Eu poderia escrever
um texto enorme aqui, com diversas questões acerca do fazer teatral, suas
políticas econômicas e ideológicas. Eu poderia falar dos processos de trabalho,
ou de um grande gênio do pensamento teatral. Mas hoje eu preciso de um sopro,
impulso, um calor. Eu poderia me perguntar de onde surge essa força e energia
para persistir e insistir e insistir e insistir, e nunca seria capaz de
encontrar a raiz dessa paranoia artística de nunca parar. Quantas dúvidas,
quantas dificuldades, quantas alegrias, e revoltas ainda nos esperam? Quantas
contestações, quantos olhares de compaixão, ou zombaria, ou admiração ao
dizermos: eu trabalho com arte. Quanta prepotência, irão pensar, no meio do
mundo funcional se propor a inutilizar. A brincar de construir e desconstruir
pra construir algo novo e questionar o construído porque não se desiste nunca
de. Porque a vida pode ser a brincadeira que você mais gosta de brincar. Por
mais que doam todos os nãos do caminho. Eu continuo porque vocês também
continuam porque me sinto muito só e porque não me sinto só quando eu continuo
com vocês.
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