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18 de junho de 2018

Inspirações...

"A arte é uma queixa. O que o homem introduz na arte é a desarmonia que ele encontra em sua vida: síncopes, recuos, sobreposições, dúvidas (dúvidas na valsa). O que ele introduz na sua vida é a harmonia que ele encontra na arte: ritmo, equilíbrio (valsa na dúvida)".  Étienne Decroux

Imagem: Paul Cézanne, Seven Bathers, 1900.

14 de junho de 2018

Anotações pessoais para tempos difíceis (por Ana Cecilia Reis)

apenas faça. continue fazendo. avalie os caminhos. calcule as possibilidades. você tem força e coragem. enfrente. domine a ansiedade. batalhe. entenda seu tempo. se perdoe. tente outra vez. seja honesta. dê seu melhor. você conhece o caminho. o tempo não é seu inimigo. foque no seu trabalho. entenda o que dói. entenda o que adoece. entenda que passa. todo movimento exige esforço. para tudo que nasce: o parto, a dor. não pense sobre “onde você está”. não reclame sobre “onde você está”. não se compare. não queira prêmios. não espere reconhecimentos. domine seu ego. faça porque você gosta. faça com prazer. faça com dignidade. isso basta.

31 de maio de 2018

Estudos...

"O principal interesse da arte viva reside nessa capacidade de produzir instantes longamente preparados e, no entanto, arriscados, uma vez que, se a qualidade do aqui e agora depende em grande parte da preparação, ela existe também na aptidão dos atores para refazer como se fosse a primeira vez, com a mesma inocência, o mesmo prazer e o mesmo frescor. Um grande instante de teatro existe na falsa redescoberta, em público, dos gestos, das emoções e dos movimentos preparados que jorram com força suficiente para que a cumplicidade e a adesão aconteçam. Eu afirmo falsa redescoberta com prudência, pois os esforços dos atores e dos encenadores, que influem precisamente sobre a qualidade do jogo, são direcionados para que se trate quase de uma verdadeira redescoberta".
Jean-Pierre Ryngaert

Foto: Gabriel Hirschhorn

24 de maio de 2018

Sobre exercícios: Respiração

Um mesmo gesto, postura ou movimento, pode se alterar completamente, de acordo com a respiração. Fazendo diversas vezes as mesmas posturas, com diferentes tipos de respiração, a intenção irá se modificar, e você verá surgirem diferentes emoções e significados para uma mesma ação.
Experimente!

12 de maio de 2018

Reflexões sobre processos: treinamento com bastões (por Ana Cecilia Reis)

Me lembro dos primeiros dias de treinamento de bastão para o espetáculo "Terrabatida". Talvez o som mais opressor e desanimador era o do bastão de madeira ressoando ao cair no chão da sala. Cada queda era como um golpe nos nervos, e por vezes, depois de várias tentativas, parecia que o barulho era cada vez mais alto. Não adiantava xingar, ou tentar fazer de forma brusca e rápida, minha autopercepção mostrava que se eu não tivesse respiração e concentração, ele sempre cairia. Estabelecia pequenas metas cotidianas, fazer 5 vezes sem cair, depois 10, 20, 50, 100. Depois dificultar o nível. E de novo o mesmo som. O som da queda ecoando o meu fracasso. Mas, ao contrário do que dizem, desistir sempre foi uma opção, só que o amor pelo que se precisa conquistar me fazia jogar mais uma vez e mais uma vez e mais. Cheguei a preferir que o bastão caísse em mim, gerando hematomas roxos do que ouvir aquele som estridente do chão, talvez porque ele ecoase não apenas dentro de mim, mas também por toda sala e fora dela, e no piso abaixo que era o teto acima de alguém. O autocontrole e a certeza de um objetivo me davam forças para prosseguir. Quantas vezes por ironia, ou seja lá como for, de minha meta de dez acertos, sempre acertava até o nove e então, o conhecido e estridente barulho da queda. Por vezes parece que algo ou alguém quer testar nossa vontade, fazendo você errar justamente tão perto do fim. Mas comecei a perceber que a contagem não deveria ser nove acertos e um erro. É sempre um acerto, depois outro. Cada jogada é um recomeço. 

Se hoje me recordo disso é porque no momento atual, no início de um novo treinamento solo, com novos desafios, sinto-me por vezes chegar ao nove, ter capacidade para chegar ao nove, mas ainda lutar muito para que o dez aconteça, e assim floresça uma nova fase. Há tanto para se aprender e crescer. 

 Corpo-carcaça-carne-couraça. 

Uma jogada. Depois mais uma. E outra. Não precisa ser contado compulsivamente. Apenas respire. Encare um degrau, depois outro. Aceite que você nunca sabe para onde essa escada te leva. E, se fosse fácil, não seria tão bonito".



25 de abril de 2018

Estudos

"Sem impulso a ação tende a permanecer no nível do gesto. (...) Grotowski também acreditava que treinar os impulsos, mais do que as ações físicas, permite que tudo que o ator faça se torne mais enraizado no corpo. Como treinar os impulsos? Depois de ter uma partitura precisa da ação – quando você sabe o que está fazendo – você pode começar a buscar no seu corpo o ponto de início da ação".

James Slowiak
Foto: Rayuela por Dona Mariana Fotografia

13 de abril de 2018

Semana de estreia em Portugal!

Essa semana foi de estreia em Portugal!
A atriz Ana Cecilia Reis conversou na quarta-feira (11 de abril) com os alunos da Universidade de Évora sobre sua trajetória no Brasil e ontem (12) apresentou o monólogo "A Arte de Enterrar seus Mortos" no Teatro Garcia De Resende, Évora, realizando um bate-papo no final com o público.
Agradecemos:
Ao prof. José Alberto Ferreira e às alunas Juliana Fonseca e Hayline Da Rosa Vitória pelo convite de fazer parte do ciclo de Encontros e pela organização, aos alunos e alunas pela grande troca atenta que realizamos, tanto na conversa na Universidade quando ao bate-papo após o espetáculo.
Ao Cendrev - Centro Dramático de Évora pelo profissionalismo e por ceder-nos a data mesmo em meio às turbulências enfrentadas nos últimos anos para se manterem ativos. Agradecimentos especiais à Ana Duarte, pelo gentil acolhimento, desde o primeiro contato.
Aos técnicos do teatro, em especial ao Sr. Antonio pela operação de luz.
Ao João Correia, pelo companheirismo e colaboração.
À Câmara Municipal de Évora, pelo apoio para esta realização.
Ao público presente, pela energia compartilhada!