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17 de novembro de 2025

Djanira

 Pesquisando estímulos para novos trabalhos como diretora...

Volto ao que atravessa a pesquisa da Plúmbea Teatro: a relação entre outras linguagens artísticas e as Cênicas, dessa vez o encontro entre imagem e composição do corpo na cena.
A obra de Djanira me encontra como um ponto de atenção. Seu olhar ao território, aos pequenos rituais, presença feminina, às mãos que trabalham e às cenas que quase passam despercebidas, mas que possuem uma beleza profunda, religiosidades e uma história de relevância para diferentes subjetividades... assim como nossas memórias de infância, que nos atravessam rapidamente, mas que marcam nossos passos nos tantos caminhos...
Há algo nessa colheita silenciosa que começa a tomar forma, um encontro entre infância, imagem e o que marca, sempre entrelaçando e misturando tristezas e alegrias. Em breve, compartilho mais.








11 de outubro de 2025

Peça-Coração

 






(Heiner Müller foi um dos dramaturgos e encenadores mais importantes do século XX, conhecido por uma escrita densa, fragmentada e profundamente política. Nascido na Alemanha em 1929, viveu intensamente as contradições do pós-guerra e da divisão do país, o que marcou toda a sua obra. Herdeiro crítico de Brecht, a dramaturgia de Müller foge dos padrões relativos a uma prática cristalizada, abrindo possibilidades de fazeres teatrais que reverberam nos estudos pós-dramáticos.)

Tradução: Marcus Renaux


4 de agosto de 2025

Inspirações...

"Meu teatro dá a mesma importância para o áudio, o texto, as coisas que ouvimos e vemos. O problema que sempre achamos no teatro e que eu tenho…é que não conseguimos na realidade ouvir algo, porque somos visualmente distraídos. E não podemos realmente ver algo, porque somos distraídos pelo som. Então, feche os olhos. Falando em geral, se nós fechamos os olhos, nós ouvimos melhor, porque estamos concentrados no som, não estamos distraídos pelas pessoas, por alguém segurando a câmera, fazendo esse pequeno movimento. Então, se eu quero ver algo melhor, por exemplo, se eu estou vendo televisão, eu desligo o som. Eu começo a ver as notícias, coisas que eles estão fazendo que normalmente eu não olharia ou não pensaria, quando estou ouvindo as notícias. O desafio como um realizador de teatro é: posso criar algo no palco que me ajude a ouvir melhor quando eu ligo o som? Ou algo que me ajude a ver melhor? Ou posso criar algo que, o que eu diga, me ajude a ouvir melhor? É uma construção. Uma construção consciente."


Robert Wilson

1941 - 2025

19 de julho de 2025

A pele costura o tempo na Mostra de Teatro de Petrópolis

Notícia boa! Estaremos de volta aos palcos em Agosto com o espetáculo "A pele costura o tempo", na Mostra de Teatro de Petrópolis, um desdobramento da cena curta "Mulheres de Barro e Tempestade".

A programação está linda!

Dramaturgia: Ronaldo Ventura
Direção e atuação : Ana Cecilia Reis
Figurino e adereços: Dafne Souza
Iluminação: Carlos Geléia
Grupo: Plúmbea Teatro

Apresentação: 13 de agosto de 2025 - 19h30 - Quarta-feira
Centro de Cultura Raul de Leoni

Sinopse: Entre memórias, ancestralidades e ciclos femininos, uma mulher costura com palavras e gestos as muitas formas de ser e sentir. Guiada pela força das Yabás - Oxum, Ewa, Iansã, Obá, Iemanjá e Nanã - ela atravessa paisagens internas feitas de infância, vínculos e heranças de mulheres. O espetáculo é um rito poético de reconexão com a natureza e a liberdade.







10 de junho de 2025

Imagens da apresentação de "Mulheres de Barro e Tempestade" no Fetepe - Festa Teatro Petrópolis















“O que em mim sente está pensando

O que em mim pensa está sentindo

Sou uma pedra que se move.

Quando falo e escuto e vejo

É só de dentro da minha gravidade.

Que subo ao cume das coisas

O mundo não é real nem irreal

É o que é:

É isso o mistério.”















16 de maio de 2025

Mulheres de Barro e Tempestade - estreia!




Amanhã estaremos no @festateatropetropolis, apresentando uma cena inédita!

Entre memórias, ancestralidades e ciclos femininos, uma mulher costura com palavras e gestos as muitas formas de ser e sentir no mundo. Em cena, ela atravessa paisagens internas marcadas por imagens de infância, vínculos maternos e o amadurecimento feminino, guiada pelas Yabás Oxum, Iansã, Iemanjá e Nanã. A partir de histórias pessoais, poemas e heranças transmitidas por gerações de mulheres, a cena é um rito poético de reconexão com a natureza, a liberdade, e a força que se guarda nas pequenas coisas — como pedras, tecidos e silêncios.
Vem!

