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19 de janeiro de 2021

Estudos...

"Sempre peço a um grupo de atores que se sentem em círculo, fechem os olhos e batam palmas juntos, tentando fazer isso em uníssono. Sem ninguém “puxando”, sem um ritmo predeterminado. Sempre, uma vez que todos estejam juntos, as palmas irão imperceptivelmente ganhar aceleração até que se atinja o clímax. Então haverá novamente diminuição do ritmo (porém não tão lento quanto do ponto de partida) e, mais uma vez, aceleração, até que cheguem num segundo clímax, e assim por diante.

Seiscentos anos atrás, o mestre japonês de , Zeami, disse: “Todo fenômeno no universo se desenvolve através de uma certa progressão. Mesmo o canto de um pássaro ou o zunido de um inseto seguem essa progressão. Isto se chama jo-ha-kyu"."

Yoshi Oida - retirado do livro O Ator Invisível. 




11 de janeiro de 2021

Fique em casa com cultura - Através do espelho: caminhos para uma atuação autoral


Olá pessoal!
Compartilhamos aqui uma fala que visa refletir sobre possíveis caminhos para uma maior independência criativa.
É um vídeo onde a diretora e atriz Ana Cecilia Reis indica muitas leituras e nomes de grupos e pesquisadores (as) que inspiram nosso trabalho.
Essa proposta foi contemplada pelo edital Fique em Casa com Cultura do município e no canal Cultura Petrópolis vocês podem ver toda a produção dos artistas contemplados no edital!
Filmagem e edição de Fernanda Almeida.





6 de janeiro de 2021

Adeus ano velho, que venha um ano novo! (por Ana Cecilia Reis)

Fiquei em dúvida se iria postar algo sobre o que foi 2020, sobre expectativas, realidades, sobre o redemoinho de sensações, e as perspectivas criativas que atravessaram esse ano. Fiquei em dúvida porque pode ser um ato de insensibilidade narrar conquistas e superações em um ano de dor, de morte, de injustiça, de total descontrole e sadismo governamental.

Mas depois repensei, e me deu vontade de compartilhar brevemente com as pessoas que acompanham o trabalho da Cia, para falar um pouco do que se passou por aqui. Como puderam acompanhar, os meus primeiros textos após a notícia da pandemia no Brasil e o fechamento de todos os teatros, são textos que pedem calma, respeito e cuidado com o nosso fazer criativo. O meu sentimento pessoal foi compartilhado a partir do momento que considerei relevante, por pensar que outras pessoas poderiam estar sentindo a mesma coisa. Poder parar para dizer não e não fazer nada até estar melhor, até entender onde estávamos foi uma escolha possível, fruto de outras fontes de renda, com trabalhos paralelos, opção que muitas artistas não tiveram. Mesmo assim, achei honesto escrever sobre a potência da pausa, do dizer não à um fluxo constante de demandas que o sistema nos obriga a cumprir, e assim sendo, nos fazendo perder nossos sentidos, nos afogando e confundindo. Mas não podemos perder de vista que somos pessoas que trabalham exatamente para questionar tudo isso. Então, tive meus meses de crise, de choro, de inércia, de surto, de loucura, de exagero, de drama, de confusão, de carência, de euforia, de tentativa e erro. E me permiti ficar assim, mesmo sem saber se iria sair de tudo isso. Me permiti porque quis e me permiti porque não era capaz de fazer nada tão rápido, não era capaz de fazer nada que me agredisse eticamente, no que escolhi fazer em arte.
Muito tempo se passou e ainda se passa, mais do que eu imaginava, embora algumas ideias e vontades tenham surgido até antes do que eu esperava. Comecei aos poucos, com a ajuda de encontros e reencontros inusitados, a me sentir novamente apta a falar, a criar, a retomar trabalhos antigos. Me vi tendo vontade de compartilhar leituras, que foram importantes e marcantes para mim, de falar sobre maneiras de criar de forma independente, de pensar em novos projetos, graças à um encontro do fim do mundo com o Felipe Eugênio, à um reencontro de anseios revoltosos com Fernanda Almeida e Paulo Barbeto, e ao tempo que me foi dado de ingressar em estudos psicanalíticos que estão me gerando muito material de pesquisa, como o Seminário de Psicanálise coordenado pelo Pedro Rocha. Foi muito importante entender que mesmo sem a presença física, os laços continuaram e continuarão ocorrendo, e isso foi uma surpresa metafísica.
Nesse breve resumo de realizações no tempo que não me feriu, estão o Prêmio Maestro Guerra-Peixe de Cultura pelo espetáculo Diário do Último Ato, a gravação de Caminhos para uma Atuação Autoral que estará no canal Cultura Petrópolis em breve, a live Difíceis Existências: Florbela Espanca no Último Ato realizada pelo Festival Literário de Periferia de Pernambuco, as reuniões sobre o Terrabatida, espetáculo de 2014, com olhares novos e novas discussões dramatúrgicas seis anos depois.
Do que 2021 sinaliza (sem muitas expectativas, aprendemos bem), são novas parcerias, alguns convites, projetos, menos radicalismo (estou aprendendo a conviver com câmeras).
Sem romantismo nesse ano terrível, mas ainda sensível às sementes que encontrei no asfalto, agradeço demais por tudo que me cerca, especialmente aos amigos e amigas, sempre parceiras de estrada, que me emocionam de todas as maneiras, que eu tanto admiro, e que sem vocês nada seria possível.
Enquanto estivermos por aqui, obrigada por compartilharem esse mesmo caminho.
Que venha 2021, seja como for.
Moça com vestido, desenho de Felipe Stefani


