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29 de abril de 2017

Em época de trevas, nos apegamos às pequenas frestas de luz....

Hoje encerramos o nosso projeto de ocupação no Teatro Armado Gonzaga com a apresentação de "A arte de enterrar seus mortos". Ministramos uma oficina e apresentamos duas peças.
Sabemos que não são tempos fáceis. O descaso público, os cortes de orçamento, o desinteresse da população por qualquer coisa que não seja rasa, a crise financeira, a violência, o produtivismo cego... são obstáculos diários.
Existe um sentimento de desesperança e desânimo que tem nos rondado e muitas vezes a vontade é desistirmos porque não sabemos se nosso corpo é capaz de aguentar caminhar assim, no contra-senso.
Então é necessário nos agarrarmos nos mínimos detalhes, nas pequenas riquezas que nos mostram que estamos no caminho certo.
Não venho aqui fazer uma ode ao otimismo cego. Estamos exaustos, tiveram dias que voltamos para casa sem apresentarmos por falta de público, tristes. Tiveram dias que voltamos raivosos por discordarmos das políticas públicas do próprio espaço.
Mas hoje, ao final da nossa apresentação, tivemos um belo retorno de uma família do local que levou sua neta de 10 anos para assistir sua primeira peça adulta. Ela gostou e narrou para a avó a trajetória de Antígona. É uma família que tem muito amor pelo teatro da região e que inclusive já se apresentaram lá. Obrigada Maria Inês Carvalho Gouvêa.
Além disso, a oficina que ministramos seguiu firme e forte com participantes dedicados e atentos. E encontramos um parceiro querido que ficou conosco e acompanhou nossa luta:obrigada Igor Benhuy.
Agradecemos aos funcionários que estavam lá todos os dias, mesmo sem receber salário há 03 meses, que abriram as portas todos os dias quando seria mais fácil mantê-las fechadas.
Ainda estamos em uma deriva sentimental, às vezes nos sentindo tão pequenos, engrandecendo assim, o mínimo. Mas enquanto houver uma única pessoa que esteja disposta a "ecoar no ingênuo", saberemos que vale a pena prosseguir.
E seguimos.




6 de abril de 2017

Projeto Solos em Cena: Vagas Esgotadas!

Informamos que as vagas para a Oficina de Monólogos do Projeto Solos em Cenas foram preenchidas!
Caso queiram ficar na lista de espera, enviem um e-mail para ciaplumbea@gmail.com
Mas não fiquem tristes! O projeto continua com as apresentações dos solos:
Francisco, um santo sem órgãos (de 21 a 23 de abril)
A Arte de Enterrar seus Mortos (de 28 a 30 de abril)

Sempre às 19h, no Teatro Armando Gonzaga, em Marechal Hermes - RJ


27 de março de 2017

Projeto Solos em Cena: conheça os ministrantes

Últimas vagas para a oficina gratuita de monólogos que ocorrerá no Teatro Armando Gonzaga (Marechal Hermes - RJ), sextas, sábados e domingos de 21 a 30 de abril.
Conheça um pouco sobre os ministrantes Ana Cecilia Reis e Rodrigo Carvalho e se inscreva no e-mail: ciaplumbea@gmail.com

7 de março de 2017

Projeto Solos em Cena em Marechal Hermes-RJ

Estão abertas as inscrições para a oficina de monólogos do Projeto Solos em Cena, que acontecerá de 21 a 30 de abril no Teatro Armando Gonzaga em Marechal Hermes - RJ. A oficina será ministrada por Ana Cecilia Reis da Cia Plúmbea e Rodrigo Carvalho da Cia Teatro Vivo
A oficina gratuita de criação de monólogos visa gerar ferramentas para atores e não-atores começarem a se expressar de forma autônoma em cena. A oficina tem duração de 18 horas divididas em seis dias, e abrangerá exercícios que aprimoram corpo, voz e criação dramatúrgica para trabalhos solos e também conceitos que permeiam a ideia de ator-criador. Os interessados em se inscrever deverão enviar um e-mail para: ciaplumbea@gmail.com até o dia 10 de abril, somente candidatos acima de 16 anos.
Para mais informações e inscrições, mande um e-mail para ciaplumbea@gmail.com. A atividade é gratuita e as vagas são limitadas.
Além da oficina, a programação inclui a apresentação dos espetáculos solos: "Francisco, um santo sem órgãos" e "A Arte de Enterrar seus Mortos".


20 de fevereiro de 2017

Diário de trabalho: Processos (por Ana Cecilia Reis)

Assim como o trabalho de um físico é buscar a menor partícula de uma substância, meu interesse no teatro também é obter a palavra essencial, o movimento limite, o menor estímulo para suscitar uma imagem. Essa busca é sempre cheia de dúvidas e de efêmeras certezas. Saber quando calar, qual o tempo certo de uma pausa, uma respiração. Não ceder ao impulso da ansiedade, entender o tempo de cada exercício, sem interrompê-lo ou esgarçá-lo...
Assim como o trabalho de um físico, atuar e dirigir requer processos laboratoriais e as substâncias encontradas (ainda virgens e não nominadas) podem se perder a qualquer momento, muitas vezes sendo impossível fotografá-las ou guardá-las em um pote.
Estamos sempre trabalhando em um labirinto quântico onde o espasmo de um ator é respondido por outro de olhos fechados no outro lado da sala, onde a imagem mais potente pode desaparecer em segundos e só retornar meses depois, quando já estava esquecida.
Assim como o trabalho de um físico, dirigir e atuar sempre será cheio de surpresas e tocando esferas impalpáveis, e quando achamos que temos todas as respostas, um vento nos distrai e muda todas as perguntas.


14 de fevereiro de 2017

Inspirações....

"Algo ocupa lugar no tempo, uma voz aponta para o antes e para o que vem depois: silêncio. O silêncio, então, é tanto uma precondição do discurso como o resultado ou objetivo do discurso corretamente dirigido ou direcionado. A partir desse modelo, a atividade do artista passa a ser a criação ou o estabelecimento do silêncio; o trabalho de arte eficaz deixa o silêncio ao acontecer. O silêncio, administrado pelo artista, é parte de um programa de terapia perceptual e cultural, em geral baseado num modelo de terapia de choque e não na persuasão. Mesmo que o meio do artista seja palavras, ele pode contribuir nessa tarefa: a linguagem pode ser empregada para questionar a linguagem, para expressar a mudez".
Susan Sontag (A estética do silêncio)


7 de fevereiro de 2017

Inspirações para a montagem de "Terrabatida" (II)

O artigo A Guerra de Canudos na Poesia Popular (Documentário Folclórico) de José Calasans foi mais um objeto de pesquisa para a composição sonora do espetáculo Terrabatida: Reminiscência de Canudos. No link abaixo você pode ter acesso ao material sobre as criações poéticas populares do período: