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16 de junho de 2014

Fotos de Rayuela - Unirio 2014

Estas são algumas fotos que foram tiradas no dia da apresentação de Rayuela na Unirio. Agradecemos à Marilia Misailidis , pois sem ela essas fotos não seriam possíveis. Agradecemos a presença de todos e o enriquecedor debate.  Até a próxima! 






  

Debate com convidados muito queridos : 


  Caju Bezerra, responsável pelo figurino e Raphael Vianna, responsável pela concepção de luz:


9 de junho de 2014

Estreamos! (por Ana Cecilia Reis)

Tivemos uma linda estreia do nosso trabalho na Unirio. Convidamos pessoas muito queridas para dialogar conosco. O local  escolhido não poderia ser melhor, pois a Cia Plúmbea nasceu de encontros dentro da Universidade, e o ator Paulo Barbeto foi convidado para participar do projeto após eu ter feito uma disciplina de Expressão Corporal com ele. Por isso, agradeço profundamente a generosidade de todos por acolher tão bem nosso trabalho, e compartilho mais um texto reflexivo sobre o processo e algumas fotinhas não-oficiais da apresentação. 

"Minhas ideias surgem de encontros. Pulsões que me fazem pensar em uma mesma frase ou em uma cena constantemente e, quando eu menos espero, já estou criando mentalmente exercícios ou pesquisando elementos para colocar essa ideia em prática. Ideia e prática - fundamentalmente aproximadas, em uma relação de amor e ódio: a ideia sempre querendo o impossível, e a prática se desculpando: “é o que dá pra fazer”. Mas mesmo com as brigas iniciais, começo aos poucos a gostar mais da prática, porque a ideia era só minha, estava dentro de mim, e a prática começa a colocá-la no mundo, não como eu imaginava, mas exatamente como eu nunca poderia imaginar, e por isso percebo que a prática pode ser maior do que a ideia, porque ela não parte somente de mim, mas do outro também, do material com que trabalho, da linguagem que fabrico para tentar me comunicar.

Conheci a literatura de Julio Cortazar aos 19 anos, li um livro de contos chamado As armas secretas e a impressão que levo dessas narrativas é a experiência sensorial das suas palavras. Não me lembro exatamente das histórias, e sim do jazz, do copo de whisky na mão de um personagem, de um músico tocando saxofone como se sua vida dependesse disso. Lembro-me de uma cor - azul que era a cor da capa do livro (ou não) e me lembro que a literatura daquele livro era azul. Um azul quente. O azul pode ser quente? Na literatura de Cortázar me parecia. Depois, me esqueci. Ou pensei que esqueci. Até me deparar, em uma banca de jornal, por cinco reais, dois volumes de um romance chamado "O Jogo da Amarelinha". O autor era Julio Cortázar. Um reencontro. Comprei e não li de imediato. Mudei de casa e de vida, e nessa mudança visualizei o livro novamente. Comecei a lê-lo e me deparei com um capitulo especifico, número 34. Neste capítulo, o personagem Horácio lê uma parte de um romance deixado na casa abandonada de Maga (sua ex-namorada). O autor entrelaça o livro que o personagem lê com comentários do personagem sobre o livro lido, através de uma sobreposição de frases, onde temos que pular linhas para perceber que existem dois discursos diferentes.

A maneira como o autor trabalha essa narrativa me encantou. Lembro-me do susto e da excitação que a descoberta me gerou. Imediatamente me veio à cabeça a ideia de trabalhar isso em cena, pesquisando exercícios de ação e reação com atores. Pensava em como transpor essa sensação de dois diálogos cruzados para o teatro. Decidi convidar um ator para colocar isso em prática. Colocar a ideia em prática.

Inicialmente, ao efetuar o convite, tive que utilizar a tática do convencimento. Provar para alguém que a ideia por qual eu me apaixonei tanto pode ser interessante para outros. Depois, era preciso, através exercícios, estimular a criação das cenas e estar sensível para os possíveis diamantes escondidos nas pedras. Onde um movimento é interessante, onde um exercício mal feito pode ter uma potência. Escutar a presença do outro, seu corpo, sua opinião. O ator convidado começa a ler o livro que até então não conhecia e uma nova vontade surge: um novo capítulo inserido. Ainda é a minha ideia? Ainda tenho controle sobre isso? O que importa? Gosto de como as coisas surgem, despreocupadamente. Essa coisa nova que vai caminhando sozinha... e às vezes minha função é somente guiá-la. 



