Quando um artista honesto é
perguntado sobre de onde tira suas ideias, ele responde simplesmente "eu
roubo". Essa é a opinião do escritor Austin Kleon. Para o cineasta Jim
Jarmusch, originalidade não existe; a única meta possível de ser alcançada pelo
artista é a autenticidade, conquistada a partir do roubo de tudo aquilo que
fala diretamente à sua alma.
Um dos trabalhos atualmente
desenvolvidos na Cia Plúmbea é diretamente inspirado (isto é, roubado) no
clássico latinoamericano O Jogo da Amarelinha, de Julio Cortázar. Quem
acompanha o blog tem podido ver algo do progresso desse trabalho. Cortázar
roubou fortes elementos, entre outros, do jazz, dos surrealistas franceses e de Edgar
Allan Poe.
O escritor espanhol Augustin
Fernandez Mallo, roubando várias ideias de Cortazar e de seu Jogo da Amarelinha, escreveu
um livro incrível chamado Nocilla Dream, que tem causado tamanho impacto entre os
escritores espanhóis que a atual geração já é conhecida como 'geração
nocilla'.
A Cia Plúmbea produziu seu primeiro
filme de curta metragem em meados do ano passado, e nesse momento o filme está sendo editado. Em breve estará pronto o
primeiro filme produzido pela Cia.
A ideia do filme foi roubada de um
dos microcapítulos de Nocilla Dream, e mixada com um punhado de outras ideias
roubadas de outros lugares.
De modo que, indiretamente, através
de muitos roubos, Cortázar se encontra na origem de dois dos trabalhos
atualmente desenvolvidos pela Cia Plúmbea. Talvez isso signifique alguma coisa.
Talvez sejamos simplesmente ladrões que seguem um padrão misterioso.

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