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7 de novembro de 2023

Estudos





    
    Um diretor, quando trabalha um ator (e não somente uma peça), deve sempre estar atento a um conjunto de elementos que lhe permitam detectar não só as dificuldades e facilidades do ator, mas sobretudo como este ator se relaciona com elas. Ele também deve estar atento a quando e como um ator consegue emanar uma certa qualidade de energia, de vibração; a qualidade de vida de uma determinada ação, em que momento e como este processo acontece.

    Para Stanislavski, a qualidade de ser “verdadeiro” e “sincero” era fundamental: “a habilidade de ser sincero em cena – isto é o talento” (…). Sua busca pode ser resumida em como representar mantendo uma qualidade de vida em cena, como, por processos específicos desta “técnica de corporificação” recuperar e manter essa qualidade de vida, essa organicidade. Por isso, para ele, a linha das ações físicas era da maior importância. A busca de Grotowski também residia neste preciso espaço entre a vida e o artifício: como, através de um fazer estruturado e fixo, reencontrar o fluxo da vida. O paradigma da arte de ator está precisamente entre esses dois polos. Perdê-lo de vista é como parar o sino da igreja: se não tocar, não vibrar, não chamar os fiéis, perde o sentido.


Luis Otávio Burnier, no livro A Arte de Ator: da técnica à representação.

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