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29 de julho de 2013

O artista hoje: entre o 'proponente' e o pedinte

No meio dessa correria de editais, leis de incentivo, captação de recurso, eis um texto do artista plástico Almandrade para reflexão:

"O artista que passa o tempo recluso na solidão do ateliê, trabalhando,  desenvolvendo sua experiência estética, como um operário da linguagem e do pensamento, está em extinção. É coisa de museu.Ou melhor, é raridade nos museus de arte, que estão deixando de ser instituições de referência da memória para servir de cenários para legitimação do espetáculo. Às vezes, com míseros recursos que ficamos até sem saber direito: quando nos deparamos com baldes e bacias nessas instituições, se são para amparar a goteira do telhado ou se se trata de uma instalação, contemplada por um edital para aquisição de obras contemporâneas...

O que interessa na política cultural nem sempre é a arte e a cultura, e, sim, o glamour. Em nome da arte contemporânea, faz-se qualquer coisa que dê "visibilidade".As políticas públicas foram relegadas às leis de incentivo à cultura e aos editais públicos. Nunca se fez tantos editais neste País, como atualmente, para, no fim das contas, fazer da arte um "suplemento cultural", o bolo da noiva na festa de casamento.

Na fala do filósofo alemão Theodor Adorno: "As obras de arte que se apresentam sem resíduo à reflexão e ao pensamento não são obras de arte". Do ponto de vista da reflexão, do pensamento e do conhecimento, a cultura não é prioridade. Na política dos museus, o objeto já não é mais o museu que se multiplicou, juntamente com os chamados "centros culturais", nos últimos anos.

Com vaidade de supermercado, na maioria das vezes, eles disponibilizam produtos perecíveis, novidades com prazo de validade, para estimular o consumo, vetor de aquecimento da economia. A qualificação ficou no papel, na publicidade do concurso.

Esses editais que bancam a cultura são iniciativas que vêm ganhando força. Mostram ser um processo de seleção com regras claras para administrar o repasse de recursos, muito bem vendidos na mídia, como métodos de democratizar o "acesso" e a "distribuição de verbas" para as práticas culturais.
Mas nem são tão democráticos assim. Podem ser um instrumento possível e eficiente em certos casos, mas não são a solução, é possível funcionarem, também, como escudo, para dissimular responsabilidades pela produção, preservação e segurança do patrimônio cultural.

Considerando-se, ainda, a contratação de "consultorias", funcionários, despesas de divulgação, inscrição... o trabalho árduo e apressado de seleção... é tudo, enfim, um custo considerável, que, em último caso, gera "serviços" e renda.

O artista contemporâneo deixa de ser artista para ser proponente, empresário cultural, "captador" de recursos, um especialista na área de elaboração de projetos, com conhecimentos indispensáveis de "processo público" e interpretação de leis. Dedica grande parte de seu tempo a esse negócio burocrático, que é a elaboração e execução de projetos, prestações de contas etc., todos contaminado pela lógica do marketing... coisas incompatíveis com o artista em si, que apostou na arte como uma "opção de vida" e com forma de conhecimento, algo que exige dedicação exclusiva...

Ou, pior ainda: o artista fica à mercê de uma "produtora cultural", para quem essa política de editais e fomento à cultura é, aliás, um excelente negócio...

Mais uma coisa é preocupante: e se essa política de editais se estender até a sucateada área da saúde, por exemplo? Imaginem uma "seleção pública" para pacientes do Sistema Único de Saúde, que necessitem de procedimentos médicos... Os que não forem "democraticamente contemplados", teriam de apelar para a providência divina, já engarrafada com a demanda de tantos pedidos...
Nem é bom imaginar. Que esta praga fique restrita aos limites da esfera cultural... Na pior das hipóteses, é uma "torneira" que sempre se abre para atender parte de uma superpopulação de artistas, proponentes, pedintes...

O artista, cada vez mais, é um técnico passivo com direito a diploma de "bem comportado" em "preenchimento de formulário". E seu produto ficou relegado ao controle dos burocratas do Estado, e à "boa vontade" dos executivos de marketing das grandes empresas...

Se o projeto é bem apresentado, com boa "justificativa" de gastos e retornos, o produto a ser patrocinado ou financiado... se é mediano, se é excepcional, não importa! O que importa é a "formatação", a "objetividade" do orçamento, a clareza das "etapas" e a "visibilidade", o "produto final"...
Como sempre, existem as chamadas exceções, mas.."







