"Você olha para o fogo. Ele parece o
mesmo, mas, na verdade, está sempre mudando.
Então, quando falamos das leis do
teatro, temos que dizer que as razões para que o fogo seja fogo são sempre as
mesmas, só que o fogo muda sempre. O teatro exige uma atenção ininterrupta ao
movimento constante. Demanda uma atenção constante à teoria e à prática.
Não basta ser apenas diretor ou
pedagogo, e olha que isso não é pouco. Ser uma pessoa da escola russa significa
ser um pesquisador. Quem vem da escola russa não se torna apenas diretor ou
pedagogo, mas também teórico e pesquisador, pois todo o seu legado existe para
que isso aconteça. Alguém tinha que fazer isso, e eu fiz. Tornei-me uma pessoa
solitária.
Não havia tantos como eu. Não falo em
termos de qualidade, mas, simplesmente, da coisa como um todo.
(...)
Existe sempre um ‘centro’ e uma ‘margem’ no teatro europeu, e é por isso
que as pessoas começaram a se interessar mais pelo teatro alternativo do que
pelo teatro público, pelo teatro apresentado nos palcos oficiais. Começaram a
dividir as coisas. Mas hoje eu acredito que somente o palco público pode ser – deve ser
– um palco de estúdio [i]. Quero me ver tendo relações hostis com essa
abominável multidão de pessoas chamada ‘plateia’. Não acho que eu esteja ali
para ela. Ela é que está lá para mim. Funciona assim porque um ato de arte
é uma espécie de ato de ataque moral e estético. Nunca pensei de outra forma e
nunca vou pensar. O melhor lugar é um anfiteatro. Este é o lugar para
onde a obra de um artista deve se dirigir."
Anatoli Vassiliev conversando com Maria Shevtsova.
A entrevista completa pode ser conferida na revista Performatus.
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