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29 de abril de 2013

A arte de ator - de acordo com Luis Otávio Burnier*

Essa semana resolvemos postar um trecho do livro "A arte de ator: da técnica à representação", de Luis Otávio Burnier, pois ele é uma grande referência para nossos estudos e reflexões sobre nossa arte. Segue abaixo:

"Fatores históricos de ordem diversa foram os responsáveis pela estruturação da arte do ator ocidental tendo por base elementos altamente subjetivos, como, por exemplo, sua "identificação psíquica e emotiva" com o personagem. É evidente que a importância da técnica é conhecida, pois é emprestada de várias fontes pelo artista: da dança (moderna, clássica, sapateado etc.), do canto, de lutas marciais, da esgrima, das técnicas circenses de acrobacia, da mímica e da pantomima. Entretanto, ele, artista de palco, é desprovido de técnica própria. Esta realidade torna-se ainda mais transparente se compararmos o teatro ocidental com o oriental.

Muitas pessoas associam o fazer teatral do Oriente à sua cultura. Esse é um fato não só inegável como inevitável. Mas, independentemente dos valores estéticos e culturais, constatamos que o teatro oriental vem indissoluvelmente acompanhado de técnicas corpóreas precisas e codificadas de atuação, que levam o ator a um conhecimento e domínio primoroso de seu instrumento de trabalho e, por meio deste, de sua arte (entenda-se por "arte" as faculdades criadora e operativa do homem). Para exemplificar, podemos citar o teatro , o kabuqui, o kyogen, a ópera de Pequim, o kathakali, entre tantos outros.

O curioso  é que essas manifestações teatrais possuem em comum apenas o fato de suas técnicas de atuação serem codificadas e sistematizadas em conjuntos coesos de regras. No Oriente, é difícil definir se o caminho utilizado para  a criação é a técnica ou se é a própria criação que se "corporifica" e "toma forma" por meio dos elementos técnicos.

Trabalhar a arte de ator significou, para nós, constatar a fragilidade com que vêm sendo trabalhados pelos atores os pólos extremos da criação e da técnica. De um lado, no que tange ao método ou aos elementos técnicos, notamos a completa ausência de técnicas corpóreas e vocais de representação codificadas e estruturadas e, de outro, no que tange à criação ou à vida, sentimos a incapacidade de se entrar em contato com o real potencial de energia do ator. Ao acentuar e explorar, de modo que reforce esses pólos, é que poderemos, na prática, realizar um estudo objetivo que nos permita vislumbrar a arte de ator."


BURNIER, Luís Otávio. "A arte de ator: da técnica à representação" Campinas: Editora da Unicamp, 2009. p.20.




* Clique aqui para conhecer mais sobre Luis Otávio Burnier.

11 de março de 2013

Sobre origens: a escolha de um nome (por Marcos Melo)



As línguas humanas são pobres. Carecem de recursos para descrever precisamente as coisas mais importantes do mundo; carecem tanto que desde seu surgimento a maioria é carregada dessas belas aberrações lógicas que são as figuras de linguagem. Sem elas, nada do mundo das ideias se faria entender bem. A beleza da poesia é quase sempre proporcional ao seu potencial anárquico: catar no mundo o corriqueiro e atribuir-lhe nova conotação por associá-lo a uma abstração. A descrição precisa não basta: definir-se como emotivo é vago, mas dizer-se possuir um coração que é um balde derramado garante uma misteriosa inteligibilidade cúmplice.

O chumbo é um metal pesado altamente tóxico usado desde sempre pelo homem. O clichê linguístico o consagrou como sinônimo de peso existencial, político-social e climático. A nossa companhia de teatro quer lembrar outras características desse metal ignoradas pelo mundo das figuras de linguagem e metaforizar a sua própria maneira de ser no mundo. A maleabilidade, a resistência à corrosão, a blindagem contra a radiação. A habilidade de formar ligas com praticamente qualquer outro metal. A ductilidade – capacidade de um material se deformar sem se fraturar – única. A versatilidade. Ser plúmbeo.

Na escolha de seu nome, a Cia. Plúmbea demonstra o compromisso de uma busca por acrescentar mais camadas de significação e interpretação a fenômenos já conhecidos e sedimentados pelo uso. 


3 de março de 2013

Sejam bem-vindos!


Olá! Esse é um novo blog, para uma nova Cia. de teatro que está surgindo. Em breve atualizaremos com notícias, postagens sobre processos de trabalho, depoimentos de integrantes, agenda, e muito mais! Estamos muito felizes com a sua presença! Fiquem à vontade para conhecer nosso trabalho e opinar! A Cia. Plúmbea agradece!

Até breve!