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9 de março de 2015

Persistir, ainda que. (por Ana Cecilia Reis)

Eu poderia escrever um texto enorme aqui, com diversas questões acerca do fazer teatral, suas políticas econômicas e ideológicas. Eu poderia falar dos processos de trabalho, ou de um grande gênio do pensamento teatral. Mas hoje eu preciso de um sopro, impulso, um calor. Eu poderia me perguntar de onde surge essa força e energia para persistir e insistir e insistir e insistir, e nunca seria capaz de encontrar a raiz dessa paranoia artística de nunca parar. Quantas dúvidas, quantas dificuldades, quantas alegrias, e revoltas ainda nos esperam? Quantas contestações, quantos olhares de compaixão, ou zombaria, ou admiração ao dizermos: eu trabalho com arte. Quanta prepotência, irão pensar, no meio do mundo funcional se propor a inutilizar. A brincar de construir e desconstruir pra construir algo novo e questionar o construído porque não se desiste nunca de. Porque a vida pode ser a brincadeira que você mais gosta de brincar. Por mais que doam todos os nãos do caminho. Eu continuo porque vocês também continuam porque me sinto muito só e porque não me sinto só quando eu continuo com vocês.


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