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25 de abril de 2016

Terrabatida: Participações especiais

O espetáculo Terrabatida: Reminiscência de Canudos, que estará em cartaz em maio no Teatro Glauce Rocha, conta com a parceria da diva Blackyva na composição de um funk sobre Antônio Conselheiro.  Para saber mais sobre o trabalho dessa artista, leia a matéria abaixo:

http://oglobo.globo.com/cultura/musica/blackyva-une-shakespeare-beyonce-em-funks-sobre-violencia-19095981



18 de abril de 2016

Terrabatida: Teaser da Temporada no Glauce Rocha / 2016

A memória é que nem doença de pele: coça e arde.

Não nos esqueceremos dos tempos sombrios que estamos enfrentando na política. Assim como não nos esquecemos das injustiças sociais ao longo da história.

A arte resiste, transgride e revoluciona. Terrabatida: Reminiscência de Canudos é nossa energia transformada em criação. Nos vemos em maio, no Teatro Glauce Rocha (RJ)!




12 de abril de 2016

Inspirações...

"Eu trabalho não para fazer um discurso, mas para aumentar a ilha de liberdade que sustento; minha obrigação não é fazer declarações políticas, e sim fazer buracos na parede. As coisas que eram proibidas antes de mim devem ser permitidas depois de mim; as portas que estavam fechadas e trancafiadas devem ser abertas." 

Jerzy Grotowski


4 de abril de 2016

A flor da pele: relato de criação teatral (2ª parte) - por Ana Cecilia Reis

Começando a criar uma dramaturgia

Esse texto é uma continuação, clique aqui  para ler a 1ª parte.

Inspirada pelo trabalho de Luis Otávio Burnier no LUME, referente à mimese de fotos e quadros, para criar cenas para o espetáculo Terrabatida comecei a estabelecer um jogo de improvisação ligado à “vibração” da imagem estática.  Ou seja, após permanecer por um tempo em uma determinada posição, qual seria o próximo movimento dessa xilogravura? Pensando em como essa imagem estimulava nossa energia, começamos a pensar em posições de desequilíbrio, como forma de investigar outro corpo autoral, partindo do estímulo da mimese da xilogravura. Nós improvisávamos o próximo movimento seguinte da imagem, com a regra dela ser em desequilíbrio, criando assim, cenas em "flashes". 

 Apesar de cada atriz fazer seu próprio improviso, por estarmos no mesmo “enquadramento”, era possível estabelecer leituras de nossas reações. Essas leituras das imagens eram colocadas em contato com nossos estímulos literários, e começamos a conectar algumas ações do improviso com personagens e situações presentes nos textos sobre o massacre de Canudos. Em paralelo a isso, começamos a pesquisar estímulos vocais, trabalhando diariamente com as caixas de ressonância vibratórias, inspiradas em Grotowski, e também com mimeses de vocalizações de animais, como por exemplo, bezerros, gatos, patos, corujas, cobras. Explorávamos essa sonoridade como forma de estimularmos vozes que saíssem do cotidiano e fossem mais expressivas, mais impactantes, assim como as imagens. Ficamos admiradas ao percebermos que essas sonoridades de animais poderiam ser levadas para uma maneira de falar o texto, explorando a musicalidade e também textura de uma fala. Voltando o exercício para o trabalho, percebemos que certas sonoridades de animais remetiam às senhoras que acompanham as procissões, cantando ladainhas, com vozes que não necessariamente eram afinadas, mas muito potentes e vibrantes. A partir de algumas sonoridades estabelecidas, começamos a improvisar uma melodia para cantar algumas ladainhas, e percebemos que apesar de sermos duas, a vibração vocal dava a impressão de canto em coro.

A partir do treinamento de seis meses, que além da mimese das xilogravuras e vocais incluía exercícios de bastão, caminhada em câmera lenta, partes do corpo em evidência, exercícios de oposição, enraizamento e leveza, equilíbrio, entre outros, começamos a direcionar o material para composição e também a utilizar alguns textos para estimular novos exercícios, passando então para a fase criativa. Todo o treinamento foi filmado, e a partir da plasticidade de alguns, fomos percebendo características que poderiam ser aproveitadas para a cena, como por exemplo: durante os exercícios de improvisação, percebi a tendência da atriz a se direcionar sempre para o chão, com um peso mais denso, enquanto eu tinha a tendência de improvisar mais com o movimento dos braços, de forma mais leve. A partir dessa observação, tive a ideia de criar uma cena onde haveria um boi e uma árvore, o estereótipo ao se pensar no sertão nordestino: a carcaça do boi e a árvore seca, tão faladas no capítulo “A Terra” do livro de Euclides. Mas a nossa ideia não era sublinhar o imaginário coletivo, mas sim desconstruí-lo. E foi nesse momento em que a a leitura de mais um livro nos foi fundamental: “A Invenção do Nordeste”, do professor Durval Muniz de Albuquerque Júnior. Mais uma porta de criação (e complicação) se abria: nós, como cariocas (no meu caso fluminense), falando sobre uma guerra do século XIX que aconteceu na Bahia. 

