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29 de setembro de 2016

Inspirações...

"O impacto que a dança e o pensamento de Tatsumi Hijikata provocou no universo corêutico japonês deixou profundas cicatrizes em seu desenvolvimento futuro. Muito além da excelência de seu estilo ou de sua gestualidade, Hijikata jogou na face de toda uma geração a experiência do abismo da existência, das contradições e da escuridão que atravessavam seu corpo, capaz de contaminar, de modo significativo, diferentes âmbitos da prática artística japonesa. Muito mais do que a codificação de uma série de técnicas de movimento, ele acabou concebendo um momento de insurreição no interior das estruturas de poder da sociedade de seu tempo"

Éden Peretta
                                                                           Foto: Eikoh Hosoe

22 de setembro de 2016

Fotos da apresentação do Festival Nacional de Barbacena-MG

Com saudades do "Terrabatida"? Nós também! Acessem as fotos de nossa última apresentação, no Festival Nacional de Barbacena-MG, por Waldir Damasceno, através do link: Fotos Terrabatida!



14 de setembro de 2016

Inspirações

“A diferença principal reside, evidentemente, na falta de continuidade de um trabalho coletivo. Ela afeta de modo substancial o resultado artístico: quando uma equipe se reúne apenas para uma montagem única, é difícil esperar que essa montagem se constitua numa amadurecida síntese de convicções, ideias e temperamentos artísticos de todos os envolvidos, contrariamente ao que acontece quando um agrupamento de artistas tem a oportunidade de transformar-se num autêntico conjunto, testando sua criatividade em cima de toda uma série de trabalhos, e aprendendo a receber, cada um, legítimas influências de todos os outros. Também um verdadeiro processo de experimentação – de onde brotam as inquietações estéticas mais legítimas – torna-se difícil na ausência de tal continuidade.”

Yan Michalski, em Progressos ou retrocessos?

7 de setembro de 2016

Algumas reflexões sobre abordagens brechtianas (por Ana Cecilia Reis)

Percebo no teatro atual certas abordagens estéticas assumidamente inspiradas em Brecht que presumem que o público tem o mesmo conhecimento histórico e o mesmo interesse em determinados assuntos que os criadores dos trabalhos. O distanciamento explorado em Brecht não significa que devemos apresentar ao público algo que ele não quer ouvir, esfregar em sua cara algo que ele não quer ver, com textos políticos arrogantes e enfadonhos. Não é falando em socialismo, revolução e direitos igualitários que estamos atingindo o espectador e “iluminando” sua vida diante das injustiças cotidianas. Não é gritando próximo ao ouvido dele que ele vai ouvir mais. Não é fazendo com que ele participe da cena que o tornará mais ativo (certas participações podem ser uma forma de automatização também).
O que ser “proletariado” significa hoje para esses jovens atores e atrizes? O que significa para a plateia que os assistem? Como suscitar um real interesse de transformação em jovens (ou velhos) no Brasil de 2016 dando como exemplo a Revolução Soviética?
Enxergo uma falta de sensibilidade e certa preguiça de começarem a olhar e investigar a fundo a nossa história, e começar a criar novas (e nossas) próprias ferramentas de aproximação e jogo com o público. Um novo vocabulário, novas formas de conectividade.
Brecht foi um autor que revisitava constantemente os clássicos, e era ativo ao transformá-los de forma provocativa, atento ao seu próprio tempo. Pesquisava estímulos estéticos em diferentes partes do mundo. Não podemos tratar Brecht como um autor congelado requentado no microondas, não podemos ter a ingenuidade de achar que as frases de efeito de outrora impactam a geração atual da mesma forma. Se existe um legado que Brecht nos deixou, é o exemplo de sua constante e insaciável busca pelo estudo, e, principalmente, a luta para não estacionar em velhos métodos.



1 de setembro de 2016

Luto: substantivo e verbo.

AS NOVAS ERAS
As novas eras não começam de uma vez
Meu avô já vivia no novo tempo
Meu neto viverá talvez ainda no velho.
A nova carne é comida com os velhos garfos.
(...)
Das novas antenas vêm as velhas tolices.
A sabedoria é transmitida de boca em boca.
Bertolt Brecht
(trad. Paulo César de Souza)