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11 de março de 2013

Sobre origens: a escolha de um nome (por Marcos Melo)



As línguas humanas são pobres. Carecem de recursos para descrever precisamente as coisas mais importantes do mundo; carecem tanto que desde seu surgimento a maioria é carregada dessas belas aberrações lógicas que são as figuras de linguagem. Sem elas, nada do mundo das ideias se faria entender bem. A beleza da poesia é quase sempre proporcional ao seu potencial anárquico: catar no mundo o corriqueiro e atribuir-lhe nova conotação por associá-lo a uma abstração. A descrição precisa não basta: definir-se como emotivo é vago, mas dizer-se possuir um coração que é um balde derramado garante uma misteriosa inteligibilidade cúmplice.

O chumbo é um metal pesado altamente tóxico usado desde sempre pelo homem. O clichê linguístico o consagrou como sinônimo de peso existencial, político-social e climático. A nossa companhia de teatro quer lembrar outras características desse metal ignoradas pelo mundo das figuras de linguagem e metaforizar a sua própria maneira de ser no mundo. A maleabilidade, a resistência à corrosão, a blindagem contra a radiação. A habilidade de formar ligas com praticamente qualquer outro metal. A ductilidade – capacidade de um material se deformar sem se fraturar – única. A versatilidade. Ser plúmbeo.

Na escolha de seu nome, a Cia. Plúmbea demonstra o compromisso de uma busca por acrescentar mais camadas de significação e interpretação a fenômenos já conhecidos e sedimentados pelo uso. 


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