Percebo durante os ensaios, que é necessário certo rigor para fazer com que os exercícios fluam de maneira correta. Entretanto, também é necessário soltar as rédeas e deixar que a proposta te leve para lugares não imaginados. Um ano depois do inicio do processo, já não sei mais o que faz parte de mim, do outro ou do destino. Uma mistura de ideias que geram algo do qual me orgulho e do qual tenho medo: Rayuela, um jogo cênico a partir da literatura de Cortázar. Tenho orgulho de ver uma ideia minha ir se transformando com forma e força. O medo é sempre da recepção da obra. Sempre imprevisível. Vão gostar? Serão atingidos? Ficarão entediadas? Tantas bobagens para quem estuda a arte e sabe que a criação de algo está muito além dessas questões. Mas como não pensar nisso, já que essa é uma entrega para o outro também? O que é meu, mas que também é pro outro, caso o contrário eu não compartilharia. E o que essa individualidade toda de criação tem para mostrar para o mundo? Seria muita pretensão pensar que um indivíduo pode conseguir atingir outros a partir de si? Até que ponto se pode planejar o acontecimento teatral? Quando ele de fato toma forma e acaba, se a cada dia ele se renova?"








2 de junho de 2014

Inspirações...

(...) em comparação com a escrita, um percurso na montanha vale por dez bibliotecas (...). 
Específico, particular e original, o corpo todo inventa; a cabeça adora repetir. A cabeça é ingênua, o corpo é genial. 
(...)
Ao lado da criança, convoquemos aqui os bailarinos e bailarinas, os atletas, os ginastas, os caçadores, os pescadores, os trabalhadores manuais de todas as profissões, os surdos e os mudos, os tímidos e os ignorantes, em resumo, a multidão de todos aqueles a quem a filosofia, depois de tomar a palavra, não permitiu mais que falassem. Essa primeira metamorfose transforma o corpo tanto quanto ele quer e pode: ele pode tantas coisas que o espírito se espanta com isso. 

Michel Serres 


26 de maio de 2014

Rayuela: Um novo trabalho nascendo (por Ana Cecilia Reis)

Estamos na reta final da montagem de Rayuela, e semana que vem faremos um ensaio aberto para convidados. Nosso principal desafio agora é conquistar a organicidade a partir de movimentos muito marcados. Temos consciência de que conquistamos interessantes formas visuais, de forma poética, mas precisamos preenchê-las de vida para que não seja um trabalho puramente imagético. Também precisamos equilibrar o trabalho de corpo com o texto, tarefa que não é fácil, devido a prioridade que damos ao treinamento físico e a complexidade do texto de Cortázar. Mas temos recebidos valiosos comentários durante o processo, e o ensaio aberto será mais um lugar de troca. Estamos trabalhando para enviar o esquete para diversos festivais! Abaixo algumas fotos do último ensaio, por Marcos Melo:





19 de maio de 2014

O ator pós-dramático (por Matteo Bonfitto)

No livro O pós-dramático organizado por Silvia Fernandes e J. Guinsburg, o ator, diretor e pesquisador Matteo Bonfitto escreve um artigo refletindo sobre o trabalho do ator pós-dramático, o qual compartilhamos agora com vocês:

 "(...) Podemos dizer, antes de mais nada, o que o ator pós-dramático não é: ele não se limita a ser um simples reprodutor de códigos e convenções teatrais; assim como ele não é um ilustrador de histórias, consideradas enquanto expressões de uma narrativa linear. A partir disso, podemos descrever algumas das competências que o ator pós-dramático deve, ou deveria possuir, idealmente: além das competências adquiridas pelo ator dramático, tais como dar vida a indivíduos ou tipos, e ser capaz, consequentemente, de construir diferentes corpos/vozes, diversas unidades psicológicas, o ator pós-dramático deve ser capaz de transitar entre diversas linguagens e qualidades expressivas, deve ser capaz de construir partituras a partir de materiais abstratos e subjetivos, deve ser capaz de produzir sentidos a partir, sobretudo da relação que estabelece com os materiais de atuação. Sendo assim, diferentes do herói romântico, do homem comum realista, e do agente revelador de contradições sociais do teatro épico brechtiano, o ator pós-dramático parece ser um catalisador de fissuras que envolvem uma gama incontável de processos, muitos dos quais ainda não elaborados teoricamente, que a princípio, não preveem nenhuma possibilidade de solução. Ele parece ser, antes de tudo, um catalisador de aporias.¹" 



1. Cena de A ópera dos três vinténs , de Bertolt Brecht e Kurt Weill, na leitura de Bob Wilson


¹ O conceito de aporia foi explorado por muitos filósofos desde a Antiguidade, tais como Zenão de Eléia, até os dias de hoje, (como na obra de Derrida). Apesar das muitas explicações que tal conceito comporta, ele remete à noção de paradoxo, a impasses sem solução, a caminhos que são inexpugnáveis. 

