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18 de junho de 2024

Inspirações...





A dança de Merce Cunningham também é inspiradora. Com o passar dos anos, a fidelidade de Merce Cunningham ao princípio do trabalho nunca vacilou. A sua técnica de dança, por si, não é algo fixo. Trata-se de uma série contínua de descobertas daquilo que o corpo humano é capaz de fazer, quando se move no espaço e através dele. Algumas vezes ele se mostra como alguém que tem um apetite insaciável para a dança; outras vezes, parece ser o escravo da dança.


John Cage, no texto O futuro da música, 1974.

12 de junho de 2024

Estreia: Ausência



Lançaremos, nesta sexta-feira, dia 14 de junho, às 19h em nosso canal do Youtube, o curta-metragem Ausência

Sinopse: Uma mulher vive em seu apartamento por meio de conexões virtuais. Ela dedica os dias ao seu canal do YouTube, ao trabalho como editora de vídeo e debater as principais questões mundiais, sem sair das telas. Mas algo estranho interrompe bruscamente o seu cotidiano, alterando o que poderia ser um videogame de fases repetidas.
Escrito e dirigido por Raphael Janeiro
Com: Ana Cecilia Reis, Henrique Très e Raphael Janeiro
Dir. de Fotografia: Henrique Très e Monaliza de Souza
Edição: Henrique Très
O projeto foi contemplado no Edital de Produções Audiovisuais Pessoas Físicas (Chamada Pública 03/2023), realizado pela Prefeitura de Petrópolis, por meio do Instituto Municipal de Cultura, com recursos do Governo Federal através da Lei Complementar nº 195/2022 - Lei Paulo Gustavo.

17 de março de 2024

Estudos...



autorretrato de Artaud de 1947


Todo verdadeiro sentimento é na verdade intraduzível. Expressá-lo é traí-lo. Mas traduzi-lo é dissimulá-lo. A expressão verdadeira esconde o que ela manifesta. (...) Todo sentimento forte provoca em nós a ideia do vazio. E a linguagem clara que impede esse vazio impede também que a poesia apareça no pensamento. É por isso que uma imagem, uma alegoria, uma figura que mascare o que gostaria de revelar têm mais significação para o espírito do que as clarezas proporcionadas pelas análises da palavra. Assim, a verdadeira beleza nunca nos impressiona diretamente. E um pôr-do-sol é belo por tudo aquilo que nos faz perder.

Antonin Artaud em O Teatro e seu Duplo.

7 de fevereiro de 2024

Oficina de Voz e Movimento + A Arte de Enterrar seus Mortos


    Outra novidade sobre a agenda desse ano! Em agosto realizaremos uma oficina de voz e movimento e a apresentação do espetáculo "A Arte de Enterrar seus Mortos", em parceria com o Instituto Técnico do Brasil (ITB Petrópolis), gratuitamente.


    A "Arte de Enterrar seus Mortos" apresenta uma releitura do mito de Antígona, filha do rei Édipo, a última descendente de uma família amaldiçoada. A montagem é inspirada nas tradições de narrativas orais. A atriz Ana Cecilia Reis conta a história alternando entre as falas do Narrador, Guarda, Creonte e Antígona.

    O espetáculo estreou em 2011, e teve uma longa circulação, com apresentações em diversos estados do Brasil e em Portugal. Essa será uma atividade especial, onde Ana Cecilia Reis irá compartilhar com atores, atrizes e estudantes, as técnicas de atuação desenvolvidas com o diretor @ronaldoventurateatro para realizar essa montagem, e em seguida, apresentará o espetáculo, como uma forma de conclusão de circulação, depois de mais de 10 anos cumprindo apresentações.

    Esse projeto foi selecionado no Edital de Produções Culturais da Lei Paulo Gustavo 2023 do município de Petrópolis - RJ.

21 de janeiro de 2024

Ausência - Curta metragem selecionado - LPG 2023

 



Começamos o ano com boas notícias!

E a primeira delas é a seleção do curta-metragem "Ausência", para ser produzido através da Lei Paulo Gustavo do município de Petrópolis-RJ.

Além de atuação de Ana Cecilia Reis , o curta será dirigido e roteirizado por Raphael Janeiro e Henrique Très

Novidades em breve!


😉


7 de novembro de 2023

Estudos





    
    Um diretor, quando trabalha um ator (e não somente uma peça), deve sempre estar atento a um conjunto de elementos que lhe permitam detectar não só as dificuldades e facilidades do ator, mas sobretudo como este ator se relaciona com elas. Ele também deve estar atento a quando e como um ator consegue emanar uma certa qualidade de energia, de vibração; a qualidade de vida de uma determinada ação, em que momento e como este processo acontece.

    Para Stanislavski, a qualidade de ser “verdadeiro” e “sincero” era fundamental: “a habilidade de ser sincero em cena – isto é o talento” (…). Sua busca pode ser resumida em como representar mantendo uma qualidade de vida em cena, como, por processos específicos desta “técnica de corporificação” recuperar e manter essa qualidade de vida, essa organicidade. Por isso, para ele, a linha das ações físicas era da maior importância. A busca de Grotowski também residia neste preciso espaço entre a vida e o artifício: como, através de um fazer estruturado e fixo, reencontrar o fluxo da vida. O paradigma da arte de ator está precisamente entre esses dois polos. Perdê-lo de vista é como parar o sino da igreja: se não tocar, não vibrar, não chamar os fiéis, perde o sentido.


Luis Otávio Burnier, no livro A Arte de Ator: da técnica à representação.

17 de setembro de 2023

Estudos...

 


A arte do teatro não pode ser julgada pelo modo como o ator recria ou reproduz a vida cotidiana em cena, ainda que o faça da forma mais próxima possível. Um ator usa suas palavras e seus gestos para tentar convencer seu público sobre algo que é profundamente verdade: essa sim é a tentativa que deve ser julgada. Nestes termos, a maior parte dos atores japoneses, ainda que tenha os braços e as pernas curtas e grossas, seria capaz de interpretar os dramas ocidentais. Mas um ator, seja ele japonês ou ocidental, mesmo tendo braços e pernas compridas, pareceria ridículo se não fosse capaz de projetar sobre o público um senso de verdade profunda. Neste caso, a nacionalidade do ator não teria importância. Desde que o teatro moderno teve início no Japão, o uso artístico dos pés deixou de ser desenvolvido: isso é triste, porque o realismo teatral poderia inspirar uma infinidade de estilos de caminhada. Mas a partir do momento em que se aceita, de comum acordo, que o realismo é um modo de descrever genericamente a realidade, a arte de caminhar foi mais ou menos reduzida a formas simples do movimento naturalista. Mas, na cena, cada movimento é uma ficção definida. Porque no realismo você tem mais possibilidades de movimento do que no teatro Nô ou Kabuki. Essas várias possibilidades de caminhar poderiam existir de modo artístico. Então eu acho que o teatro moderno é muito chato de ver, porque ele não tem pés.

Tadashi Suzuki