Qual era nosso lugar de fala? Como não cair no lugar comum dos estereótipos nordestinos? Como falar do que estamos distantes?

Essas questões (e outras mais sobre encontros e desencontros durante o processo) ficam para o próximo relato.


28 de março de 2016

Inspirações...

"Precisamos do teatro?
Esta é a questão que é colocada por milhares de profissionais de teatro um tanto desapontados, e que milhões de pessoas que estão cansadas dessa arte perguntam a si mesmas.
Para que precisamos dele?
Em anos como esses em que a cena teatral parece tão insignificante quando comparada com as praças das cidades e com os territórios dos estados, os lugares onde as autênticas tragédias da vida real estão se desenrolando.
O que é o teatro para nós?
Galerias e balcões banhadas a ouro nas salas de teatro, poltronas de veludo, as sujas laterais dos palcos, as muito bem polidas vozes dos atores — ou algo que pode parecer, aparentemente, bem diferente: uma caixa preta, manchada de lama e sangue, com um monte de corpos nus e raivosos lá dentro.
O que é que o teatro é capaz de dizer?
Tudo!
O teatro pode nos dizer tudo.
Como os deuses habitam no céu, e como os prisioneiros definham em esquecidas cavernas subterrâneas, e como a paixão pode nos elevar, e como o amor pode ruir, e como ninguém necessita de uma pessoa de bem neste mundo, e como a decepção reina, e como as pessoas vivem em apartamentos enquanto as crianças murcham e definham em campos de refugiados, e como todos eles têm de voltar para o deserto, e como dia após dia somos todos forçados a nos separar daqueles que amamos. O teatro pode nos contar tudo.
O teatro sempre esteve aqui e permanecerá para sempre.
E agora, nestes últimos cinquenta ou setenta anos, ele é particularmente necessário.
Porque se você der uma olhada para todas as artes públicas, podemos ver imediatamente aquilo que só o teatro é capaz de nos dar: uma palavra de boca a boca, um olhar de olhos nos olhos, um gesto de mão para mão, e de corpo para corpo.
O teatro não precisa de nenhum intermediário para poder exercer a sua ação entre os seres humanos — ele constitui o lado mais transparente da luz, não pertencendo nem ao sul, nem ao norte, nem ao leste ou ao oeste —, ah não, ele é a essência da luz em si mesma, brilhando de todos os quatro cantos do mundo, imediatamente reconhecível por qualquer pessoa, seja hostil ou amistosa em relação a ele.
E precisamos de um teatro que permaneça sempre diferente; precisamos de teatro dos mais diferentes tipos.
Ainda penso que entre todas as formas e moldes possíveis de teatro, as suas formas mais arcaicas serão aquelas que se provarão mais necessárias, de maior demanda. O teatro de formas rituais não deve ser artificialmente oposto ao das designadas nações “civilizadas”. A cultura secular está agora cada vez mais emasculada, e nela a chamada "informação cultural" gradualmente substitui e expulsa de si as entidades portadoras de singularidade, assim como a nossa esperança de um dia poder vir a conhecê-las.
Mas uma coisa eu posso ver agora claramente: O teatro está abrindo as suas portas de modo amplo. Entrada gratuita para todos sem exceção.
Para o inferno com gadgets e computadores — simplesmente venham ao teatro; ocupem filas inteiras nas bancadas e nas galerias, ouçam a palavra e contemplem as imagens vivas! É o teatro que está à sua frente, não o negligenciem nem desperdicem a oportunidade de participar nele — talvez seja a oportunidade mais preciosa que podemos partilhar nas nossas vidas vãs e apressadas.
Precisamos de todo e cada tipo de teatro.
Há apenas um teatro de que ninguém por certo sentirá falta — refiro-me ao teatro dos jogos políticos, o teatro das armadilhas políticas, o teatro dos políticos, o teatro fútil da política.
Do que nós certamente não necessitamos é de um teatro de terror diário — seja ele individual ou coletivo —, o que não precisamos mesmo é do teatro de cadáveres e de sangue nas ruas e nas praças, nas capitais ou nas províncias, um teatro falseado de confrontos entre religiões ou grupos étnicos…"
Anatoli Vassiliev


21 de março de 2016

Inspirações...

"Uma palavra vem sempre rodeada de emoções não-definidas,
 de tecidos esfiapados de afetos, de esboços, de movimentos corporais, de vibrações mudas de espaço. 

Forma-se uma atmosfera não-verbal que rodeia toda a linguagem."

José Gil 



Imagem: Caderno de Antonin Artaud

14 de março de 2016

Teaser de Terrabatida

Vejam o teaser do espetáculo Terrabatida: Reminiscência de Canudos editado pelo Pedro Martins e conheçam um pouquinho do espetáculo. Estamos aquecendo os motores para nossa temporada!