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10 de agosto de 2015

Parcerias: Will Lopes

O projeto "Terrabatida: Reminiscência de Canudos" a cada dia ganha mais corpo (s). Tanto em termos de materialização das ideias quanto de colaboradores queridos! 

Hoje apresentamos Will Lopes, que será nossa voz provocativa em uma música sobre Antônio Conselheiro. 

Seja bem-vindo! Vida longa à esta parceria! 


=) 


3 de agosto de 2015

Estudos...

E quando você está participando de alguma coisa excitante que está acontecendo de verdade, como é. O ver ou o ouvir causam efeito em você e causam efeito em você ao mesmo tempo ou no mesmo grau ou não. Você fica ansioso para ouvir ou você fica ansioso para ver e qual dos dois mais excita você. E o que cada um dos dois tem a ver com a conclusão da excitação quando a excitação é uma excitação é uma excitação verdadeira que é estimulada por algo que está realmente acontecendo. E depois pouco a pouco o ouvir substitui o ver ou o ver substitui o ouvir. Eles caminham juntos ou não. E quando a coisa excitante da qual você participou chega a sua conclusão o ouvir substitui o ver ou não. O ver substitui o ouvir ou não. Ou os dois caminham juntos.


Gertrude Stein em Peças. [1]




[1] Tradução de Inês Cardoso: texto completo disponível em: http://www.revistaensaia.com/#!pecas/cxv3

27 de julho de 2015

Ensaios de Terrabatida

"É tempo de Murici
 Cada um cuida de si
 Quem tiver perna que corra
 Quem tiver cansado morra!"


20 de julho de 2015

...

"(...) antes de buscar uma reflexão sobre o outro, é preciso buscar reflexão do outro e, então, experimentar-mo-nos outros, sabendo que tais posições - eu e outro, sujeito e objeto, humano e não humano - são instáveis, precárias e podem ser intercambiadas.

(...)

Se todos os seres podem ser sujeitos, podem ocupar a posição de sujeito, já não é mais possível estabelecer um só mundo objetivo. Em vez de diferentes pontos de vista sobre o mesmo mundo, diferentes mundos para o mesmo ponto de vista."

Eduardo Viveiros de Castro, em entrevista (série Encontros, organizado por Renato Sztutman).


Magritte, O mistério do horizonte, 1928

13 de julho de 2015

6 de julho de 2015

Inspirações...



Trinta raios convergem para o meio de uma roda
Mas é o buraco em que vai entrar o eixo que a torna útil.

Molda-se o barro para fazer um vaso;
É o espaço dentro dele que o torna útil.

Fazem-se portas e janelas para um quarto;
São os buracos que o tornam útil.

Por isso, a vantagem do que está lá
Assenta exclusivamente
na utilidade do que lá não está.

Tao Te Ching (道德經), Cap. 11


22 de junho de 2015

Estudando um pouco sobre violência policial... Canudos também é aqui.


"Aproximadamente dois meses separaram a chegada da corte portuguesa e a criação da primeira instituição policial brasileira. A Intendência Geral de Polícia da Corte e do Estado do Brasil, criada no dia 10 de maio de 1808, na cidade do Rio de Janeiro, apresentava como seu principal objetivo implantar a ordem em uma cidade marcada pela presença negra e pelas péssimas condições de salubridade. Em sua origem a atividade policial apresentava características muito variadas e diferentes da atual, sendo responsabilidade da polícia, ações como a preservação dos espaços públicos, o abastecimento de água e a limpeza urbana, além da manutenção da ordem vigente.

O medo por parte da nobreza em viver em uma cidade com grande predomínio de negros escravos fez com que, um ano após a chegada da corte, fosse criada a Guarda Real de Polícia – GRP, corpo encarregado especificamente pela segurança e manutenção da ordem na cidade. A GRP estabeleceu medidas bem definidas de disciplinarização e controle, objetivando preferencialmente os escravos e negros libertos, sendo a truculência e a violência marcas fundamentais de tratamento e operacionalização dos seus objetivos.

(...)

Nos anos seguintes, muitas transformações ocorreram na vida econômica e política do país. Paulatinamente, a escravidão foi sendo substituída pelo trabalho remunerado. Tal fato engendrou mudanças no olhar policial que, gradativamente, foi substituindo o seu objeto central de atenção. Se durante o período colonial e a maior parte do Império o olhar policial estava voltado para os escravos e negros libertos, com a abolição da escravidão e implantação do modelo republicano, o olhar policial passou gradativamente para os trabalhadores pobres e ex-escravos.

(...)

Atualmente, mesmo em um período histórico marcado pela democracia, parte da estrutura policial continua atuando como no passado. Diversos relatos apontam que a violência contra o corpo dos pobres e negros continua viva no seio das forças policiais. Da mesma forma, o extermínio dos transgressores, mesmo que não aceito por lei, continua sendo uma prática corriqueira e largamente utilizada pelas forças policiais como estratégia de controle e de ordenamento territorial.

O que deve ficar claro é que a violência policial cotidiana que assola a população da cidade do Rio de Janeiro não é resultado de ações reativas da polícia a violência do tráfico de drogas, como apontado por alguns veículos de comunicação, mas o resultado de um processo forjado em 200 anos de história. Assim, somente com a refundação das forças policiais, alicerçadas em uma cidadania plena e equânime é que poderemos obter uma solução para esta questão essencial para todos os cidadãos brasileiros."

Retirado do site da Revista de História:



Soldados: xilogravura de Adir Botelho