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7 de fevereiro de 2024

Oficina de Voz e Movimento + A Arte de Enterrar seus Mortos


    Outra novidade sobre a agenda desse ano! Em agosto realizaremos uma oficina de voz e movimento e a apresentação do espetáculo "A Arte de Enterrar seus Mortos", em parceria com o Instituto Técnico do Brasil (ITB Petrópolis), gratuitamente.


    A "Arte de Enterrar seus Mortos" apresenta uma releitura do mito de Antígona, filha do rei Édipo, a última descendente de uma família amaldiçoada. A montagem é inspirada nas tradições de narrativas orais. A atriz Ana Cecilia Reis conta a história alternando entre as falas do Narrador, Guarda, Creonte e Antígona.

    O espetáculo estreou em 2011, e teve uma longa circulação, com apresentações em diversos estados do Brasil e em Portugal. Essa será uma atividade especial, onde Ana Cecilia Reis irá compartilhar com atores, atrizes e estudantes, as técnicas de atuação desenvolvidas com o diretor @ronaldoventurateatro para realizar essa montagem, e em seguida, apresentará o espetáculo, como uma forma de conclusão de circulação, depois de mais de 10 anos cumprindo apresentações.

    Esse projeto foi selecionado no Edital de Produções Culturais da Lei Paulo Gustavo 2023 do município de Petrópolis - RJ.

21 de janeiro de 2024

Ausência - Curta metragem selecionado - LPG 2023

 



Começamos o ano com boas notícias!

E a primeira delas é a seleção do curta-metragem "Ausência", para ser produzido através da Lei Paulo Gustavo do município de Petrópolis-RJ.

Além de atuação de Ana Cecilia Reis , o curta será dirigido e roteirizado por Raphael Janeiro e Henrique Très

Novidades em breve!


😉


7 de novembro de 2023

Estudos





    
    Um diretor, quando trabalha um ator (e não somente uma peça), deve sempre estar atento a um conjunto de elementos que lhe permitam detectar não só as dificuldades e facilidades do ator, mas sobretudo como este ator se relaciona com elas. Ele também deve estar atento a quando e como um ator consegue emanar uma certa qualidade de energia, de vibração; a qualidade de vida de uma determinada ação, em que momento e como este processo acontece.

    Para Stanislavski, a qualidade de ser “verdadeiro” e “sincero” era fundamental: “a habilidade de ser sincero em cena – isto é o talento” (…). Sua busca pode ser resumida em como representar mantendo uma qualidade de vida em cena, como, por processos específicos desta “técnica de corporificação” recuperar e manter essa qualidade de vida, essa organicidade. Por isso, para ele, a linha das ações físicas era da maior importância. A busca de Grotowski também residia neste preciso espaço entre a vida e o artifício: como, através de um fazer estruturado e fixo, reencontrar o fluxo da vida. O paradigma da arte de ator está precisamente entre esses dois polos. Perdê-lo de vista é como parar o sino da igreja: se não tocar, não vibrar, não chamar os fiéis, perde o sentido.


Luis Otávio Burnier, no livro A Arte de Ator: da técnica à representação.

17 de setembro de 2023

Estudos...

 


A arte do teatro não pode ser julgada pelo modo como o ator recria ou reproduz a vida cotidiana em cena, ainda que o faça da forma mais próxima possível. Um ator usa suas palavras e seus gestos para tentar convencer seu público sobre algo que é profundamente verdade: essa sim é a tentativa que deve ser julgada. Nestes termos, a maior parte dos atores japoneses, ainda que tenha os braços e as pernas curtas e grossas, seria capaz de interpretar os dramas ocidentais. Mas um ator, seja ele japonês ou ocidental, mesmo tendo braços e pernas compridas, pareceria ridículo se não fosse capaz de projetar sobre o público um senso de verdade profunda. Neste caso, a nacionalidade do ator não teria importância. Desde que o teatro moderno teve início no Japão, o uso artístico dos pés deixou de ser desenvolvido: isso é triste, porque o realismo teatral poderia inspirar uma infinidade de estilos de caminhada. Mas a partir do momento em que se aceita, de comum acordo, que o realismo é um modo de descrever genericamente a realidade, a arte de caminhar foi mais ou menos reduzida a formas simples do movimento naturalista. Mas, na cena, cada movimento é uma ficção definida. Porque no realismo você tem mais possibilidades de movimento do que no teatro Nô ou Kabuki. Essas várias possibilidades de caminhar poderiam existir de modo artístico. Então eu acho que o teatro moderno é muito chato de ver, porque ele não tem pés.

Tadashi Suzuki

 

 

 

15 de agosto de 2023

Lea Garcia



 Ser atriz é minha vida, é mais do que prazer. É vital. E minha força de trabalho não se limita somente a representar, pois tenho de estar constantemente envolvida com a cultura. Assim me sinto viva. Adoro dirigir teatro, fazer adaptações de contos para cinema, especialmente de contos de autores negros para que nós, negros, tenhamos maior visibilidade, possamos contar a nossa história sem estereótipos, pois somente através da visão do negro teremos um panorama real do que é ser negro numa sociedade onde o racismo é tão presente. E só poderemos compreender de fato e realmente nossa história quando ela for contada por nós, os negros.

Obrigada por tanto, Lea!

14 de abril de 2023

Inspirações...

O público é rei. Quando ele volta para casa é ele quem vai decidir se valeu ou não a pena pagar para vir aqui. Ele deve poder dizer a si mesmo: “Vocês me alimentaram, me deram forças, vocês fazem com que eu volte para a cidade um pouco melhor, um pouco mais consciente, um pouco mais generoso, um pouco mais forte”. E também, a emoção dos espectadores, a maneira como eles vêm nos confiar o que sentiram... Eles renovam nossas forças. Eles nos nutrem em todos os sentidos do termo, materialmente em primeiro lugar. O fato de as pessoas pegarem o ônibus, o metrô, gastarem 135 francos, virem até aqui, em vez de ficar em casa na frente da televisão é um fenômeno extremamente importante. Por seu testemunho e seu reconhecimento, elas nos justificam, elas nos elegem novamente, quero dizer: elas exprimem seu acordo para que nós as representemos de novo.

Ariane Mnouchkine 

16 de março de 2023

Estudos

 


Nosso teatro é uma casa dividida.

Há dois grupos distintos presentes:
Os que estão no palco e os que estão na plateia,
Os que são pagos para ser vistos e os que pagam para vê-los,
Os que estão preparados para atuar e os que vieram para surpreender-se com a atuação,
Os que falam e os que se espera que permaneçam calados,
Os que ficam na luz e os que ficam no escuro.
Isso é um microcosmo evidente do sistema de classes e de toda nossa estrutura social. O sistema de classe que queremos extinguir.
Judith Malina, trecho retirado do livro Notas sobre Piscator: teatro político e arte inclusiva.