Confira em: www.mostrateatropetropolis.com.br
Agradecemos aos jurados (as) e à toda produção por promover esse grande encontro de trabalhos de muita qualidade da cidade de Petrópolis! Parabéns à todos (as)!
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Estamos participando da Mostra de Teatro de Petrópolis 2021!
“Camarim Cultural” é uma extensão do programa televisivo, Camarim, criado e apresentado por Marco Aurêh para a TV Petrópolis. O programa que ficou 4 anos no ar retorna com uma nova série de entrevistas. Num cenário conceitual que remonta um camarim, foram realizadas entrevistas remotas com músicos, atores, poetas, escritores, artistas plásticos e agentes da cena cultural do estado do Rio de Janeiro. Durante 60 minutos, numa conversa descontraída, cada entrevistado conta sobre sua trajetória artista além de apresentar performances das suas obras. Camarim, “onde o artista se revela”, slogan que resume muito bem o programa que se transformou num banco de dados referente à carreira de cada entrevistado.
"Sabe, eu dou esse exemplo muitas vezes, do jogo de curling sobre o gelo, esse jogo americano, onde você joga pedras que vão deslizando em cima do gelo até chegar ao alvo, e tem um outro jogador que vai varrendo na frente da pedra para diminuir o atrito dela com o gelo. Eu acho que é o diretor. Acho que é isso o que o diretor faz, tenta tirar o máximo possível de obstáculos, tira os móveis e as mobílias inúteis, tira, sobretudo, as ideias inúteis, todo o intelectualismo inútil para que (...) justamente para que (...) para que o ator lendário, a lenda, a poesia, a transformação, possam acontecer mesmo em uma cena que pareça super realista, mas que sabemos, tem uma metamorfose. Bom, agora eu vou começar a dizer coisas que eu penso, mas que sou eu que penso. Para mim, não existe teatro sem um mínimo de metamorfose. E para que essa metamorfose aconteça, eu penso que é preciso um diretor na frente varrendo, para a imaginação dos atores, porque no final das contas, são eles que fazem teatro. Eu posso provocar teatro. Eu espero provocar teatro, mas aqueles que fazem teatro, essa matéria capaz de parar a luz, são os atores. Portanto, é preciso liberar o terreno diante deles, ou então, para alguns, colocar obstáculos enormes para eles se fortaleçam, malhem. É preciso malhar essa imaginação que às vezes lhes falta, porque eles pensam demais, pensam onde não deveriam estar pensando. Que eles reflitam depois, na pausa para o café, ou fumando um cigarro (que não deviam fumar), isso é uma coisa, mas em cena eles têm que viver. Eles têm que viver. Quando vivemos, o pensamento está no corpo, não está em outro lugar."
"Na forma em que trabalho e faço as peças, sempre surge alguma diferença. É isso: minha maneira de trabalhar faz com que as coisas saiam diferentes sempre. É como se fosse toda vez uma peça diferente e ao mesmo tempo a mesma, única. É difícil dizer como ou onde qualquer coisa mudou, porque é tudo muito orgânico. As mudanças ocorrem sem que seja necessário acordar com uma ideia. Tudo pode mudar de repente. Quando faço uma nova criação, ela surge, não importa como. O importante, para mim, é a vida, tudo o que encontro. Gosto de ir a novos lugares, ter novas experiências, ver peças de teatro, mas isso não é necessariamente ajuda, porque são coisas já feitas, já aconteceram e eu tenho que fazer minhas próprias coisas."
"Começamos pelo silêncio, pois a palavra ignora, na maioria das vezes, as raízes de onde saiu, e é desejável que, desde o princípio, os alunos se coloquem no âmbito da ingenuidade, da inocência e da curiosidade. Em todas as relações humanas, aparecem duas grandes zonas silenciosas: antes e depois da palavra. Antes, ainda que não falamos, encontramo-nos num estado de pudor, que permite à palavras nascer do silêncio, a ser mais forte, portanto, evitando o discurso, o explicativo. O trabalho sobre a natureza humana, nessas situações silenciosas, permite encontrar os momentos em que a palavra ainda não existe. O outro silêncio é o do depois, quando não há mais nada a dizer. Este nos interessa menos!"