a técnica do corpo está condicionada pela cultura, pelo estado social e pelo ofício. Em uma situação de representação, existe uma diferente técnica do corpo. Pode-se então distinguir uma técnica cotidiana de uma técnica extracotidiana.
(...)
As técnicas cotidianas do corpo são, em geral,
caracterizadas pelo princípio do esforço mínimo, ou seja, alcançar o rendimento
máximo com o mínimo uso de energia. As técnicas extracotidianas baseiam-se,
pelo contrário, no esbanjamento de energia. Às vezes, até parecem sugerir um
princípio oposto em relação ao que caracteriza as técnicas cotidianas, o
princípio do uso máximo de energia para um resultado mínimo.
Quando estava no Japão como o Odin Theatre perguntava o que
significava a expressão otsukarasama, com a qual os espectadores agradeciam aos
atores no final do espetáculo. O significado exato dessa expressão – uma das
tantas fórmulas da etiqueta japonesa, particularmente indicada para os atores –
é: “Você cansou por mim”.
Eugenio Barba no livro “A Canoa de Papel: tratado de
Antropologia Teatral”.
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