Assim como o trabalho de um físico é buscar a menor partícula de uma substância, meu interesse no teatro também é obter a palavra essencial, o movimento limite, o menor estímulo para suscitar uma imagem. Essa busca é sempre cheia de dúvidas e de efêmeras certezas. Saber quando calar, qual o tempo certo de uma pausa, uma respiração. Não ceder ao impulso da ansiedade, entender o tempo de cada exercício, sem interrompê-lo ou esgarçá-lo...
Assim como o trabalho de um físico, atuar e dirigir requer processos laboratoriais e as substâncias encontradas (ainda virgens e não nominadas) podem se perder a qualquer momento, muitas vezes sendo impossível fotografá-las ou guardá-las em um pote.
Estamos sempre trabalhando em um labirinto quântico onde o espasmo de um ator é respondido por outro de olhos fechados no outro lado da sala, onde a imagem mais potente pode desaparecer em segundos e só retornar meses depois, quando já estava esquecida.
Assim como o trabalho de um físico, dirigir e atuar sempre será cheio de surpresas e tocando esferas impalpáveis, e quando achamos que temos todas as respostas, um vento nos distrai e muda todas as perguntas.

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