Uma vez assisti no Japão a um ator interpretando uma senhora idosa cujo filho tinha sido morto por um samurai. Ela entrou em cena com o propósito de enfrentar o samurai e perguntar-lhe por que matara seu filho. O ator surgiu, avançou lentamente até a ponte que o leva ao palco e, nesse lento caminhar, toda a alma da velha senhora estava dentro dele, todos os sentimentos misturados que se agitavam no seu coração: a solidão, a cólera, o desejo de acabar com a própria vida. Foi uma interpretação extraordinária. Depois da apresentação, fui falar com o ator em seu camarim para lhe perguntar como tinha se preparado. Pensei que talvez pudesse ter empregado o método de Stanislavski ou alguma coisa parecida, que estivesse relacionada com a memória afetiva. Respondeu-me que tinha elaborado seus pensamentos da seguinte maneira:
“É uma senhora idosa, então devo caminhar a passos menores do que o normal. Aproximadamente sessenta por cento do comprimento normal, e devo parar no primeiro pinheiro depois de minha entrada. Enquanto caminho, não penso em outra coisa a não ser nisso.”
Yoshi Oida, Um ator errante.

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