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20 de fevereiro de 2017

Diário de trabalho: Processos (por Ana Cecilia Reis)

Assim como o trabalho de um físico é buscar a menor partícula de uma substância, meu interesse no teatro também é obter a palavra essencial, o movimento limite, o menor estímulo para suscitar uma imagem. Essa busca é sempre cheia de dúvidas e de efêmeras certezas. Saber quando calar, qual o tempo certo de uma pausa, uma respiração. Não ceder ao impulso da ansiedade, entender o tempo de cada exercício, sem interrompê-lo ou esgarçá-lo...
Assim como o trabalho de um físico, atuar e dirigir requer processos laboratoriais e as substâncias encontradas (ainda virgens e não nominadas) podem se perder a qualquer momento, muitas vezes sendo impossível fotografá-las ou guardá-las em um pote.
Estamos sempre trabalhando em um labirinto quântico onde o espasmo de um ator é respondido por outro de olhos fechados no outro lado da sala, onde a imagem mais potente pode desaparecer em segundos e só retornar meses depois, quando já estava esquecida.
Assim como o trabalho de um físico, dirigir e atuar sempre será cheio de surpresas e tocando esferas impalpáveis, e quando achamos que temos todas as respostas, um vento nos distrai e muda todas as perguntas.


14 de fevereiro de 2017

Inspirações....

"Algo ocupa lugar no tempo, uma voz aponta para o antes e para o que vem depois: silêncio. O silêncio, então, é tanto uma precondição do discurso como o resultado ou objetivo do discurso corretamente dirigido ou direcionado. A partir desse modelo, a atividade do artista passa a ser a criação ou o estabelecimento do silêncio; o trabalho de arte eficaz deixa o silêncio ao acontecer. O silêncio, administrado pelo artista, é parte de um programa de terapia perceptual e cultural, em geral baseado num modelo de terapia de choque e não na persuasão. Mesmo que o meio do artista seja palavras, ele pode contribuir nessa tarefa: a linguagem pode ser empregada para questionar a linguagem, para expressar a mudez".
Susan Sontag (A estética do silêncio)


7 de fevereiro de 2017

Inspirações para a montagem de "Terrabatida" (II)

O artigo A Guerra de Canudos na Poesia Popular (Documentário Folclórico) de José Calasans foi mais um objeto de pesquisa para a composição sonora do espetáculo Terrabatida: Reminiscência de Canudos. No link abaixo você pode ter acesso ao material sobre as criações poéticas populares do período:

22 de janeiro de 2017

Inspirações...

"O mais desafiador e antiintuitivo de todos os conceitos na teoria da relatividade geral é a ideia de que o tempo faz parte do espaço. Nosso instinto tende a considerar o tempo eterno, absoluto, imutável - nada pode perturbar seu tique-taque constante. Na verdade, de acordo com Einsten, o tempo é variável e está sempre mudando. Possui até uma forma. Ele está associado - "inextricavelmente interligado", na expressão de Stephen Hawking - às três dimensões do espaço numa dimensão curiosa denominada espaço-tempo."

Einstein on the Beach, espetáculo de Bob Wilson.

14 de janeiro de 2017

Inspirações para a montagem de "Terrabatida"

Voltando às postagens sobre inspirações para nosso último espetáculo, "Terrabatida: Reminiscência de Canudos":
O documentário "Sobreviventes - Filhos da Guerra de Canudos" nos serviu de inspiração para a nossa trilha sonora, trabalhamos a partir de recortes e sobreposições de alguns relatos e canções. Vale a pena conhecer esse lindo trabalho com direção de Paulo Fontenelli.




7 de janeiro de 2017

As obras de arte têm ressonância em todo o social. Elas são máquinas de produção de sentido e de significados. Elas funcionam proliferando o real, ultrapassando sua naturalização. São produtoras de uma dada sensibilidade e instauradoras de uma dada forma de ver e dizer a realidade. São máquinas históricas do saber.

Durval Muniz de Albuquerque Jr. em A Invenção do Nordeste.

"Homem com violão" de Georges Braque, (1911, 1912).

26 de dezembro de 2016

FELIZ ANO NOVO!

O ano termina e começa outra vez!

Esse ano a Cia Plúmbea tem muito a agradecer:

Estreamos o espetáculo que tanto batalhamos e pesquisamos para colocarmos em cena: Terrabatida: Reminiscência de Canudos. Com ele conseguimos pauta no Teatro Glauce Rocha através Edital Cena Aberta em maio e ganhamos dois prêmios no Festival Nacional de Barbacena (melhor direção e melhor ator).

Resgatamos um trabalho de 2011, A Arte de Enterrar seus Mortos, e fomos para Brasília, através do Edital dos Correios, além de participarmos do Festival Fluminense de Monólogos em Queimados - RJ.

Apresentamos o esquete Rayuela no Festival Regional de Macaé, e compartilhamos experiências sobre esse processo na Unirio, como conclusão de uma matéria do ator Paulo Barbeto.
As trocas esse ano foram ricas e interestaduais!

Não podemos nos esquecer das pessoas que fizeram tudo isso possível, desde toda a equipe de criação que nos acompanha, até os produtores de cada espaço e festival que temos a oportunidade de ir, e claro, o público que sempre nos recebe generosamente, ávidos por novas experiências.

A alegria maior é saber que 2017 mal começou e já temos projetos no forno! Em abril estaremos em Marechal Hermes ministrando oficinas e apresentando o solo “A Arte de Enterrar seus Mortos” no Teatro Armando Gonzaga.

Quer saber mais? Entra em contato com a gente!

Um beijo grande e até o ano que vem!!