Nascido na
Argentina em 1914, Julio Cortázar viveu durante a ditadura militar, e não
concordando com o regime em seu país, se mudou para Paris em 1951, onde morou
até sua morte. Cortázar é considerado um dos autores mais inovadores e
originais do seu tempo, comparado a Jorge Luis Borges e Edgar Allan Poe.
Michelangelo Antonioni se inspirou no seu conto As Babas do Diabo do livro As
armas secretas para criar o filme Blow-up.
Seu livro mais conhecido é O Jogo da
Amarelinha (Rayuela, no original), escrito em 1963 que teve uma grande
recepção em diversas línguas.
De acordo com
Ari Roitman, na contracapa do livro,
esse sucesso se deu pelo período de ruptura vivido no momento, na política e
nas artes, onde se buscava inovações em todos os sentidos. Esse livro é uma
captura dessa vertigem, pela forma, pela abordagem dos personagens envolvidos,
pela viagem através das ruas parisienses e das praças argentinas.
“Encontraria a
Maga?” – essa é a pergunta que inicia o jogo. E tal como o jogo evocado, onde a
pedra é lançada em cada casa, em cada capítulo há possibilidades múltiplas
capazes de fazer o jogo prosseguir, paralisar ou recomeçar.
O leitor também
é interpelado para participar de forma ativa.
Não há mensagem, há mensageiros, e isso é a mensagem.
Herdeiro
literário do surrealismo e do existencialismo, Cortázar propõe uma literatura
onde o humor e o assombro se cruzam, em uma experiência mais do que literária,
uma experiência sensorial:
Não é uma novela, mas sim um relato muito longo que
definitivamente acabará sendo a crônica de uma loucura.

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