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7 de abril de 2019
19 de março de 2019
Já temos data de estreia do novo trabalho!
Florbela Espanca foi uma poeta. Portuguesa. Singular. E suicida. Deixou para trás alguns livros inacabados, alguns amores destruídos, e um diário enigmático de seu último ano de vida. O espetáculo Diário do Último Ato não busca defini-la, pois essa é uma tarefa que nem ela foi capaz de cumprir, mas antes de tudo, revelá-la, em um encontro íntimo, tendo o público como sua testemunha.
10 de janeiro de 2019
Processos: Diário do último ato
Um pouco sobre nossos processos de criação para o espetáculo "Diário do último ato", concepções de figurino e arte visual:
A caracterização da atriz é inspirada na própria indumentária de Florbela Espanca, entretanto, a escolha da cor branca pressupõe uma pureza e leveza que não são encontradas na maioria de suas fotos, onde vemos roupas de tons mais escuros. Essa candura de sua imagem no espetáculo sugere também o momento de redenção de suas últimas horas, onde ela lentamente sucumbe aos efeitos dos remédios ingeridos.
A arte gráfica, assim como as fotos também buscará trazer esse ar bucólico e em ruínas, inspirada nesse anseio insaciável da poetisa pelo infinito, pelo que ela ainda não conhecia. Sendo assim, trabalhamos com os contrastes de sensações e sentimentos com a beleza e elegância de sua imagem que escondia feridas profundas, e uma eterna inadequação.
Figurino; Patricia Almeida
Foto: Rodrigo Menezes
Atriz: Ana Cecilia Reis
Foto: Rodrigo Menezes
Atriz: Ana Cecilia Reis
24 de novembro de 2018
Inspirações...
“O principal instrumento do Maeterlinck é a palavra. A palavra é um eco interno que surge em parte, ou talvez totalmente, do objeto a que se refere. Quando apenas ouvimos a palavra e o objeto em si não surge, a imagem abstrata do objeto desmaterializado vem à mente e produz rapidamente um terremoto no coração. (...) A percepção poética, o uso apropriado de uma determinada palavra e sua repetição interna várias vezes consecutivas, desenvolvem um eco interno e podem estimular outros atributos desconhecidos da palavra. Em suma, a repetição insistente da mesma palavra - antes, um jogo favorito da juventude e agora esquecido - produz a perda de significado. É possível, inclusive, esquecer todo o sentido do objeto referido e tropeçar no puro som da palavra. Inconscientemente, esse som puro também pode ser ouvido em uníssono com o objeto concreto ou com o objeto abstrato. Se este último caso ocorrer, o som puro está em primeiro lugar e influencia diretamente a mente; causa um terremoto sem um objeto concreto, que é mais completo, mais transcendente que a vibração da alma causada pelo soar de um sino, o som de uma corda ou uma madeira caindo. Nesta linha, grandes expectativas se abrem para a literatura do futuro”.
Vassily Kandinsky sobre a literatura de Maurice Maeterlinck
6 de outubro de 2018
Quando a Cia Plúmbea foi fundada, em 2013, escolhemos esse nome, partindo da palavra plúmbeo, elemento químico do chumbo. Queríamos ressignificar o imaginário acerca dessa palavra, que estava associada a dias cinzentos, e ao período da ditadura, o chamado “anos de chumbo”. Pensamos no chumbo como elemento maleável, mas estável, capaz de criar muitas coisas sem perder sua essência. E pensamos nessa sonoridade da palavra "Plúmbea", que nos remete a algo fluído e leve, mas que em seu significado nos lembra a ter sempre os pés no chão, ao peso de nossas escolhas, ao ferreiro que funde o aço e constrói suas armas para a batalha.
Nesse período atual, é com pesar que nos deparamos com o assombro da possibilidade de novamente conectar nossos próximos anos a - se não a própria ditadura, a um certo representante e seu eleitorado saudosista dessa época tão sombria para a população artística, negra, LGBTQ e para qualquer pessoa capaz de pensar por si mesma e questionar autoritarismos.
Por isso, nos posicionamos publicamente, com consciência do que não queremos, como artistas, pensadores, apoiadores da diversidade de pensamento, da arte, da democracia, do respeito às diferenças.
19 de agosto de 2018
Rayuela no SPA 2018
Dia 03 de setembro, a partir das 14h, estaremos participando do SPA - Seminário de Pesquisas em Andamento- USP com uma demonstração de trabalho sobre o espetáculo Rayuela.
O espetáculo estudou as potencialidades cênicas contidas no livro "O Jogo da Amarelinha "de Julio Cortázar. Foram analisados em alguns capítulos-chave as tensões presentes no texto que poderiam ser transpostas para o corpo dos atores, criando imagens cênicas. Os exercícios foram inspirados em Vsevolod Meierhold e Rudolf Laban, pesquisando dança, ritmo, movimento e musicalidade na composição da cena, partindo de uma leitura apurada do livro e de textos teóricos sobre encenação, texto, imagem e palavra.
23 de julho de 2018
Estudos...
"Gesto é mais que discurso. Não é o que dizemos que convence, mas a maneira de dizê-lo. A fala é menor do que gesto porque corresponde aos fenômenos da mente. O gesto é o agente do coração, o agente persuasivo. Aquilo que exige profundidade é proferido por um simples gesto. Cem páginas não dizem o que um simples movimento pode expressar, porque esse simples movimento expressa todo o nosso ser. O gesto é o agente direto da alma, cuja linguagem é analítica e sucessiva. A principal qualidade da mente é calcular. A mente especula e avalia, enquanto o gesto apreende tudo pela intuição e sentimento, bem como pela contemplação".
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