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14 de julho de 2014

Rayuela no Festival de Esquete da ETET Martins Pena!

Olá pessoal, 

A data da nossa apresentação no Festival de Esquetes da ETET Martins Pena está confirmada! Rayuela será apresentada no dia 22 de julho (terça-feira), a partir das 18h30 (seremos o terceiro esquete). Depois de todas as apresentações vai rolar um debate. 


Apareçam! 

=) 


7 de julho de 2014

Preenchendo uma forma: alguns olhares que te levam além (por Ana Cecilia Reis)

Quando apresentamos um trabalho ainda inconcluso para que pessoas possam opinar sobre ele temos que estar seguros para não sermos suscetíveis a qualquer observação que tenha cunho apenas pessoal, porque pessoas diferentes possuem diferentes visões sobre uma mesma coisa, e também devemos estar sensíveis para a percepção do outro, pois ao apresentar seu trabalho para pessoas confiáveis você precisa estar verdadeiramente disposto a ouvir mais e se justificar menos.

Com o esquete Rayuela, pela primeira vez fiz uma pré-estreia para buscar a opinião de convidados sobre a nossa pesquisa. Foi uma experiência muito enriquecedora. Em um trabalho conceitual como esse, partindo de uma literatura não convencional como a de Cortázar, o tipo de recepção do trabalho foi muito variada. Houve quem não quisesse que o trabalho acabasse (achando-o curto), houve quem admirou as imagens e o jogo a partir da literatura, houve quem achou o trabalho distante do público, ou ainda rascunhado, em processo de finalização. Todos os comentários foram recebidos com grande carinho, mas, como disse uma vez o cineasta Guillermo del Toro: “Escute todos, faça o que você quiser” . Esse talvez seja o momento mais difícil: assumir o que o trabalho é, o que queremos com ele. Esse é o ponto que exige mais maturidade.

Ao convidarmos as pessoas para um ensaio aberto, a intenção, mais do que agradá-las, é a de que elas possam ser agentes criadores do processo também.

Das várias observações que recebemos, resolvi me ater na questão da cena ainda como lugar do exercício, de como, na percepção do público, algumas imagens precisavam de “preenchimento psicológico”. Comecei a me perguntar em como preencher esses movimentos que pareciam vazios para algumas pessoas. Uma amiga e companheira de estudos me indicou um livro chamado “Para o ator” de Michel Chekov. Nesse livro existe um capítulo chamado “O gesto psicológico”.

A partir da leitura desse capítulo criei exercícios que acabaram transformando o “movimento pelo movimento” em “movimento pré-existente inserindo estímulo interno”. Explicitando, preenchemos nossos movimentos já existentes baseados em duas intenções (que dialogam com a minha visão sobre os textos escolhidos):

* o sadismo – que indicamos como uma energia propulsora;
* a saudade - que indicamos como energia regressora.

Começamos a nos perguntar onde nos nossos movimentos existiam essas características sádicas ou saudosas, e por que. Ou seja, quem ou o quê éramos que nos dava aquele corpo? O que nos fazia mover no espaço? Esses estímulos deveriam ser criados, e poderiam ser tanto objetivos, do tipo: “estou vendo um trem partir com saudade”, como abstratos, do tipo “sou um rolo de fita enrolando no pé de alguém de forma sádica”. Para nossa surpresa, os movimentos ficaram muito mais interessantes, com ritmos múltiplos, gerando uma espontaneidade que “limpou” a cara de exercício citada anteriormente.

Esse crescimento se deu graças aos comentários dos convidados, que desencadearam novas possibilidades de pesquisa para cada cena. Mesmo sendo um trabalho tão curto, percebo que várias riquezas estão escondidas e podem ser encontradas com um pouco mais de tempo.

Nós, da Cia Plúmbea, aprovamos essa experiência de pré-estreia e esperamos ter mais oportunidades como essa. Escreverei sobre novas futuras descobertas, a partir das dicas dos nossos amigos atentos. E esperamos publicar esse bate-papo que ocorreu pós-apresentação em breve.

Até a próxima!

Ana Cecilia Reis e Paulo Barbeto, durante a pré-estreia. 
Foto: Marcos Melo




30 de junho de 2014

Inspirações...

De uma aula de Anatol Rosenfeld, em 1968:

"Os antigos gregos diziam que todo conhecimento começa quando nos escandalizamos (ou quando estranhamos algo). Se olharmos impertubavelmente um fato, sem analisá-lo ou sem nos debruçarmos sobre ele, nada saberemos a respeito, ou saberemos insuficientemente. Galileu descobriu a lei que governa a oscilação dos corpos quando estranhou o movimento de um pêndulo e resolveu estudá-lo."


23 de junho de 2014

Rayuela no 2º Festival de Esquetes da ETET Martins Pena

Com muita alegria informamos que o esquete Rayuela foi selecionado para participar do 2º Festival de Esquetes da ETET Martins Penna.  O festival ocorre de 21 a 25 de julho. Em breve daremos mais informações sobre a data e horário da nossa apresentação. Até lá!




16 de junho de 2014

Fotos de Rayuela - Unirio 2014

Estas são algumas fotos que foram tiradas no dia da apresentação de Rayuela na Unirio. Agradecemos à Marilia Misailidis , pois sem ela essas fotos não seriam possíveis. Agradecemos a presença de todos e o enriquecedor debate.  Até a próxima! 