12 de maio de 2014

Rayuela - Processos: Concepção de Luz

Estamos em fase de finalização da esquete “Rayuela” e convidamos o diretor Raphael Vianna para nos ajudar com a concepção de luz. Após assistir a um ensaio, Raphael destacou a predominância de “corpos geométricos”, onde cada movimentação está ligada às falas dos personagens. Essa observação foi interessante, pois trabalhamos muito com exercícios de Meierhold e Rudolf Laban, que possuem estudos muito minuciosos dos elementos que compõem o movimento, e a presença desses elementos destacados na cena nos mostra que soubemos explorar essas características em nosso treinamento.

                Para dialogar com essa proposta estética do trabalho, Raphael criou uma concepção de iluminação simétrica em corredores de luz, destacando assim os diferentes ambientes onde se encontram os personagens e o jogo entre eles. Segue abaixo o desenho:





                Nossa próxima etapa é criar a projeção que também comporá a trajetória dos personagens. Estamos muito contentes com as parcerias que estão se estabelecendo para esse projeto. Em breve teremos mais notícias sobre o processo! Até a próxima.


5 de maio de 2014

Como foi participar do 72Horas Rio

Neste final de semana, a Cia Plúmbea participou do 72 horas Rio. O desafio consiste em fazer um filme na região portuária em 72 horas, contendo elementos criativos que só são comunicados pela produção no primeiro dia de trabalho. Esse ano os elementos criativos foram:

Frase: o caminho da vanguarda
Objeto: um rolo de linha

Com essas informações fizemos o filme “A tênue linha do progresso”. Estávamos com equipamento amador, mas nossa vontade era nos desafiar a produzir algo em tão pouco tempo, ver como conseguiríamos criar o roteiro, atuar, editar e finalizar. Foi muito bom  termos convidado o Alex Gonçalves, morador da região e amigo, e sua esposa Andrea Chiesorin que nos apresentaram os lugares de um jeito todo especial, destacando as belezas e as personalidades de cada local. Quem nos presenteou com o equipamento foi o técnico Alexandre Rabaço, no qual nunca poderemos deixar de agradecer. 

        Certamente estar naquela região com um olhar mais atento nos faz querer voltar muito mais vezes para apreciar tudo com mais calma. Também não poderíamos ficar imune às obras que acontecem no local, e como isso afeta a região e seus moradores.

             Foi tudo muito corrido, e ainda tínhamos que trabalhar em outras coisas durante o processo, então, certamente montamos o filme em menos de 72 horas. Sabemos que ele poderia ter ficado melhor, principalmente em relação ao áudio, pois não tínhamos equipamento adequado, mas esse foi nosso primeiro filme, com o equipamento que tínhamos disponível e em muito pouco tempo. O nosso outro curta-metragem“Resistir”, apesar de ter sido filmado em um só dia, parte de um roteiro cuidadosamente pré-elaborado, e está passando por uma edição bem mais minuciosa.

          O diretor, roteirista e editor Marcos Melo ficou algumas noites sem dormir para que conseguíssemos finalizar o desafio. O texto e as cenas foram preparados em conjunto com a atriz e diretora Ana Cecilia Reis, que também foi responsável pela pesquisa teórica.

              Nos sentimos vitoriosos em participar e conseguirmos finalizar. Participar desse projeto foi um crescimento muito importante para a Cia! Agradecemos ao 72 horas pela oportunidade!

E no dia 10 de maio, às 14h todos os filmes serão exibidos. Estamos curiosos para ver o que as outras equipes fizeram!

O endereço é: Ação de Cidadania, Av. Barão de Tefé, 75 - Saúde - Rio de Janeiro


Apareçam! 

A equipe: Marcos Melo, Ana Cecilia Reis e Alex Gonçalves

Marcos Melo em ação.