🌷💞

29 de abril de 2025

Estudos...

O ritmo provoca uma espera, suscita um desejar. Se é interrompido, temos um choque. Algo se rompe. Se continua, esperamos alguma coisa que não sabemos nomear. O ritmo provoca em nós um estado de ânimo que só se acalmará quando sobrevier “alguma coisa”. Ele nos deixa em atitude de espera. Sentimos que o ritmo é um ir em direção a algo, mas não sabemos o que vem a ser esse algo. Todo ritmo é sentido de algo. Então, o ritmo não é exclusivamente uma medida vazia de conteúdo, mas uma direção, um sentido. O ritmo não é medida, é tempo original. A medida não é empo, é maneira de calculá-lo. (...) Calendários e relógios são maneiras de cadenciar nossos passos. Essa apresentação implica redução ou abstração do tempo original: o relógio apresenta o tempo, e para apresenta-lo divide-o em porções iguais e carentes de sentido. (...) O tempo não está fora de nós, nem é algo que passa diante dos nossos olhos como os ponteiros do elogio: nós somos o tempo, não são os anos que passam, somos nós que passamos.

Octavio Paz


Composição IV - Kandisnky



29 de setembro de 2024

Estreia: O Sequestro da Rainha Justa

Dia 04 de outubro, às 15h, estreia no Centro de Cultura a contação de história "O Sequestro da Rainha Justa". Gratuito! Só chegar.

Nesta envolvente contação de histórias, mergulhamos na jornada da Rainha Sita, a figura central do épico Ramayana, conhecida por sua sabedoria e força interior. Sita, esposa do príncipe Rama, enfrenta desafios inimagináveis quando é sequestrada pelo temível rei demônio Ravana, que a leva para seu distante reino. Mesmo isolada em terras estranhas, Sita permanece fiel às suas convicções e à esperança de ser resgatada. Em meio a suas lutas internas e à busca por libertação, ela demonstra resiliência, coragem e integridade. O Sequestro da Rainha Justa é uma história de resistência, amor e superação, onde a força e a perspectiva de Sita iluminam o caminho em tempos sombrios.

O projeto foi contemplado no Edital de Produções Culturais (Chamada Pública 04/2023), realizado pela Prefeitura de Petrópolis, por meio do Instituto Municipal de Cultura, com recursos do Governo Federal através da Lei Complementar nº 195/2022 - Lei Paulo Gustavo.




27 de setembro de 2024

Figurino pronto! Estreia a caminho...

A jornada criativa do Atelier Dafne Souza por trás do figurino de "O Sequestro da Rainha Justa" foi incrível, um processo complexo, mas extremamente satisfatório!

Dirigido por Ronaldo Ventura e encenado por Ana Cecilia Reis, a contação de histórias é uma releitura do poema épico Ramayana.
O figurino foi construído com referências de diversas regiões da Índia, pensando no luxo, na opulência, mas sem esquecer que estamos no teatro, com soluções criativas para apoiar as cenas.
Com um destaque para esse acessório de cabeça multifacetado, de tirar o fôlego, que ao mesmo tempo é Rama, Sita e a narradora.
Não percam a estréia que será dia 04 de outubro em Petrópolis, no teatro Afonso Arinos no Centro de Cultura Raul de Leoni às 15h.

Esse projeto foi aprovado no edital de produções culturais da Lei Paulo Gustavo em Petrópolis.




1 de agosto de 2024

Oficina de Voz e Movimento com Ana Cecilia Reis


Abriram as inscrições!

Para quem perguntou, sentiu saudades, para quem nunca fez, para quem quer experimentar algo novo no teatro, para cantoras que querem melhorar o desempenho no palco... Vem!
Em mais uma parceria com a @escolatecnicadeteatroitb, apresentamos a Oficina de Voz-Movimento, voltada para atores, atrizes e estudantes de teatro e traz exercícios que vão integrar mais a expressão vocal com a expressão corporal, mapeando possibilidades, expandindo o vocabulário sonoro do próprio corpo, e conectando-os aos movimentos na cena, de modo a apresentar um corpo mais orgânico e uma atuação mais presente, colorindo o texto de intencionalidades, de forma consciente.
Inscrições: bit.ly/vozemovimento

Corre que acaba rápido e as vagas são limitadas!

Resultado no dia 08 de agosto!

18 de junho de 2024

Inspirações...





