"Gesto é mais que discurso. Não é o que dizemos que convence, mas a maneira de dizê-lo. A fala é menor do que gesto porque corresponde aos fenômenos da mente. O gesto é o agente do coração, o agente persuasivo. Aquilo que exige profundidade é proferido por um simples gesto. Cem páginas não dizem o que um simples movimento pode expressar, porque esse simples movimento expressa todo o nosso ser. O gesto é o agente direto da alma, cuja linguagem é analítica e sucessiva. A principal qualidade da mente é calcular. A mente especula e avalia, enquanto o gesto apreende tudo pela intuição e sentimento, bem como pela contemplação".
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23 de julho de 2018
12 de julho de 2018
Novos projetos: um pouco mais sobre Florbela Espanca
"Alheio aos movimentos modernistas de sua época, o poema "Fanatismo" de Florbela Espanca remonta ao simbólico e ao romântico, como o reflexo de uma época que deixa de existir, após a Primeira Guerra Mundial e Pós-Revolução Russa. A musicalidade na composição dos versos e rimas é tamanha que permitiu ao cantor brasileiro Fagner transpô-lo sob a forma de música.
Pleno de rimas ricas. A genialidade da poeta também está impressa no ritmo de seus versos, cuja maioria é feminino, grave e em primeira pessoa. Assim como ela o era, assim como ela queria ser reconhecida, e assim como é apresentada o eu-lírico: mulher apaixonada que declara seu amor e que expõe com furor seus sentimentos.
Por meio de metáforas e hipérboles, ela busca a representação da força de seu amor, que tomou conta de sua vida. Sua confiança na durabilidade e na permanência de seus sentimentos é tão grande que ela chega a desdenhar daqueles que tentam alertá-la sobre a fugacidade das coisas. O título do poema já remete à definição de um sentimento anormal, sendo tão desmedido e irracional que assume ares de devoção religiosa no momento em que compara o ser amado a Deus, ou ainda, ao Deus de sua vida, a qual define seu começo e seu fim.
É dela a melhor definição de quem foi e ainda existe: “O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudades… sei lá de quê!”
Sendo assim, é fundamental que se conheça Florbela, para além de sua obra, e a melhor forma de se realizar isso é através da proximidade vital do teatro, em conjunto com novas formas de comunicação, ampliando o contato entre gerações, e possibilitando novas experiências estéticas".
5 de julho de 2018
Inspirações...
"O conhecimento muda porque os acessos aos seus objetos e os próprios objetos também se alteram. A cada nova descrição, descrevo um novo objeto. Os objetos não repousam no mundo, estáticos e inalterados, aguardando nossos deciframentos. Imersos na mesma calda de semiose da vida, coisas e sujeitos, ou objetos, signos e interpretantes, vivem em sutil translação, apegados ao capricho do movimento.
27 de junho de 2018
Novos Projetos: Florbela Espanca
O novo projeto da Cia Plúmbea, é uma
parceria da atriz Ana Cecilia Reis com o diretor e dramaturgo Ronaldo Ventura,
sobre a poetisa portuguesa Florbela Espanca.
Para Florbela Espanca “viver” era “sentir-se viva” a cada instante, e
quando isso não foi mais possível, colocou um ponto final em sua própria vida.
Mas, justamente por sua obra ser imortal, o presente projeto visa criar um espetáculo
teatral sobre suas palavras e existência em um tom de diário íntimo, buscando “exprimir verdades secretas”; um espetáculo onde suor, músculos, e
sons exteriorizarão “um fundo de
crueldade latente pelo qual se localizam num indivíduo (...) todas as maldosas
possibilidades da alma”.
Esse projeto foi vencedor da Bolsa Jovens Criadores 2018, do Centro
Nacional de Cultura de Portugal.
Em breve mais novidades!
18 de junho de 2018
Inspirações...
"A arte é uma queixa. O que o homem introduz na arte é a desarmonia que ele encontra em sua vida: síncopes, recuos, sobreposições, dúvidas (dúvidas na valsa). O que ele introduz na sua vida é a harmonia que ele encontra na arte: ritmo, equilíbrio (valsa na dúvida)". Étienne Decroux
Imagem: Paul Cézanne, Seven Bathers, 1900.
14 de junho de 2018
Anotações pessoais para tempos difíceis (por Ana Cecilia Reis)
apenas faça. continue fazendo. avalie os caminhos. calcule as possibilidades. você tem força e coragem. enfrente. domine a ansiedade. batalhe. entenda seu tempo. se perdoe. tente outra vez. seja honesta. dê seu melhor. você conhece o caminho. o tempo não é seu inimigo. foque no seu trabalho. entenda o que dói. entenda o que adoece. entenda que passa. todo movimento exige esforço. para tudo que nasce: o parto, a dor. não pense sobre “onde você está”. não reclame sobre “onde você está”. não se compare. não queira prêmios. não espere reconhecimentos. domine seu ego. faça porque você gosta. faça com prazer. faça com dignidade. isso basta.
31 de maio de 2018
Estudos...
"O principal interesse da arte viva reside nessa capacidade de produzir instantes longamente preparados e, no entanto, arriscados, uma vez que, se a qualidade do aqui e agora depende em grande parte da preparação, ela existe também na aptidão dos atores para refazer como se fosse a primeira vez, com a mesma inocência, o mesmo prazer e o mesmo frescor. Um grande instante de teatro existe na falsa redescoberta, em público, dos gestos, das emoções e dos movimentos preparados que jorram com força suficiente para que a cumplicidade e a adesão aconteçam. Eu afirmo falsa redescoberta com prudência, pois os esforços dos atores e dos encenadores, que influem precisamente sobre a qualidade do jogo, são direcionados para que se trate quase de uma verdadeira redescoberta".
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