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13 de março de 2020

Trechos: O Teatro e a Peste - Antonin Artaud

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Se o teatro essencial é como a peste, não é por ser contagioso, mas porque, como a peste, ele é a revelação, a afirmação, a exteriorização de um fundo de crueldade latente através do qual se localizam num indivíduo ou num povo todas as possibilidades perversas do espírito. Assim como a peste, ele é o tempo do mal, o triunfo das forças negras que uma força ainda mais profunda alimenta até a extinção. Há nele, como na peste, uma espécie de estranho sol, uma luz de intensidade anormal em que parece que o difícil e mesmo o impossível tornam-se de repente nosso elemento normal.
(...)
O teatro, como a peste, é feito à imagem dessa carnificina, dessa essencial separação. Desenreda conflitos, libera forças, desencadeia possibilidades, e se essas possibilidades e essas forças são negras a culpa não é da peste ou do teatro, mas da vida. Não consideramos que a vida tal como é e tal como a fizeram para nós seja razão para exaltações. Parece que através da peste, e coletivamente, um gigantesco abscesso, tanto moral quanto social, é vazado; e, assim como a peste, o teatro existe para vazar abscessos coletivamente.
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O teatro, como a peste, é uma crise que se resolve pela morte ou pela cura. E a peste é um mal superior porque é uma crise completa após a qual resta apenas a morte ou uma extrema purificação. Também o teatro é um mal porque é o equilíbrio supremo que não se adquire sem destruição. Ele convida o espírito a um delírio que exalta suas energias; e para terminar pode-se observar que, do ponto de vista humano, a ação do teatro, como a da peste, é benfazeja pois, levando os homens a se verem como são, faz cair a máscara, põe a descoberto a mentira, a tibieza, a baixeza, o engodo; sacode a inércia asfixiante da matéria que atinge até os dados mais claros dos sentidos; e, revelando para coletividades o poder obscuro delas, sua força oculta, convida-as a assumir diante do destino uma atitude heróica e superior que, sem isso, nunca assumiriam

Trechos do texto O teatro e a peste do livro O Teatro e o seu Duplo de Antonin Artaud.


Imagem: O Combate entre o Carnaval e a Quaresma de Pieter Bruegel

2 de fevereiro de 2020

Diário do último ato concorrendo ao Prêmio Guerra Peixe

O espetáculo "Diário do último ato" foi indicado ao Prêmio Maestro Guerra-Peixe, a principal premiação do setor de cultura da cidade de Petrópolis.
Agradecemos o reconhecimento e parabenizamos a equipe que realiza o evento anualmente!
E para quem ainda não viu o espetáculo, faremos mais duas apresentações no Rio de Janeiro, no Centro Cultural Parque das Ruínas, dias 08 e 09 de fevereiro



14 de janeiro de 2020

Teaser no Real Gabinete Português de Leitura

Confiram o teaser de "Diário do Último Ato" no Real Gabinete Português de Leitura, uma apresentação em parceria com o projeto FACE A FACE - Plataforma Lusófona de Artes Performativas

E lembrando que voltaremos com o espetáculo no Parque das Ruínas, nos dias 25 e 26 de janeiro e 08 e 09 de fevereiro, sempre às 16h.

Que 2020 venha recheado de circulações e trocas! 




31 de dezembro de 2019

Feliz 2020!

O desejo da Cia Plúmbea para 2020 é que cada um (a), independente de seu papel no mundo, não desista de colaborar para ancorar a consciência amorosa coletiva.
Feliz ano novo, com muita arte, encontros, realizações!
Amamos vocês!


13 de dezembro de 2019

Diário do último ato - 2020

O ano ainda não acabou, mas estamos passando por aqui para avisar que no comecinho de 2020 já estaremos em cartaz!

Nos dias 25 e 26 de janeiro e 08 e 09 de fevereiro às 16h, convidamos a todas e todos para vivenciar os últimos momentos de Florbela Espanca neste local de tirar o fôlego.

Diário do Último Ato no Parque das Ruínas.







13 de novembro de 2019

Florbela Face a Face (por Ana Cecilia Reis)

No dia 07 de novembro realizei mais uma apresentação do espetáculo “Diário do último ato”, dessa vez a convite do FACE A FACE - Plataforma Lusófona de Artes Performativas . A apresentação teve como cenário o lindíssimo Real Gabinete Português de Leitura. Como atriz, foi emocionante dar vida às palavras de Florbela Espanca nesse lugar cheio de histórias e estórias, e como disse meu amigo Paulo Barbeto: também cheio de mortos, assim como Florbela gostaria de estar próxima dos seus (a poeta perdeu seu irmão, sua mãe e teve dois abortos espontâneos).
A necessidade de resgatar a memória e lucidez do nosso país é (sempre foi?) gigante, e é necessário nos aproximarmos de nossa ancestralidade, nossas raízes, ter consciência das opressões vividas, “da história que a História não conta”, seja através das narrativas orais e visuais que o teatro nos proporciona, seja através dos livros já publicados, seja através das imagens que se perpetuam nas telas grandes do cinema ou nas pequenas e portáteis que carregamos em nossos bolsos.
Dar voz às cartas e poemas de Florbela Espanca, resgatá-la como mulher, artista, poeta, fazer com que as pessoas a conheçam, ou a conheçam mais profundamente, já é um prazer nos palcos. Mas me desafiar a ponto de apresentá-la despida de truques cênicos, olhando constantemente nos olhos das testemunhas de seus últimos momentos, e dialogando com as reações de forma crua e honesta, foi um presente que eu agradeço à Mariana Pimentel e Priscila Maia.

Para que o texto não se prolongue mais, me proponho a escrever posteriormente um pouco sobre os pensamentos técnicos de atuação que foram aprendidos durante essa apresentação e como me engrandeceu como atriz. Mas por hora, apenas gostaria de enfatizar a necessidade dos artistas atuais saírem de suas zonas de conforto, insistirem em seu fazer, buscarem redes de afeto, estarem atentos, fortes e disponíveis para ocuparem novos espaços, mesmo quando não parecer possível. As condições nunca foram (serão?) as ideais, e enfrentaremos desafios cada vez maiores em termos de estrutura, orçamento, espaço. Mas se não nós, quem? Se não agora, quando? Estamos vivas, e viver é essa balança constante de luta e celebração.

Sigamos.



16 de outubro de 2019

"Trabalhemos. Experimentemos. Sigamos em frente. Tratemos de manter até o último dia o nosso espírito claro, a nossa sensibilidade viva, o nosso coração puro e inabalável".
Jacques Copeau