A dança de Merce Cunningham também é inspiradora. Com o passar dos anos, a fidelidade de Merce Cunningham ao princípio do trabalho nunca vacilou. A sua técnica de dança, por si, não é algo fixo. Trata-se de uma série contínua de descobertas daquilo que o corpo humano é capaz de fazer, quando se move no espaço e através dele. Algumas vezes ele se mostra como alguém que tem um apetite insaciável para a dança; outras vezes, parece ser o escravo da dança.


John Cage, no texto O futuro da música, 1974.

12 de junho de 2024

Estreia: Ausência



Lançaremos, nesta sexta-feira, dia 14 de junho, às 19h em nosso canal do Youtube, o curta-metragem Ausência

Sinopse: Uma mulher vive em seu apartamento por meio de conexões virtuais. Ela dedica os dias ao seu canal do YouTube, ao trabalho como editora de vídeo e debater as principais questões mundiais, sem sair das telas. Mas algo estranho interrompe bruscamente o seu cotidiano, alterando o que poderia ser um videogame de fases repetidas.
Escrito e dirigido por Raphael Janeiro
Com: Ana Cecilia Reis, Henrique Très e Raphael Janeiro
Dir. de Fotografia: Henrique Très e Monaliza de Souza
Edição: Henrique Très
O projeto foi contemplado no Edital de Produções Audiovisuais Pessoas Físicas (Chamada Pública 03/2023), realizado pela Prefeitura de Petrópolis, por meio do Instituto Municipal de Cultura, com recursos do Governo Federal através da Lei Complementar nº 195/2022 - Lei Paulo Gustavo.

17 de março de 2024

Estudos...



autorretrato de Artaud de 1947


Todo verdadeiro sentimento é na verdade intraduzível. Expressá-lo é traí-lo. Mas traduzi-lo é dissimulá-lo. A expressão verdadeira esconde o que ela manifesta. (...) Todo sentimento forte provoca em nós a ideia do vazio. E a linguagem clara que impede esse vazio impede também que a poesia apareça no pensamento. É por isso que uma imagem, uma alegoria, uma figura que mascare o que gostaria de revelar têm mais significação para o espírito do que as clarezas proporcionadas pelas análises da palavra. Assim, a verdadeira beleza nunca nos impressiona diretamente. E um pôr-do-sol é belo por tudo aquilo que nos faz perder.

Antonin Artaud em O Teatro e seu Duplo.

7 de fevereiro de 2024

Oficina de Voz e Movimento + A Arte de Enterrar seus Mortos


    Outra novidade sobre a agenda desse ano! Em agosto realizaremos uma oficina de voz e movimento e a apresentação do espetáculo "A Arte de Enterrar seus Mortos", em parceria com o Instituto Técnico do Brasil (ITB Petrópolis), gratuitamente.


    A "Arte de Enterrar seus Mortos" apresenta uma releitura do mito de Antígona, filha do rei Édipo, a última descendente de uma família amaldiçoada. A montagem é inspirada nas tradições de narrativas orais. A atriz Ana Cecilia Reis conta a história alternando entre as falas do Narrador, Guarda, Creonte e Antígona.

    O espetáculo estreou em 2011, e teve uma longa circulação, com apresentações em diversos estados do Brasil e em Portugal. Essa será uma atividade especial, onde Ana Cecilia Reis irá compartilhar com atores, atrizes e estudantes, as técnicas de atuação desenvolvidas com o diretor @ronaldoventurateatro para realizar essa montagem, e em seguida, apresentará o espetáculo, como uma forma de conclusão de circulação, depois de mais de 10 anos cumprindo apresentações.

    Esse projeto foi selecionado no Edital de Produções Culturais da Lei Paulo Gustavo 2023 do município de Petrópolis - RJ.

21 de janeiro de 2024

Ausência - Curta metragem selecionado - LPG 2023

 



Começamos o ano com boas notícias!

E a primeira delas é a seleção do curta-metragem "Ausência", para ser produzido através da Lei Paulo Gustavo do município de Petrópolis-RJ.

Além de atuação de Ana Cecilia Reis , o curta será dirigido e roteirizado por Raphael Janeiro e Henrique Très

Novidades em breve!


😉


7 de novembro de 2023

Estudos





    
    Um diretor, quando trabalha um ator (e não somente uma peça), deve sempre estar atento a um conjunto de elementos que lhe permitam detectar não só as dificuldades e facilidades do ator, mas sobretudo como este ator se relaciona com elas. Ele também deve estar atento a quando e como um ator consegue emanar uma certa qualidade de energia, de vibração; a qualidade de vida de uma determinada ação, em que momento e como este processo acontece.

