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14 de abril de 2014

Canudos é aqui. (por Ana Cecilia Reis)

É com muito pesar que por vezes nos deparamos com acontecimentos do passado que geram profunda tristeza, mas o pior talvez seja perceber que esses acontecimentos não estão tão distantes assim. Pensando na violência policial que estamos vivenciando no Rio de Janeiro, é impossível não compararmos à violência militar que os habitantes de Canudos sofreram.

Situações diferentes, mesmo procedimento. Somente para dar um exemplo, segue abaixo um texto que estamos preparando para uma das cenas, adaptado diretamente do livro “Os Sertões”, onde Euclides da Cunha fala sobre o treinamento dos soldados:

“Homens inermes carregando armas magníficas. Ora, um chefe militar deve ter algo de psicólogo. Por mais mecanizado que fique o soldado pela disciplina, tendendo para esse sinistro ideal de homúnculo, feito um feixe de ossos amarrados por um feixe de músculos, energias inconscientes sobre alavancas rígidas, sem nervos, sem temperamento, sem arbítrio, agindo como um autômato pela vibração dos clarins, transfiguram-no as emoções da guerra, é preciso incentivá-lo, torná-lo corajoso, como que implantando uma nova religião: a luta pela glória perante o inimigo.”


                Ao escolheremos a temática do massacre de Canudos nossa intenção principal era explorar os conflitos e oposições de corpos em luta, a partir do trabalho imagético de um artista plástico, mas sem focar tanto no objetivo de contarmos essa história. Mas surpreendentemente, nos vemos cada vez mais próximos de temáticas cotidianas, mesmo abordando um fato do passado. Começamos a nos perguntar quais são as possibilidades de resistência para esses acontecimentos, tanto no teatro quanto fora dele. E percebemos que esse trabalho caminha cada vez mais para o resgate dessas memórias, pois através delas somos mais fortes.  


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