29 de dezembro de 2020

Estudos...

 O processo da descoberta do clown pessoal provoca a quebra de couraças que usamos na vida cotidiana. (...) Mais do que formas estereotipadas, o que causa o riso são as manifestações autênticas advindas da sensação de desconforto e insegurança do clown diante do público. O clown toma consciência de sua estupidez logo após ter sido estúpido; por isso ele é triste. As risadas do público fazem com que ele se aprofunde na sua própria dor. Se o clown rir, o público não ri. Para o público rir, o clown chora. Engibarov, clown russo, diz: “O clown faz tudo, sempre, seriamente. Por certo, isto não significa que não queira ser cômico. Ao contrário, sua meta é fazer rir. Mas o verdadeiro cômico consegue isso sem tentar fazer rir a qualquer preço”.

Luís Otávio Burnier, em A arte de ator: da técnica à representação.


Imagem: Os palhaços Teotônio e Carolino, em Cravo, Lírio e Rosa do Lume Teatro

6 de dezembro de 2020

Inspirações: Meierhold

 

“Ensaiando. Quem, mais leve e mais jovem do que o mais jovem, improvisa uma dança em cena, quem voa sobre o praticável dando mostras de um ímpeto de adolescente? Meierhold em seus 60 anos. [...] Quem chora em cena, representando o papel de uma jovem de 16 anos que foi maculada? E os alunos, prendendo a respiração, olham a cena, sem ver seus cabelos brancos nem o nariz pronunciado: eles veem diante de si uma moça de gestos juvenis e femininos, ouvem as entonações tão cristalinas, tão inesperadas que as lágrimas que afloram aos olhos de cada um se misturam à alegria de um entusiasmo sem limites diante desses ápices geniais da arte do ator [...] Quem nunca viu Meierhold ensaiando ignora o que há de mais precioso nele.”

Igor Ilinski, retirado do livro A cena em ensaios de Béatrice Picon-Vallin

 

24 de novembro de 2020

Antígona Cartunizada

Fomos apoiadoras do trabalho do artista Pedro Naine e recebemos a versão de uma foto do espetáculo "A Arte de Enterrar seus Mortos" cartunizada. Essa é a cena do julgamento de Antígona, e os traços foram inspirados na obra de Yoshitaka Amano.

Também quer ser cartunizada (o)? Entra lá na página dele pra conhecer mais o trabalho e na plataforma do apoia.se/pedronaine
Adoramos!




23 de novembro de 2020

Em processo: Através do espelho: caminhos para uma atuação autoral

Estamos preparando um material inédito, com reflexões sobre possíveis caminhos para uma liberdade e consciência de atuação! 

Em breve teremos novidades!