"Pesquisar uma técnica pessoal de representação significa abandonar o que se tem de conhecido. Romper com o conforto. Buscar o caminho contrário. O Caminho contrário do corpo é trabalhado através da hipertensão muscular em movimento, e essa hipertensão desencadeia o surgimento de novos movimentos e emoções. Cada variação das tensões musculares corresponde a uma variação de emoções e intensidades distintas. No trabalho com as camadas profundas, surgem emoções primitivas, movimentos grotescos, ações imprecisas e a perda do que se tem de mais seguro. Aprender a controlar e manejar a musculatura, através da repetição, reviver as emoções: explorar as possibilidades do corpo, dando mais ênfase a ele do que à razão. Romper com o poder desta razão sobre as reações do corpo, branco no intelecto e na imaginação. Quem conduz o movimento é a vontade própria do corpo. Deixar sair do corpo o mais profundo e aprender a domar esse mais profundo. Sistematizar os temas encontrados para que não se percam. O surgimento dos ruídos, dos sons, da voz e o modelar da boca para que saiam as palavras. Escutar o orientador. Há ação na inação. O estar em movimento na imobilidade. O peso, a leveza, o grande, o vazio, o pleno, o rápido, o contido, o extrapolado, o domínio do fazer, do transformar, do modelar, repetir para codificar, codificar para se estar seguro da técnica desenvolvida. Aprisionar-se a ela e abandonar-se nela para se ter a liberdade de somente ser. Além do ator, o ser-em-vida".

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