22 de julho de 2013

Fazer um filme (por Marcos Melo)


“Os imprevistos não só fazem parte da viagem como são a própria viagem. Fazer um filme não é tentar com obstinação adequar a realidade a ideias preconcebidas; fazer um filme também significa saber reconhecer, aceitar, utilizar as progressivas alterações que os acontecimentos contínuos e paralelos causam às ideias preconcebidas. Fidelidade absoluta ao que se quer fazer, tudo bem, mas também aceitação do que aos poucos vem se manifestando, porque muitas vezes não passa da secreção constante do que se quer fazer.”
                                                 Federico Fellini

Nesse domingo, dia 21 de julho, foi feita a gravação do primeiro filme da Cia Plúmbea, o curta-metragem Resistir, escrito e dirigido por Marcos Melo, produzido e co-dirigido por Ana Cecília Reis. Além de uma nova experiência, foi um grande aprendizado. Procedimentos artesanais, intuição e conhecimentos adquiridos de forma autoditada colocados à prova pela primeira vez. Cinema feito sob as mesmas premissas que orientam nosso trabalho no teatro, o mesmo senso de responsabilidade que não permite desvincular ética e estética.

Queremos registrar nossa profunda admiração e gratidão a Vera Monteiro e Raphael Janeiro, que literal e metaforicamente foram as estrelas do dia. Dedicação e comprometimento, expertise e criatividade foram as marcas do excelente trabalho dos atores convidados. A indispensável colaboração técnica de Michael Andrade e Jimmy Andrade também fazem parte memorável desse momento da Cia Plúmbea.

Agradecemos especialmente à Roberta Delamarque, Seu Zequinha e D. Ângela por terem cedido a perfeita locação e dado todo o apoio necessário para esta realização e à Linnie Reis, por nos ajudar a compor a cena com os objetos e pelo delicioso almoço para toda a equipe! 

Alegria e senso de realização no momento, e disposição para as próximas etapas do trabalho, edição, montagem e distribuição! Aguardem, em breve divulgaremos mais notícias sobre o filme.












15 de julho de 2013

"A Arte de Enterrar seus Mortos" vai para a Mostra NALONA em Hortolândia-SP!

Com muita alegria informamos que fomos contemplados com o Prêmio Teatro em Hortolândia 2013. De acordo com a pontuação do júri, ficamos em 3º lugar na categoria teatro adulto. Os critérios de avaliação foram: Adequação à categoria; Criatividade, novas linguagens; Direção; Dramaturgia; Figurinos, Adereço, Maquiagem; Conjunto da obra.

Agradecemos à Comissão de Seleção e Organização do Festival,  e no dia 18 de agosto estaremos apresentando o espetáculo aos hortolandenses!

Até lá! 


8 de julho de 2013

Muito Obrigada, Cia Pigmentus!

Participar do aniversário de 01 ano da Casa Pigmentus foi um presente pra nós! Estamos honrados com o convite, e queremos parabenizar a Cia pela organização, qualidade, simpatia e disponibilidade na recepção de todos os grupos. A casa é incrivelmente organizada e a proposta de ocupação cultural do espaço é imperdível. Muito bom estarmos entre amigos que lutam diariamente para fazer o que amam. A festa foi linda, com um público carinhoso, generoso! A energia do espaço é mágica!

Queremos agradecer a todos que nos ajudaram, Marcela Jorge, pela ajuda com nosso cenário, Diego Deleon, pela ajuda com a operação de som (impecável), Rictheli Santana por toda a ajuda técnica, Érico Muniz pelo carinho e disponibilidade, e todos os envolvidos no evento, ao grupo de pesquisa Redoma e ao grupo Cia Mala Íntima de Teatro, companheiros de viagem, cena e libertinagem! rs

À Unirio por disponibilizar nosso transporte e ao motorista por nos aturar e nunca perder a calma, até no meio da ponte Rio-Niterói às 03 horas da manhã, após um "pequeno" acidente.

Enfim, só podemos dizer que fomos contemplados com uma belíssima demonstração de como batalhar pra fazer as coisas acontecerem da melhor maneira possível! Obrigada, Cia Pigmentus! Até a próxima!


Apresentação na Casa Pigmentus







Pausa deliciosa para o almoço, com toda a equipe e grupos!