As línguas humanas são pobres. Carecem de recursos para descrever
precisamente as coisas mais importantes do mundo; carecem tanto que desde seu
surgimento a maioria é carregada dessas belas aberrações lógicas que são as
figuras de linguagem. Sem elas, nada do mundo das ideias se faria entender bem.
A beleza da poesia é quase sempre proporcional ao seu potencial anárquico:
catar no mundo o corriqueiro e atribuir-lhe nova conotação por associá-lo a uma
abstração. A descrição precisa não basta: definir-se como emotivo é vago, mas
dizer-se possuir um coração que é um balde derramado garante uma misteriosa inteligibilidade
cúmplice.
O chumbo é um metal pesado altamente tóxico usado desde sempre pelo
homem. O clichê linguístico o consagrou como sinônimo de peso existencial, político-social
e climático. A nossa companhia de teatro quer lembrar outras características
desse metal ignoradas pelo mundo das figuras de linguagem e metaforizar a sua
própria maneira de ser no mundo. A maleabilidade, a resistência à corrosão, a
blindagem contra a radiação. A habilidade de formar ligas com praticamente
qualquer outro metal. A ductilidade – capacidade de um material se deformar sem
se fraturar – única. A versatilidade. Ser plúmbeo.
Na escolha de seu nome, a Cia.
Plúmbea demonstra o compromisso de uma busca por acrescentar mais camadas de significação
e interpretação a fenômenos já conhecidos e sedimentados pelo uso.

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