"O conhecimento muda porque os acessos aos seus objetos e os próprios objetos também se alteram. A cada nova descrição, descrevo um novo objeto. Os objetos não repousam no mundo, estáticos e inalterados, aguardando nossos deciframentos. Imersos na mesma calda de semiose da vida, coisas e sujeitos, ou objetos, signos e interpretantes, vivem em sutil translação, apegados ao capricho do movimento.
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5 de julho de 2018
27 de junho de 2018
Novos Projetos: Florbela Espanca
O novo projeto da Cia Plúmbea, é uma
parceria da atriz Ana Cecilia Reis com o diretor e dramaturgo Ronaldo Ventura,
sobre a poetisa portuguesa Florbela Espanca.
Para Florbela Espanca “viver” era “sentir-se viva” a cada instante, e
quando isso não foi mais possível, colocou um ponto final em sua própria vida.
Mas, justamente por sua obra ser imortal, o presente projeto visa criar um espetáculo
teatral sobre suas palavras e existência em um tom de diário íntimo, buscando “exprimir verdades secretas”; um espetáculo onde suor, músculos, e
sons exteriorizarão “um fundo de
crueldade latente pelo qual se localizam num indivíduo (...) todas as maldosas
possibilidades da alma”.
Esse projeto foi vencedor da Bolsa Jovens Criadores 2018, do Centro
Nacional de Cultura de Portugal.
Em breve mais novidades!
18 de junho de 2018
Inspirações...
"A arte é uma queixa. O que o homem introduz na arte é a desarmonia que ele encontra em sua vida: síncopes, recuos, sobreposições, dúvidas (dúvidas na valsa). O que ele introduz na sua vida é a harmonia que ele encontra na arte: ritmo, equilíbrio (valsa na dúvida)". Étienne Decroux
Imagem: Paul Cézanne, Seven Bathers, 1900.
14 de junho de 2018
Anotações pessoais para tempos difíceis (por Ana Cecilia Reis)
apenas faça. continue fazendo. avalie os caminhos. calcule as possibilidades. você tem força e coragem. enfrente. domine a ansiedade. batalhe. entenda seu tempo. se perdoe. tente outra vez. seja honesta. dê seu melhor. você conhece o caminho. o tempo não é seu inimigo. foque no seu trabalho. entenda o que dói. entenda o que adoece. entenda que passa. todo movimento exige esforço. para tudo que nasce: o parto, a dor. não pense sobre “onde você está”. não reclame sobre “onde você está”. não se compare. não queira prêmios. não espere reconhecimentos. domine seu ego. faça porque você gosta. faça com prazer. faça com dignidade. isso basta.
31 de maio de 2018
Estudos...
"O principal interesse da arte viva reside nessa capacidade de produzir instantes longamente preparados e, no entanto, arriscados, uma vez que, se a qualidade do aqui e agora depende em grande parte da preparação, ela existe também na aptidão dos atores para refazer como se fosse a primeira vez, com a mesma inocência, o mesmo prazer e o mesmo frescor. Um grande instante de teatro existe na falsa redescoberta, em público, dos gestos, das emoções e dos movimentos preparados que jorram com força suficiente para que a cumplicidade e a adesão aconteçam. Eu afirmo falsa redescoberta com prudência, pois os esforços dos atores e dos encenadores, que influem precisamente sobre a qualidade do jogo, são direcionados para que se trate quase de uma verdadeira redescoberta".
24 de maio de 2018
Sobre exercícios: Respiração
Um mesmo gesto, postura ou movimento, pode se alterar completamente, de acordo com a respiração. Fazendo diversas vezes as mesmas posturas, com diferentes tipos de respiração, a intenção irá se modificar, e você verá surgirem diferentes emoções e significados para uma mesma ação.
Experimente!
12 de maio de 2018
Reflexões sobre processos: treinamento com bastões (por Ana Cecilia Reis)
Me lembro dos primeiros dias de treinamento de bastão para o espetáculo "Terrabatida". Talvez o som mais opressor e desanimador era o do bastão de madeira ressoando ao cair no chão da sala. Cada queda era como um golpe nos nervos, e por vezes, depois de várias tentativas, parecia que o barulho era cada vez mais alto. Não adiantava xingar, ou tentar fazer de forma brusca e rápida, minha autopercepção mostrava que se eu não tivesse respiração e concentração, ele sempre cairia. Estabelecia pequenas metas cotidianas, fazer 5 vezes sem cair, depois 10, 20, 50, 100. Depois dificultar o nível. E de novo o mesmo som. O som da queda ecoando o meu fracasso. Mas, ao contrário do que dizem, desistir sempre foi uma opção, só que o amor pelo que se precisa conquistar me fazia jogar mais uma vez e mais uma vez e mais. Cheguei a preferir que o bastão caísse em mim, gerando hematomas roxos do que ouvir aquele som estridente do chão, talvez porque ele ecoase não apenas dentro de mim, mas também por toda sala e fora dela, e no piso abaixo que era o teto acima de alguém. O autocontrole e a certeza de um objetivo me davam forças para prosseguir. Quantas vezes por ironia, ou seja lá como for, de minha meta de dez acertos, sempre acertava até o nove e então, o conhecido e estridente barulho da queda. Por vezes parece que algo ou alguém quer testar nossa vontade, fazendo você errar justamente tão perto do fim. Mas comecei a perceber que a contagem não deveria ser nove acertos e um erro. É sempre um acerto, depois outro. Cada jogada é um recomeço.
Se hoje me recordo disso é porque no momento atual, no início de um novo treinamento solo, com novos desafios, sinto-me por vezes chegar ao nove, ter capacidade para chegar ao nove, mas ainda lutar muito para que o dez aconteça, e assim floresça uma nova fase. Há tanto para se aprender e crescer.
Corpo-carcaça-carne-couraça.
Uma jogada. Depois mais uma. E outra. Não precisa ser contado compulsivamente. Apenas respire. Encare um degrau, depois outro. Aceite que você nunca sabe para onde essa escada te leva. E, se fosse fácil, não seria tão bonito".
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