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12 de julho de 2018

Novos projetos: um pouco mais sobre Florbela Espanca

"Alheio aos movimentos modernistas de sua época, o poema "Fanatismo" de Florbela Espanca remonta ao simbólico e ao romântico, como o reflexo de uma época que deixa de existir, após a Primeira Guerra Mundial e Pós-Revolução Russa. A musicalidade na composição dos versos e rimas é tamanha que permitiu ao cantor brasileiro Fagner transpô-lo sob a forma de música.
Pleno de rimas ricas. A genialidade da poeta também está impressa no ritmo de seus versos, cuja maioria é feminino, grave e em primeira pessoa. Assim como ela o era, assim como ela queria ser reconhecida, e assim como é apresentada o eu-lírico: mulher apaixonada que declara seu amor e que expõe com furor seus sentimentos.
Por meio de metáforas e hipérboles, ela busca a representação da força de seu amor, que tomou conta de sua vida. Sua confiança na durabilidade e na permanência de seus sentimentos é tão grande que ela chega a desdenhar daqueles que tentam alertá-la sobre a fugacidade das coisas. O título do poema já remete à definição de um sentimento anormal, sendo tão desmedido e irracional que assume ares de devoção religiosa no momento em que compara o ser amado a Deus, ou ainda, ao Deus de sua vida, a qual define seu começo e seu fim.
É dela a melhor definição de quem foi e ainda existe: “O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudades… sei lá de quê!”
Sendo assim, é fundamental que se conheça Florbela, para além de sua obra, e a melhor forma de se realizar isso é através da proximidade vital do teatro, em conjunto com novas formas de comunicação, ampliando o contato entre gerações, e possibilitando novas experiências estéticas".


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