"Começamos pelo silêncio, pois a palavra ignora, na maioria das vezes, as raízes de onde saiu, e é desejável que, desde o princípio, os alunos se coloquem no âmbito da ingenuidade, da inocência e da curiosidade. Em todas as relações humanas, aparecem duas grandes zonas silenciosas: antes e depois da palavra. Antes, ainda que não falamos, encontramo-nos num estado de pudor, que permite à palavras nascer do silêncio, a ser mais forte, portanto, evitando o discurso, o explicativo. O trabalho sobre a natureza humana, nessas situações silenciosas, permite encontrar os momentos em que a palavra ainda não existe. O outro silêncio é o do depois, quando não há mais nada a dizer. Este nos interessa menos!"
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3 de fevereiro de 2021
19 de janeiro de 2021
Estudos...
"Sempre peço a um grupo de atores que se sentem em círculo, fechem os olhos e batam palmas juntos, tentando fazer isso em uníssono. Sem ninguém “puxando”, sem um ritmo predeterminado. Sempre, uma vez que todos estejam juntos, as palmas irão imperceptivelmente ganhar aceleração até que se atinja o clímax. Então haverá novamente diminuição do ritmo (porém não tão lento quanto do ponto de partida) e, mais uma vez, aceleração, até que cheguem num segundo clímax, e assim por diante.
Seiscentos anos atrás, o mestre
japonês de nô, Zeami, disse: “Todo fenômeno no universo se desenvolve através
de uma certa progressão. Mesmo o canto de um pássaro ou o zunido de um inseto
seguem essa progressão. Isto se chama jo-ha-kyu"."
Yoshi Oida - retirado do livro O Ator Invisível.
11 de janeiro de 2021
Fique em casa com cultura - Através do espelho: caminhos para uma atuação autoral
6 de janeiro de 2021
Adeus ano velho, que venha um ano novo! (por Ana Cecilia Reis)
Fiquei em dúvida se iria postar algo sobre o que foi 2020, sobre expectativas, realidades, sobre o redemoinho de sensações, e as perspectivas criativas que atravessaram esse ano. Fiquei em dúvida porque pode ser um ato de insensibilidade narrar conquistas e superações em um ano de dor, de morte, de injustiça, de total descontrole e sadismo governamental.
29 de dezembro de 2020
Estudos...
O processo da descoberta do clown pessoal provoca a quebra de couraças que usamos na vida cotidiana. (...) Mais do que formas estereotipadas, o que causa o riso são as manifestações autênticas advindas da sensação de desconforto e insegurança do clown diante do público. O clown toma consciência de sua estupidez logo após ter sido estúpido; por isso ele é triste. As risadas do público fazem com que ele se aprofunde na sua própria dor. Se o clown rir, o público não ri. Para o público rir, o clown chora. Engibarov, clown russo, diz: “O clown faz tudo, sempre, seriamente. Por certo, isto não significa que não queira ser cômico. Ao contrário, sua meta é fazer rir. Mas o verdadeiro cômico consegue isso sem tentar fazer rir a qualquer preço”.
Luís Otávio Burnier, em A arte de ator: da técnica à
representação.
Imagem: Os palhaços Teotônio e Carolino, em Cravo,
Lírio e Rosa do Lume Teatro
6 de dezembro de 2020
Inspirações: Meierhold
“Ensaiando. Quem, mais leve e mais jovem do que o mais jovem, improvisa uma dança em cena, quem voa sobre o praticável dando mostras de um ímpeto de adolescente? Meierhold em seus 60 anos. [...] Quem chora em cena, representando o papel de uma jovem de 16 anos que foi maculada? E os alunos, prendendo a respiração, olham a cena, sem ver seus cabelos brancos nem o nariz pronunciado: eles veem diante de si uma moça de gestos juvenis e femininos, ouvem as entonações tão cristalinas, tão inesperadas que as lágrimas que afloram aos olhos de cada um se misturam à alegria de um entusiasmo sem limites diante desses ápices geniais da arte do ator [...] Quem nunca viu Meierhold ensaiando ignora o que há de mais precioso nele.”
Igor Ilinski, retirado do livro A cena em ensaios de Béatrice
Picon-Vallin
24 de novembro de 2020
Antígona Cartunizada
Fomos apoiadoras do trabalho do artista Pedro Naine e recebemos a versão de uma foto do espetáculo "A Arte de Enterrar seus Mortos" cartunizada. Essa é a cena do julgamento de Antígona, e os traços foram inspirados na obra de Yoshitaka Amano.






