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17 de março de 2014

Fazer Arte é Sinônimo de Roubar (por Marcos Melo)

Quando um artista honesto é perguntado sobre de onde tira suas ideias, ele responde simplesmente "eu roubo". Essa é a opinião do escritor Austin Kleon. Para o cineasta Jim Jarmusch, originalidade não existe; a única meta possível de ser alcançada pelo artista é a autenticidade, conquistada a partir do roubo de tudo aquilo que fala diretamente à sua alma.

Um dos trabalhos atualmente desenvolvidos na Cia Plúmbea é diretamente inspirado (isto é, roubado) no clássico latinoamericano O Jogo da Amarelinha, de Julio Cortázar. Quem acompanha o blog tem podido ver algo do progresso desse trabalho. Cortázar roubou fortes elementos, entre outros, do jazz, dos surrealistas franceses e de Edgar Allan Poe.

O escritor espanhol Augustin Fernandez Mallo, roubando várias ideias de Cortazar e de seu Jogo da Amarelinha, escreveu um livro incrível chamado Nocilla Dream, que tem causado tamanho impacto entre os escritores espanhóis que a atual geração já é conhecida como 'geração nocilla'. 

A Cia Plúmbea produziu seu primeiro filme de curta metragem em meados do ano passado, e nesse momento o filme está sendo editado. Em breve estará pronto o primeiro filme produzido pela Cia.

A ideia do filme foi roubada de um dos microcapítulos de Nocilla Dream, e mixada com um punhado de outras ideias roubadas de outros lugares.


De modo que, indiretamente, através de muitos roubos, Cortázar se encontra na origem de dois dos trabalhos atualmente desenvolvidos pela Cia Plúmbea. Talvez isso signifique alguma coisa. Talvez sejamos simplesmente ladrões que seguem um padrão misterioso.



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