Como nós, mulheres ocidentais, lidamos com nossos sentimentos atualmente? Fomos estimuladas na infância pelos contos de fadas a esperar um príncipe encantado e sermos competitivas umas com as outras, amedrontadas com a menstruação, com a possibilidade de engravidar na adolescência e ser renegada pela família, defendendo-nos dos assédios e atentas às ameaças de estupros vindos das ruas escuras na madrugada ou de dentro de nosso próprio lar, sem entender direito nossos corpos e nossas possibilidades de prazer, limitando nossos objetivos profissionais e priorizando dedicação plena aos relacionamentos amorosos e à aparência, etc... Passamos por tudo isso, e hoje buscamos a liberdade, a desconstrução. Mas onde guardamos nosso coração? Será que superamos as expectativas, esquecemos os traumas, ignoramos o tempo que passa e tira nossa aparência juvenil, grande característica que nos torna objeto de desejo e muitas vezes dita a nossa importância como presença no mundo?
Imagem: A filha do policial, de Paula Rego.

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