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10 de setembro de 2019

"Diário do Último Ato" na Mostra de Petrópolis

É com muita alegria que informamos que estamos de volta com o espetáculo Diário do Último Ato à convite da comissão organizadora da Mostra de Petrópolis.

Única apresentação!


17 de agosto de 2019

Diário de construção de um ato (por Ana Cecilia Reis)

Ao me deparar com imagens de mulheres ao longo da história, sempre dedico alguns minutos para contemplar seus olhares. Diferente das nossas “selfies” cotidianas, os retratos antigos são momentos raros e preparados para um registro histórico. Ainda que essas mulheres possam estar distantes de como se pareceriam no dia a dia, existe algo em seus olhares que grita e extrapola a convenção formal da fotografia, e enchem a imagem de personalidade, fazendo com que a gente não consiga se desviar do magnetismo e imaginar conhecer profundamente a alma daquela que está diante de nós apenas como simulacro.
Quando fiz o ensaio fotográfico do espetáculo “Diário do último ato”, mais do que tentar mimetizar o olhar de Florbela, quis sentir aquela melancolia e profundo vazio. Diferente de um olhar (apenas) niilista, existia também uma fúria e paixão em estar viva, em querer transbordar tudo, mesclado a uma profunda insatisfação de não ser compreendida, e consequentemente, a solidão de quem se sente inadequada à própria existência. Posso dizer que a conheço através dos seus textos, mas talvez tivesse sentido isso ao olhar somente para a sua imagem.
Esse trabalho se diferencia de outros que fiz porque transpor a pessoa de Florbela para o palco não passou unicamente por exercícios técnicos, trabalho de texto, voz, corpo e respiração. Transpor Florbela para o palco foi um exercício de autoconhecimento, foi olhar para minhas próprias desilusões, vazios e ímpetos, contemplar seu olhar e pensar: eu sei como você se sente, e eu compartilho dessa dor com você. E eu, que me julgo tão racional, me vi muitas vezes chorando apenas ao ler o texto, ou a fazer um ensaio frio para entender o espaço, porque sempre que as palavras de Florbela se encontravam com minha voz, era como se ela estivesse falando para todas aquelas pessoas que se sentem sufocadas pela normalidade dos dias que atravessam “sem novos gestos nem palavras novas


11 de junho de 2019

Crítica na Tribuna de Petrópolis: Diário do último ato

Na semana após a estreia de "Diário do último ato" recebemos uma nota crítica muito carinhosa sobre o espetáculo na Tribuna de Petrópolis, escrita pelo ator e escritor Joaquim Eloy dos Santos. Publicamos aqui hoje, um tanto atrasada, como forma de compartilhar essas belas palavras, e como incentivo para as circulações que estão por vir!


19 de março de 2019

Já temos data de estreia do novo trabalho!

Florbela Espanca foi uma poeta. Portuguesa. Singular. E suicida. Deixou para trás alguns livros inacabados, alguns amores destruídos, e um diário enigmático de seu último ano de vida. O espetáculo Diário do Último Ato não busca defini-la, pois essa é uma tarefa que nem ela foi capaz de cumprir, mas antes de tudo, revelá-la, em um encontro íntimo, tendo o público como sua testemunha.


10 de janeiro de 2019

Processos: Diário do último ato

Um pouco sobre nossos processos de criação para o espetáculo "Diário do último ato", concepções de figurino e arte visual:
A caracterização da atriz é inspirada na própria indumentária de Florbela Espanca, entretanto, a escolha da cor branca pressupõe uma pureza e leveza que não são encontradas na maioria de suas fotos, onde vemos roupas de tons mais escuros. Essa candura de sua imagem no espetáculo sugere também o momento de redenção de suas últimas horas, onde ela lentamente sucumbe aos efeitos dos remédios ingeridos.
A arte gráfica, assim como as fotos também buscará trazer esse ar bucólico e em ruínas, inspirada nesse anseio insaciável da poetisa pelo infinito, pelo que ela ainda não conhecia. Sendo assim, trabalhamos com os contrastes de sensações e sentimentos com a beleza e elegância de sua imagem que escondia feridas profundas, e uma eterna inadequação.




Figurino; Patricia Almeida
Foto: Rodrigo Menezes
Atriz: Ana Cecilia Reis 

24 de novembro de 2018

Inspirações...

“O principal instrumento do Maeterlinck é a palavra. A palavra é um eco interno que surge em parte, ou talvez totalmente, do objeto a que se refere. Quando apenas ouvimos a palavra e o objeto em si não surge, a imagem abstrata do objeto desmaterializado vem à mente e produz rapidamente um terremoto no coração. (...) A percepção poética, o uso apropriado de uma determinada palavra e sua repetição interna várias vezes consecutivas, desenvolvem um eco interno e podem estimular outros atributos desconhecidos da palavra. Em suma, a repetição insistente da mesma palavra - antes, um jogo favorito da juventude e agora esquecido - produz a perda de significado. É possível, inclusive, esquecer todo o sentido do objeto referido e tropeçar no puro som da palavra. Inconscientemente, esse som puro também pode ser ouvido em uníssono com o objeto concreto ou com o objeto abstrato. Se este último caso ocorrer, o som puro está em primeiro lugar e influencia diretamente a mente; causa um terremoto sem um objeto concreto, que é mais completo, mais transcendente que a vibração da alma causada pelo soar de um sino, o som de uma corda ou uma madeira caindo. Nesta linha, grandes expectativas se abrem para a literatura do futuro”.

Vassily Kandinsky sobre a literatura de Maurice Maeterlinck