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25 de maio de 2015

Terrabatida: Reminiscência de Canudos (Fragmentos)

Dis-cursos é, originalmente, a ação de correr para todo o lado: são idas e vindas. O saber não é feito para compreender, é feito para cortar. Poder e Linguagem. Camadas discursivas. Discursos são como documentos, construção. Construção mental. Máquinas históricas do saber. História tecida, renda de fios, de lacunas, de buracos, fazem parte do próprio desenho, são partes da própria trama. Costurar a memória: Retratos fantasiosos de lugares que não existem mais.  

O Nordeste é invenção.




20 de maio de 2015

Estudos...

A linguagem é experimentada não meramente como algo compartilhado, mas como uma coisa corrompida, vergada pelo peso da acumulação histórica. Assim, para cada artista que a conhece, a criação de uma obra significa enfrentar dois domínios potencialmente antagônicos de significado e suas relações. Um deles é o próprio significado (ou ausência de); o outro é o conjunto de significados de segunda ordem, os quais, ao mesmo tempo que estendem sua própria linguagem, a oneram, a comprometem e a adulteram. O artista acaba por escolher entre duas alternativas inerentemente limitantes, forçado a tomar uma posição que é ou servil, ou insolente. Ou ele adula e satisfaz seu público, oferecendo-lhe o que este já sabe, ou comete uma agressão contra seu público, dando-lhe o que este não quer.

Susan Sontag - A Estética do Silêncio. 


11 de maio de 2015

Fotos do Ensaio (Terrabatida: Reminiscência de Canudos)!

Nesta semana disponibilizamos algumas fotos dos ensaios do espetáculo “Terrabatida: Reminiscência de Canudos”. Estamos em uma nova fase criativa de muitas descobertas. Em breve mais textos sobre o processo!

Agradecemos Well Ferreira pela disponibilidade do registro! 

=)









7 de maio de 2015

Inspirações...

(...) Boca que é fornalha, boca do forno onde o combustível varia desde o ar até o aprendizado da palavra, verbo, início da expressão da comunicação. Boca onde brota o grito, som que foi modulado, cultivado até à formulação do alfabeto, som que ao sair dela, penetra o ouvido e impulsiona a resposta, o impropério, ou o suspiro do fim, válvula que vacila no seu ritmo, num desvario de pêndulo desregulado fora do seu compasso, até o aquietar do ante-ser que foi expelido na última parcela do ar que habitava, encerrando o ciclo do começo ao fim. Cratera, buraco onde entra a bola de golfe que aí se aquieta onde dorme a larva, toca do bicho que espreita, vagina proprietária do pênis, cárie que açoita a dor, ouvido-túnel condutor do som, umbigo-cicatriz marca registrada do passado uterino da dependência da guerra do ato do separar-se, fossas nasais que tomaram para si a rédea da cavalgada do ar que agora penetra no compasso do ritmo vital. Boca, antro da língua, peça sobressalente que impulsiona desde o ar até a palavra comprimida, cobra no ato do amor, que procura o avesso no parceiro, perdigueiro do faro preso por forte corrente de tensões que não a deixam submergir no outro. A boca que devora para o estômago, para o cérebro, para o amor. A boca que vomita o alimento, a palavra no impropério, o escarro no arroto, o canto que é som e toda escala musical derivada da descoberta. Boca, fronteira onde se esconde a palavra, o desejo, a fome, que se fecha, nesta defesa, arapuca onde o pássaro é capturado, rede onde o peixe é cercado, curral emparedado pela cerca, roda de gente que completa um círculo, anel de compromisso que cerca o dedo. Boca que é o abraço da realidade, que come o espaço do mundo, que expele o tédio no bocejar, que é modulado e nela expresso, que passa do certificado do bem-estar ao processo da dor aliviada. (...) 

trecho de Breviário sobre o Corpo de Lygia Clark


Imagem: "Not I" de Samuel Beckett com Billie Whitelaw