    Para Stanislavski, a qualidade de ser “verdadeiro” e “sincero” era fundamental: “a habilidade de ser sincero em cena – isto é o talento” (…). Sua busca pode ser resumida em como representar mantendo uma qualidade de vida em cena, como, por processos específicos desta “técnica de corporificação” recuperar e manter essa qualidade de vida, essa organicidade. Por isso, para ele, a linha das ações físicas era da maior importância. A busca de Grotowski também residia neste preciso espaço entre a vida e o artifício: como, através de um fazer estruturado e fixo, reencontrar o fluxo da vida. O paradigma da arte de ator está precisamente entre esses dois polos. Perdê-lo de vista é como parar o sino da igreja: se não tocar, não vibrar, não chamar os fiéis, perde o sentido.


Luis Otávio Burnier, no livro A Arte de Ator: da técnica à representação.

17 de setembro de 2023

Estudos...

 


A arte do teatro não pode ser julgada pelo modo como o ator recria ou reproduz a vida cotidiana em cena, ainda que o faça da forma mais próxima possível. Um ator usa suas palavras e seus gestos para tentar convencer seu público sobre algo que é profundamente verdade: essa sim é a tentativa que deve ser julgada. Nestes termos, a maior parte dos atores japoneses, ainda que tenha os braços e as pernas curtas e grossas, seria capaz de interpretar os dramas ocidentais. Mas um ator, seja ele japonês ou ocidental, mesmo tendo braços e pernas compridas, pareceria ridículo se não fosse capaz de projetar sobre o público um senso de verdade profunda. Neste caso, a nacionalidade do ator não teria importância. Desde que o teatro moderno teve início no Japão, o uso artístico dos pés deixou de ser desenvolvido: isso é triste, porque o realismo teatral poderia inspirar uma infinidade de estilos de caminhada. Mas a partir do momento em que se aceita, de comum acordo, que o realismo é um modo de descrever genericamente a realidade, a arte de caminhar foi mais ou menos reduzida a formas simples do movimento naturalista. Mas, na cena, cada movimento é uma ficção definida. Porque no realismo você tem mais possibilidades de movimento do que no teatro Nô ou Kabuki. Essas várias possibilidades de caminhar poderiam existir de modo artístico. Então eu acho que o teatro moderno é muito chato de ver, porque ele não tem pés.

Tadashi Suzuki

 

 

 

15 de agosto de 2023

Lea Garcia



 Ser atriz é minha vida, é mais do que prazer. É vital. E minha força de trabalho não se limita somente a representar, pois tenho de estar constantemente envolvida com a cultura. Assim me sinto viva. Adoro dirigir teatro, fazer adaptações de contos para cinema, especialmente de contos de autores negros para que nós, negros, tenhamos maior visibilidade, possamos contar a nossa história sem estereótipos, pois somente através da visão do negro teremos um panorama real do que é ser negro numa sociedade onde o racismo é tão presente. E só poderemos compreender de fato e realmente nossa história quando ela for contada por nós, os negros.

Obrigada por tanto, Lea!

14 de abril de 2023

Inspirações...

O público é rei. Quando ele volta para casa é ele quem vai decidir se valeu ou não a pena pagar para vir aqui. Ele deve poder dizer a si mesmo: “Vocês me alimentaram, me deram forças, vocês fazem com que eu volte para a cidade um pouco melhor, um pouco mais consciente, um pouco mais generoso, um pouco mais forte”. E também, a emoção dos espectadores, a maneira como eles vêm nos confiar o que sentiram... Eles renovam nossas forças. Eles nos nutrem em todos os sentidos do termo, materialmente em primeiro lugar. O fato de as pessoas pegarem o ônibus, o metrô, gastarem 135 francos, virem até aqui, em vez de ficar em casa na frente da televisão é um fenômeno extremamente importante. Por seu testemunho e seu reconhecimento, elas nos justificam, elas nos elegem novamente, quero dizer: elas exprimem seu acordo para que nós as representemos de novo.

Ariane Mnouchkine 

16 de março de 2023

Estudos

 


Nosso teatro é uma casa dividida.

Há dois grupos distintos presentes:
Os que estão no palco e os que estão na plateia,
Os que são pagos para ser vistos e os que pagam para vê-los,
Os que estão preparados para atuar e os que vieram para surpreender-se com a atuação,
Os que falam e os que se espera que permaneçam calados,
Os que ficam na luz e os que ficam no escuro.
Isso é um microcosmo evidente do sistema de classes e de toda nossa estrutura social. O sistema de classe que queremos extinguir.
Judith Malina, trecho retirado do livro Notas sobre Piscator: teatro político e arte inclusiva.