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29 de dezembro de 2020

Estudos...

 O processo da descoberta do clown pessoal provoca a quebra de couraças que usamos na vida cotidiana. (...) Mais do que formas estereotipadas, o que causa o riso são as manifestações autênticas advindas da sensação de desconforto e insegurança do clown diante do público. O clown toma consciência de sua estupidez logo após ter sido estúpido; por isso ele é triste. As risadas do público fazem com que ele se aprofunde na sua própria dor. Se o clown rir, o público não ri. Para o público rir, o clown chora. Engibarov, clown russo, diz: “O clown faz tudo, sempre, seriamente. Por certo, isto não significa que não queira ser cômico. Ao contrário, sua meta é fazer rir. Mas o verdadeiro cômico consegue isso sem tentar fazer rir a qualquer preço”.

Luís Otávio Burnier, em A arte de ator: da técnica à representação.


Imagem: Os palhaços Teotônio e Carolino, em Cravo, Lírio e Rosa do Lume Teatro

6 de dezembro de 2020

Inspirações: Meierhold

 

“Ensaiando. Quem, mais leve e mais jovem do que o mais jovem, improvisa uma dança em cena, quem voa sobre o praticável dando mostras de um ímpeto de adolescente? Meierhold em seus 60 anos. [...] Quem chora em cena, representando o papel de uma jovem de 16 anos que foi maculada? E os alunos, prendendo a respiração, olham a cena, sem ver seus cabelos brancos nem o nariz pronunciado: eles veem diante de si uma moça de gestos juvenis e femininos, ouvem as entonações tão cristalinas, tão inesperadas que as lágrimas que afloram aos olhos de cada um se misturam à alegria de um entusiasmo sem limites diante desses ápices geniais da arte do ator [...] Quem nunca viu Meierhold ensaiando ignora o que há de mais precioso nele.”

Igor Ilinski, retirado do livro A cena em ensaios de Béatrice Picon-Vallin