No palco do mugen'nö não há nada sobre o piso de madeira polida. Apenas o silêncio reina completamente e domina esse espaço. De repente, aquela flauta aguda ressoa como que rasgando o ar silencioso. O som da flauta surge num instante e desaparece num instante. Nesse som há uma força de um passado muito distante, que traz para o palco, os personagens que estão atrás da cortina, que se abre para a entrada dos atores. O palco, num abrir e fechar de olhos torna-se os jardins da corte de antigamente e os campos de batalha de Dannoura. Os protagonistas não falam sobre as lembranças, ali, naquele momento (agora), angustiam-se com o amor proibido, e empunham longas espadas sobre o navio. Eles dançam. A dança muda de uma forma para outra num instante, e cada movimento parece se tornar a expressão de cada tempo, denso e decisivo. O palco nô mostra que a experiência de um instante dentro de espaços estreitos pode se aprofundar o quanto se deseja, e essa expressão pode se refinar infinitamente. A plateia não se reúne pelo interesse histórico, mas para ver o drama atual, o drama deles mesmos. Ao ver os próprios dramas, definem por si mesmos a cultura do "aqui=agora".
* Retirado do livro Tempo e espaço na cultura japonesa de Suichi Kato

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