  

Debate com convidados muito queridos : 


  Caju Bezerra, responsável pelo figurino e Raphael Vianna, responsável pela concepção de luz:


9 de junho de 2014

Estreamos! (por Ana Cecilia Reis)

Tivemos uma linda estreia do nosso trabalho na Unirio. Convidamos pessoas muito queridas para dialogar conosco. O local  escolhido não poderia ser melhor, pois a Cia Plúmbea nasceu de encontros dentro da Universidade, e o ator Paulo Barbeto foi convidado para participar do projeto após eu ter feito uma disciplina de Expressão Corporal com ele. Por isso, agradeço profundamente a generosidade de todos por acolher tão bem nosso trabalho, e compartilho mais um texto reflexivo sobre o processo e algumas fotinhas não-oficiais da apresentação. 

"Minhas ideias surgem de encontros. Pulsões que me fazem pensar em uma mesma frase ou em uma cena constantemente e, quando eu menos espero, já estou criando mentalmente exercícios ou pesquisando elementos para colocar essa ideia em prática. Ideia e prática - fundamentalmente aproximadas, em uma relação de amor e ódio: a ideia sempre querendo o impossível, e a prática se desculpando: “é o que dá pra fazer”. Mas mesmo com as brigas iniciais, começo aos poucos a gostar mais da prática, porque a ideia era só minha, estava dentro de mim, e a prática começa a colocá-la no mundo, não como eu imaginava, mas exatamente como eu nunca poderia imaginar, e por isso percebo que a prática pode ser maior do que a ideia, porque ela não parte somente de mim, mas do outro também, do material com que trabalho, da linguagem que fabrico para tentar me comunicar.

Conheci a literatura de Julio Cortazar aos 19 anos, li um livro de contos chamado As armas secretas e a impressão que levo dessas narrativas é a experiência sensorial das suas palavras. Não me lembro exatamente das histórias, e sim do jazz, do copo de whisky na mão de um personagem, de um músico tocando saxofone como se sua vida dependesse disso. Lembro-me de uma cor - azul que era a cor da capa do livro (ou não) e me lembro que a literatura daquele livro era azul. Um azul quente. O azul pode ser quente? Na literatura de Cortázar me parecia. Depois, me esqueci. Ou pensei que esqueci. Até me deparar, em uma banca de jornal, por cinco reais, dois volumes de um romance chamado "O Jogo da Amarelinha". O autor era Julio Cortázar. Um reencontro. Comprei e não li de imediato. Mudei de casa e de vida, e nessa mudança visualizei o livro novamente. Comecei a lê-lo e me deparei com um capitulo especifico, número 34. Neste capítulo, o personagem Horácio lê uma parte de um romance deixado na casa abandonada de Maga (sua ex-namorada). O autor entrelaça o livro que o personagem lê com comentários do personagem sobre o livro lido, através de uma sobreposição de frases, onde temos que pular linhas para perceber que existem dois discursos diferentes.

A maneira como o autor trabalha essa narrativa me encantou. Lembro-me do susto e da excitação que a descoberta me gerou. Imediatamente me veio à cabeça a ideia de trabalhar isso em cena, pesquisando exercícios de ação e reação com atores. Pensava em como transpor essa sensação de dois diálogos cruzados para o teatro. Decidi convidar um ator para colocar isso em prática. Colocar a ideia em prática.

Inicialmente, ao efetuar o convite, tive que utilizar a tática do convencimento. Provar para alguém que a ideia por qual eu me apaixonei tanto pode ser interessante para outros. Depois, era preciso, através exercícios, estimular a criação das cenas e estar sensível para os possíveis diamantes escondidos nas pedras. Onde um movimento é interessante, onde um exercício mal feito pode ter uma potência. Escutar a presença do outro, seu corpo, sua opinião. O ator convidado começa a ler o livro que até então não conhecia e uma nova vontade surge: um novo capítulo inserido. Ainda é a minha ideia? Ainda tenho controle sobre isso? O que importa? Gosto de como as coisas surgem, despreocupadamente. Essa coisa nova que vai caminhando sozinha... e às vezes minha função é somente guiá-la. 



Percebo durante os ensaios, que é necessário certo rigor para fazer com que os exercícios fluam de maneira correta. Entretanto, também é necessário soltar as rédeas e deixar que a proposta te leve para lugares não imaginados. Um ano depois do inicio do processo, já não sei mais o que faz parte de mim, do outro ou do destino. Uma mistura de ideias que geram algo do qual me orgulho e do qual tenho medo: Rayuela, um jogo cênico a partir da literatura de Cortázar. Tenho orgulho de ver uma ideia minha ir se transformando com forma e força. O medo é sempre da recepção da obra. Sempre imprevisível. Vão gostar? Serão atingidos? Ficarão entediadas? Tantas bobagens para quem estuda a arte e sabe que a criação de algo está muito além dessas questões. Mas como não pensar nisso, já que essa é uma entrega para o outro também? O que é meu, mas que também é pro outro, caso o contrário eu não compartilharia. E o que essa individualidade toda de criação tem para mostrar para o mundo? Seria muita pretensão pensar que um indivíduo pode conseguir atingir outros a partir de si? Até que ponto se pode planejar o acontecimento teatral? Quando ele de fato toma forma e acaba, se a cada dia ele se renova?"








2 de junho de 2014

Inspirações...

(...) em comparação com a escrita, um percurso na montanha vale por dez bibliotecas (...). 
Específico, particular e original, o corpo todo inventa; a cabeça adora repetir. A cabeça é ingênua, o corpo é genial. 
(...)
Ao lado da criança, convoquemos aqui os bailarinos e bailarinas, os atletas, os ginastas, os caçadores, os pescadores, os trabalhadores manuais de todas as profissões, os surdos e os mudos, os tímidos e os ignorantes, em resumo, a multidão de todos aqueles a quem a filosofia, depois de tomar a palavra, não permitiu mais que falassem. Essa primeira metamorfose transforma o corpo tanto quanto ele quer e pode: ele pode tantas coisas que o espírito se espanta com isso. 

Michel Serres