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13 de julho de 2015

6 de julho de 2015

Inspirações...



Trinta raios convergem para o meio de uma roda
Mas é o buraco em que vai entrar o eixo que a torna útil.

Molda-se o barro para fazer um vaso;
É o espaço dentro dele que o torna útil.

Fazem-se portas e janelas para um quarto;
São os buracos que o tornam útil.

Por isso, a vantagem do que está lá
Assenta exclusivamente
na utilidade do que lá não está.

Tao Te Ching (道德經), Cap. 11


22 de junho de 2015

Estudando um pouco sobre violência policial... Canudos também é aqui.


"Aproximadamente dois meses separaram a chegada da corte portuguesa e a criação da primeira instituição policial brasileira. A Intendência Geral de Polícia da Corte e do Estado do Brasil, criada no dia 10 de maio de 1808, na cidade do Rio de Janeiro, apresentava como seu principal objetivo implantar a ordem em uma cidade marcada pela presença negra e pelas péssimas condições de salubridade. Em sua origem a atividade policial apresentava características muito variadas e diferentes da atual, sendo responsabilidade da polícia, ações como a preservação dos espaços públicos, o abastecimento de água e a limpeza urbana, além da manutenção da ordem vigente.

O medo por parte da nobreza em viver em uma cidade com grande predomínio de negros escravos fez com que, um ano após a chegada da corte, fosse criada a Guarda Real de Polícia – GRP, corpo encarregado especificamente pela segurança e manutenção da ordem na cidade. A GRP estabeleceu medidas bem definidas de disciplinarização e controle, objetivando preferencialmente os escravos e negros libertos, sendo a truculência e a violência marcas fundamentais de tratamento e operacionalização dos seus objetivos.

(...)

Nos anos seguintes, muitas transformações ocorreram na vida econômica e política do país. Paulatinamente, a escravidão foi sendo substituída pelo trabalho remunerado. Tal fato engendrou mudanças no olhar policial que, gradativamente, foi substituindo o seu objeto central de atenção. Se durante o período colonial e a maior parte do Império o olhar policial estava voltado para os escravos e negros libertos, com a abolição da escravidão e implantação do modelo republicano, o olhar policial passou gradativamente para os trabalhadores pobres e ex-escravos.

(...)

Atualmente, mesmo em um período histórico marcado pela democracia, parte da estrutura policial continua atuando como no passado. Diversos relatos apontam que a violência contra o corpo dos pobres e negros continua viva no seio das forças policiais. Da mesma forma, o extermínio dos transgressores, mesmo que não aceito por lei, continua sendo uma prática corriqueira e largamente utilizada pelas forças policiais como estratégia de controle e de ordenamento territorial.

O que deve ficar claro é que a violência policial cotidiana que assola a população da cidade do Rio de Janeiro não é resultado de ações reativas da polícia a violência do tráfico de drogas, como apontado por alguns veículos de comunicação, mas o resultado de um processo forjado em 200 anos de história. Assim, somente com a refundação das forças policiais, alicerçadas em uma cidadania plena e equânime é que poderemos obter uma solução para esta questão essencial para todos os cidadãos brasileiros."

Retirado do site da Revista de História:



Soldados: xilogravura de Adir Botelho

15 de junho de 2015

Sobre Canudos: Tudo o que é humano se perde por detrás dos números

Três mil homens em armas. Canhão 32. No alvorecer de 21. 3ª, 25ª, 2ª ala da cavalaria. 1ª Brigada. 9º Batalhão. 7.600 metros além de Giritrana. 12.800 metros na frente. Dia 24. 3.349 homens. 5 brigadas. 1.500 homens. 1.500 metros. 2ª coluna. 3 mil baionetas. 150 cartuchos. Mil homens, 947. 14º, 32º, 33º, 34º batalhões. 5 mil homens. 27 de junho. 12h30. Duas horas da tarde. Cinco horas da manhã. 13.200 metros. 21 tiros de granada. 55 feridos. 75 baixas. Manhã de 28. 5 mil casebres. 114 praças fora de combate. Nove oficiais. 60 homens. 25 de junho. Duzentos. Dois mil. 178 homens fora de combate. 27 mortos. Dia 28. 1897. 180 cargueiros. Uma, duas, três, 4 mil, 5 mil casas. Seis mil casas. Quinze, 20 mil almas. 850 mil cartuchos. Vinte batalhões. 5.200 vivendas. 24 prisioneiros. Quinhentos casebres, quatro ataques, dezoito. Seis da tarde. 48 minutos. 2 mil homens. 6 mil Mannlichers, 6 mil sabres. 12 mil braços, 12 mil coturnos. 6 mil revólveres, vinte canhões, milhares de granadas. Degolamentos, incêndios, 10 meses. Cem dias, um velho. Dois homens. Uma criança. 5 mil soldados.

TUDO O QUE É HUMANO SE PERDE POR DETRÁS DOS NÚMEROS.



9 de junho de 2015

Ensaio de Terrabatida: Reminiscência de Canudos

Essa semana fizemos o primeiro teaser em parceria com a Sete Cores Filmes dos nossos últimos ensaios.

Espero que gostem!

=)



2 de junho de 2015

Estudos...

No palco do mugen'nö não há nada sobre o piso de madeira polida. Apenas o silêncio reina completamente e domina esse espaço. De repente, aquela flauta aguda ressoa como que rasgando o ar silencioso. O som da flauta surge num instante e desaparece num instante. Nesse som há uma força de um passado muito distante, que traz para o palco, os personagens que estão atrás da cortina, que se abre para a entrada dos atores. O palco, num abrir e fechar de olhos torna-se os jardins da corte de antigamente e os campos de batalha de Dannoura. Os protagonistas não falam sobre as lembranças, ali, naquele momento (agora), angustiam-se com o amor proibido, e empunham longas espadas sobre o navio. Eles dançam. A dança muda de uma forma para outra num instante, e cada movimento parece se tornar a expressão de cada tempo, denso e decisivo. O palco  mostra que a experiência de um instante dentro de espaços estreitos pode se aprofundar o quanto se deseja, e essa expressão pode se refinar infinitamente. A plateia não se reúne pelo interesse histórico, mas para ver o drama atual, o drama deles mesmos. Ao ver os próprios dramas, definem por si mesmos a cultura do "aqui=agora". 


* Retirado do livro Tempo e espaço na cultura japonesa de Suichi Kato


25 de maio de 2015

Terrabatida: Reminiscência de Canudos (Fragmentos)

Dis-cursos é, originalmente, a ação de correr para todo o lado: são idas e vindas. O saber não é feito para compreender, é feito para cortar. Poder e Linguagem. Camadas discursivas. Discursos são como documentos, construção. Construção mental. Máquinas históricas do saber. História tecida, renda de fios, de lacunas, de buracos, fazem parte do próprio desenho, são partes da própria trama. Costurar a memória: Retratos fantasiosos de lugares que não existem mais.  

O Nordeste é invenção.